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    Livro ‘No Tempo D’Antes…’ aponta os 121 anos que ‘Tatuí esqueceu’

    Capa da publicação de Defensor (Foto: Divulgação)
    Da redação

    A história de Tatuí ganha um novo capítulo — desta vez, baseado em documentos originais, mapas antigos, registros paroquiais, correspondências oficiais e arquivos públicos apontados como “antes pouco acessíveis”.

    A nova visão é apresentada pelo historiador Marcel Defensor, que está lançando o livro “No Tempo d’Antes – Os 121 Aanos que Tatuí Esqueceu”, obra que abrange o período entre 1709 e 1830 e, conforme o autor, “reconstrói, com rigor e clareza, os primeiros anos da formação tatuiana”.

    A pesquisa, que levou quase duas décadas, defende que a origem do município é muito mais complexa do que a narrativa tradicional costuma apresentar. O livro sustenta que a cidade nasceu em meio a ocupações de terras, concessões de grandes fazendas, uma elite formada por tropeiros, conflitos com padres e influências de “pessoas muito bem relacionadas” com D. Pedro I.

    Além de colocar o sorocabano Brigadeiro Rafael Tobias de Aguiar como protagonista da formação inicial do povoamento, a obra “revisita” episódios frequentemente citados na história local — como o que aponta como “suposta existência de um povoado pré-Tatuí chamado São João do Benfica” e a influência da fábrica de ferro de Ipanema.

    “Além de reconstituir a formação territorial e social da região, o livro apresenta uma análise inédita sobre a vida cotidiana dos primeiros moradores, incluindo agricultores, tropeiros, escravizados, migrantes e famílias que deram origem aos bairros rurais e urbanos”, informa a divulgação da obra.

    O capítulo dedicado à escravidão em Tatuí, por exemplo, utiliza registros paroquiais para apontar “relações sociais complexas e episódios de violência que raramente aparecem na historiografia local”.

    A obra também inclui um apêndice intitulado “A História da História de Tatuí”, no qual o autor registra como “erros historiográficos se consolidaram ao longo do tempo e como a memória oficial da cidade foi moldada por limitações técnicas, ideológicas e documentais dos séculos 19 e 20”.

    Com mais de 150 páginas, mapas produzidos pelo autor, imagens históricas e uma cronologia dos “121 anos esquecidos”, o livro se propõe a ser uma referência para pesquisadores, professores, estudantes e todos os interessados em “compreender a verdadeira formação de Tatuí e cidades vizinhas”, acentua o autor.

    “No Tempo D’Antes – Os 121 Anos que Tatuí Esqueceu” está disponibilizado gratuitamente em versão digital, com download em https://archive.org/details/no-tempo-dantes-os-121-anos-que-tatui-esqueceu/mode/1up .

    Sobre o autor

    Marcel Defensor é genealogista e historiador profissional. Natural de São Paulo, capital, ele iniciou a pesquisa, conta, “movido pela curiosidade” sobre as origens do município vizinho de Quadra, onde foi criado. O resultado é o trabalho de 19 anos agora transformado em livro.