Mãe de preso rebate discurso e afirma que filho sofreu agressão

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Lucineia Aparecida Gonçalves, mãe de Luiz Felipe da Silva, 19, preso pela Guarda Civil Municipal na quarta-feira, 30 de outubro, afirmou ao jornal O Progresso que os soldados da corporação municipal “espancaram o filho dela”.

Também disse que o filho estaria “soltando pipa” no local em que foi preso pela GCM. “Quando eles viram a viatura da GCM, ficaram com medo e saíram correndo, porque os soldados sempre ameaçam as pessoas. Logo que eles pegam, batem”, afirmou.

De acordo com o boletim de ocorrência registrado na Delegacia Central, a GCM consta que Silva foi preso na quinta-feira, às 13h, perto de um terreno baldio, no Jardim Gonzaga.

O suposto traficante estaria perto de um muro com a inscrição “da ponte pra cá”. Os soldados da corporação teriam ido ao local após denúncias anônimas.

Quando a viatura da GCM aproximou-se do local, indica o boletim de ocorrência, Silva teria fugido a pé, “largado uma sacola plástica no local e entrado em uma chácara”.

Os soldados registraram no BO que teriam utilizado “força física moderada para contê-lo”. No entanto, Lucineia questiona a afirmação. Ela diz que o filho sofreu lesões no olho, na perna e no ombro.

“Eu tenho o laudo que comprava a agressão. Meu filho, inclusive, reclamou que estava evacuando sangue de tanto receber chutes na barriga”, sustentou a mãe.

A mãe entregou, na tarde de sexta-feira, 8, cópia de um documento apontado como laudo. De acordo com a direção do Pronto-Socorro Municipal “Erasmo Peixoto”, trata-se de boletim médico, no qual constam informações repassadas a um profissional médico.

Ela também disse que os gritos do filho, enquanto seria espancado, “foram ouvidos por todo o bairro”, fato que teria gerado revolta dos moradores.

No entanto, a versão da GCM, registrada no boletim de ocorrência, diz que o rapaz teria “investido contra a GCM” e “gritado para conhecidos que ali compareceram e começaram a atirar pedras e pedaços de pau contra os agentes”.

A Guarda registra que a situação teria sido controlada com a chegada de mais soldados no local.

Lucineia, todavia, afirma que, nesse momento, os soldados “deram tiros para cima” e que, antes das viaturas saírem do local, alguns soldados “recolheram as cápsulas das balas” que as armas expeliram.

Silva foi preso em flagrante delito pelo crime de tráfico de drogas, após a GCM encontrar a sacola plástica que ele teria largado no terreno baldio, a qual, de acordo com o boletim de ocorrência, continha sete porções de cocaína e 89 pedras de crack.

O registro na delegacia ainda consta que Silva é “pessoa conhecida das polícias pela prática de tráfico de entorpecentes, inclusive, já foi apreendido quando adolescente”.

A prisão do jovem, junto com as supostas agressões que ele teria sofrido, foi motivo para manifestação de aproximadamente 50 moradores do Jardim Gonzaga. O protesto interditou a rodovia Mário Batista Mori na sexta-feira, 1º.

Os manifestantes atearam fogo em pedaços de madeira e pneus para suspender o tráfego de veículo da via. Após uma hora de duração, o protesto foi contido pela Polícia Militar. O Corpo de Bombeiros esteve no local para apagar o incêndio.

Guarda Municipal

O comandante da GCM, José Carlos Ferraz Fiuza, apresentou a versão da corporação para o caso. Segundo ele, não houve agressão física, apenas “o uso da força necessária para conter Silva, que reagiu à prisão”.

“Na apresentação da ocorrência, o rapaz foi acompanhado de um advogado. Se ele realmente sofreu essas supostas agressões, o advogado não teria colocado isso nos autos?”, questionou.

Fiuza também ressaltou que, caso Silva tivesse ferimentos decorrentes da agressão, seria levado ao pronto-socorro para exame de corpo de delito.

Sobre os possíveis tiros que os GCMs teriam dado para o alto, Fiuza classificou-os como inverídicos. “As pessoas estavam enfurecidas e queriam resgatar o preso. Naquele momento, havia apenas dois guardas. Eu fui um dos membros da GCM que foi dar apoio aos soldados, e não houve disparo”, sustentou.

Para ele, o objetivo da mãe de Silva é “tirar o foco” da prisão do filho. “Até as denúncias de ameaças são invenções. Nós estamos combatendo o tráfico de drogas na região. A maioria dos moradores aprova a nossa ação”, finalizou.