
Da reportagem
Conforme divulgação enviada para a imprensa, em busca de novas alternativas para garantir a sustentabilidade financeira e fortalecer a manutenção do atendimento aos idosos, o Lar São Vicente de Paulo de Tatuí está colocando em prática uma iniciativa para aproveitar áreas de seu terreno atualmente não utilizadas.
A proposta foi apresentada à diretoria pelo presidente da instituição, Carlos Eduardo Olivier Júnior, como uma alternativa para gerar receita própria, reduzir o déficit mensal da entidade e, consequentemente, contribuir para a melhoria da qualidade de vida dos idosos atendidos no local.
O Lar São Vicente de Paulo está instalado no local desde 1938. O terreno foi doado em 1936 pelos irmãos Juvenal de Campos e Alcebíades de Campos, proprietários da antiga fábrica Campos Irmãos, indústria de tecelagem de Tatuí. Na época, a área ficava afastada da região urbana e foi destinada justamente à implantação de um espaço de acolhimento para idosos.
“Passadas nove décadas desde a doação, a instituição busca dar uma nova utilização a parte desse patrimônio, preservando sua propriedade e, ao mesmo tempo, fazendo com que áreas que permaneceram sem utilização possam contribuir para a sustentabilidade do lar”, conforme informado por Olivier Júnior.
Uma área de aproximadamente 16 mil metros quadrados, localizada aos fundos do Lar, com acesso pela avenida São Carlos e também voltada para a região do Jardim São Paulo, foi objeto de negociação com o grupo Kéke Empreendimentos.
O acordo prevê um contrato de locação por 20 anos. Durante esse período, o grupo poderá explorar comercialmente a área, inclusive por meio de sublocações, conforme as possibilidades previstas na negociação. Além do pagamento mensal do aluguel, estão previstos benfeitorias e investimentos na área.
Um dos pontos considerados fundamentais pela direção do local é que não haverá venda do terreno. O patrimônio continuará pertencendo à instituição durante todo o período do contrato e, ao final, a área e as benfeitorias permanecerão vinculadas ao patrimônio do Lar, conforme as condições estabelecidas no contrato.
A expectativa é de que a área receba um novo complexo comercial. Conforme informações apresentadas à direção do Lar, o projeto deverá contar com um mall, amplo estacionamento e um complexo de lojas. Também está prevista a instalação de uma escola particular em parte do terreno, com mudança para o novo prédio, prevista para o próximo ano.
Conforme informações do presidente, para a instituição, a iniciativa representa uma mudança na forma de buscar recursos. “Em vez de depender exclusivamente de doações, verbas públicas e emendas para complementar o orçamento, a direção pretende utilizar de maneira mais eficiente um patrimônio que já pertence ao Lar para produzir receita própria”, explica.
Segundo ele, a instituição enfrenta mensalmente um déficit significativo em seu orçamento, inclusive relacionado à folha de pagamento e às despesas necessárias para manter a estrutura e o atendimento aos idosos.
“Estamos buscando uma forma de utilizar melhor aquilo que o Lar já tem. Em vez de vender o patrimônio ou simplesmente pedir mais recursos, estamos procurando fazer com que esse patrimônio gere recursos para a própria instituição. O terreno continua sendo do Lar e, ao mesmo tempo, passa a contribuir para a manutenção da casa e para a qualidade de vida dos nossos idosos”, explica o presidente.
Também conforme informado, a proposta, no entanto, não se limita à área que está sendo locada para o novo complexo comercial. A direção pretende adotar a mesma lógica em outros espaços do patrimônio do Lar que atualmente possuem pouca ou nenhuma utilização.
“Uma das primeiras iniciativas nesse sentido já foi concretizada com a locação do antigo pavilhão feminino para a prefeitura, que passou a utilizar o espaço para a instalação de alguns de seus departamentos, além da Secretaria de Zeladoria e Serviços Urbanos”, informa.
“A iniciativa também partiu da atual gestão, que busca transformar espaços subutilizados em fontes de receita ou em áreas que possam contribuir diretamente para o funcionamento e a valorização da instituição”, acrescenta.
Paralelamente, o Lar contratou um arquiteto para desenvolver o projeto de ampliação e revitalização da instituição, com o objetivo de reaproveitar as áreas atualmente sem uso e reorganizar a estrutura física do Lar de forma planejada.
A proposta é estabelecer um plano diretor para os próximos dez anos, definindo as prioridades e etapas para execução das obras, ampliações, revitalizações e demais benfeitorias necessárias.
“Nosso objetivo é sempre buscar o melhor para o Lar e para os idosos. Precisamos pensar não somente no presente, mas também no futuro da instituição. Se temos um patrimônio que pode ser utilizado de maneira responsável para gerar recursos, sem que precisemos abrir mão dele, entendemos que essa é uma alternativa que merece ser colocada em prática, pensando também na progressão do envelhecimento populacional”, opina o presidente.
De acordo com ele, o planejamento deverá permitir que o Lar avance de maneira gradual, aproveitando cada espaço disponível e buscando soluções que sejam financeiramente sustentáveis.
A intenção é que o plano diretor sirva como um guia para os investimentos dos próximos dez anos, permitindo que as melhorias sejam realizadas por etapas, de acordo com a capacidade financeira e as oportunidades que surgirem.
Para viabilizar esse planejamento, a instituição também pretende buscar empresários e investidores interessados em estabelecer parcerias e negociações semelhantes, “sempre preservando o patrimônio do Lar e buscando contrapartidas que contribuam para sua sustentabilidade”.
“Estamos procurando empresários que tenham interesse em fazer esse tipo de negociação. Temos um patrimônio importante e precisamos encontrar maneiras responsáveis de utilizá-lo. Queremos transformar espaços que hoje não produzem nada em recursos, melhorias e investimentos para a própria instituição”, explica Olivier Júnior.
“A estratégia representa uma nova etapa na gestão do Lar São Vicente de Paulo de Tatuí: preservar o patrimônio, dar função aos espaços ociosos e criar fontes permanentes de recursos para garantir o futuro da instituição”, acrescenta o presidente.
“Mais do que uma ação pontual, a direção pretende transformar essa visão em um planejamento de longo prazo, utilizando o patrimônio histórico do Lar como instrumento para sua modernização, ampliação e sustentabilidade”, continua.
“A iniciativa busca, assim, unir a preservação da história da instituição com uma gestão voltada para o futuro, garantindo que o patrimônio construído ao longo de décadas continue servindo ao propósito principal do Lar: oferecer acolhimento, cuidado e qualidade de vida aos idosos de Tatuí”, finaliza Olivier Júnior.






