Índice de dengue passa Covid-19 em 7 dias

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Equipe de combate a dengue no Jardim Santa Rita de Cássia (Foto: AI Prefeitura)
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Da reportagem

Em meio à pandemia do novo coronavírus, Tatuí ainda tem registrado aumento dos casos de dengue. O índice atingiu recorde de contaminações, com 845 casos positivos da doença nos 42 dias deste ano.

Somente em sete dias, entre a quinta-feira da semana passada, 4, e esta quinta-feira, 11, 476 moradores foram infectados pelo Aedes Aegypti – o índice representa quase o triplo dos casos confirmados de Covid-19, já que as contaminações pelo novo vírus chegaram a 169 no período.

Até quinta-feira, 11, a cidade havia somado 1.139 notificações de dengue, das quais 845 tinham sido confirmadas, 290, descartadas e 72 casos suspeitos ainda aguardavam resultado dos exames.

Dos casos confirmados, 841 são autóctones (contraídos no município) e quatro, importados (adquiridos em outras cidades). A maioria dos infectados é da região do Jardim Santa Rita de Cássia.

O índice de casos positivos da doença subiu 129% nos sete dias, já que, até quinta-feira da semana passada, 4, o órgão somava 369 casos confirmados da doença. Os números recentes representam média diária de 68 confirmações, com 476 moradores infectados em menos de uma semana.

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As fichas epidemiológicas, da Vigilância Epidemiológica, de 1992 até 2021, apontam que este é o ano com maior número de casos autóctones da doença.

O índice de casos, em pouco mais de um mês, é maior que a totalidade dos registrados em 2020, quando se somaram 314 infectados entre janeiro e dezembro.

Para a secretária da Saúde, Tirza Luiza de Melo Meira Martins, o aumento no número de casos de dengue é “cada vez mais preocupante”. Ela, inclusive, confirmou que houve baixa no atendimento da Covid-19, enquanto os índices da dengue são cada vez maiores.

Segundo ela, a “Unidade de Atendimento à Dengue”, aberta na quarta-feira da semana passada, 3, nas dependências da Santa Casa de Misericórdia (com entrada pela avenida Cônego João Clímaco), tem registrado cerca de 200 atendimentos diários desde a inauguração.

“Somente na unidade, em um dia, nós tivemos mais de 90 casos positivos de dengue. Nós percebemos que mais de 50% das pessoas que procuram a unidade têm testado positivo para a doença”, disse a secretária.

Em contrapartida, com a inauguração da Unidade de Atendimento à Dengue, o “gripário” passou a registrar queda no número de moradores atendidos. “Mas, claro, continuamos registrando casos positivos de Covid-19, e isso também preocupa”, ponderou Tirza.

Conforme o mais recente balanço divulgado pela Secretaria de Saúde com o número de procedimentos da Unidade de Atendimento à Dengue, em quatro dias de funcionamento, 202 pessoas receberam cuidados médicos e 429 passaram por consulta com a equipe de enfermagem, resultando em 197 casos positivos de dengue, 87 negativos, 7 hemogramas, 73 serviços na farmácia e 30 soroterapias.

Tirza aponta que o espaço conta com médicos, enfermeiros e demais profissionais da Saúde. No local, conforme a necessidade e critério médico, também são realizados exames e medicações.

A secretária orienta que, para saber se a dengue foi contraída, é preciso consultar um médico e realizar exames, já que os sintomas da doença podem ser confundidos com outras patologias.

Segundo o Ministério da Saúde, as ocorrências mais comuns são: febre alta, erupções cutâneas e dores musculares e articulares. Em casos mais graves, o paciente pode sofrer hemorragia intensa e choque hemorrágico (quando perde mais de 20% do sangue ou fluídos corporais), o que pode ser fatal.

Quem apresentar febre, acompanhada de, pelo menos, dois sintomas, como náuseas, vômitos, manchas avermelhadas pelo corpo, dor nas articulações, dor de cabeça ou dor no fundo dos olhos, deve procurar a Unidade de Atendimento à Dengue.

O serviço, exclusivo para pacientes com sintomas da doença, funciona de segunda-feira a sexta-feira, das 8h às 17h. No período noturno e aos finais de semana, é necessário procurar a UPA (unidade de pronto atendimento).

A secretária ressalta que todas as UBSs (unidades básicas de saúde) continuam atendendo os pacientes com suspeitas de dengue, realizando as notificações, a coleta de exames e todas as ações necessárias, conforme protocolo do Ministério da Saúde.

Desde 2015, o número de notificações e casos confirmados da doença não era tão expressivo no município. Naquele ano, houve o pior índice da séria histórica, com 590 confirmados (151 importados e 439 autóctones).

A Vigilância Epidemiológica acentua que, neste período de calor e chuvas, a reprodução do mosquito Aedes Aegypti (transmissor da dengue, zika e chikungunya) aumenta significativamente, devido ao maior número de locais favoráveis para a criação dos focos.

Portanto, a Secretaria Municipal de Saúde ressalta estar intensificando as orientações de cuidados em todos os bairros, orientando os moradores para a eliminação dos criadouros do mosquito.

Além disso, a prefeitura informa que diversas nebulizações (aplicação de inseticida) estão sendo feitas pelas ruas dos bairros onde foram registrados os maiores índices de casos autóctones.

Tirza ainda informou que a equipe de combate à dengue percorreu 32 quarteirões do Jardim Santa Rita de Cássia durante a semana, realizando limpeza de terrenos, orientações e ações de prevenção.

Para a redução dos casos, o Setor de Combate à Dengue enfatiza ser preciso “que cada munícipe se conscientize e adote medidas simples e eficazes no combate aos possíveis criadouros do mosquito”.

As orientações são: limpar e verificar pontos que podem acumular água, como calhas, tonéis, lixeiras e caixas-d’água; esvaziar garrafas e mantê-las com a boca virada para baixo; retirar os pratos de vasos das plantas; verificar o tamanho do cano do ladrão (se tiver menos de 1,5 metro, colocar uma tela mosqueteira); deixar pneus e lonas abrigados da chuva; colocar sal ou sabão em pó nos vasos sanitários e ralos não utilizados com frequência; e fazer o tratamento constante de piscinas, da bandeja do reservatório de água atrás da geladeira, de brinquedos nos quintais e de bebedouros de animais.

Tirza salienta que a prevenção é a maior “arma” contra a doença. “Precisamos ter muito cuidado dentro de casa e manter todos esses cuidados. São atitudes simples, mas que fazem toda a diferença”, reforçou a secretária.

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