Educação inicia ensino híbrido em março

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Professores em reunião para o início das aulas (Foto: Divulgação Secretaria da Educação)
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Da reportagem

O retorno das aulas presenciais na rede pública municipal deve ocorrer a partir da segunda quinzena de março, no modelo de ensino híbrido. A informação é do secretário da Educação, Miguel Lopes Cardoso Júnior.

Segundo o gestor, a preparação para o início das aulas começou na sexta-feira da semana passada, 12, reunindo o corpo docente para abordar os desafios da volta às aulas em meio à pandemia e promover estudos sobre os protocolos de biossegurança a serem adotados nas escolas a partir do ensino presencial.

“Nesta volta, a nossa preocupação é de fazer uma capacitação com todos os funcionários. Desde a equipe de limpeza, transporte, professores, auxiliares de serviços gerais, inspetores de alunos, porteiros, até as secretarias. Cada um dentro da sua área de atuação será treinado e capacitado para receber os alunos”, garantiu o secretário.

O processo licitatório para a contratação da empresa responsável pela capacitação dos servidores da Educação deve ser homologado durante a próxima semana. Depois da contratação, a vencedora da licitação tem prazo de 15 dias para iniciar a formação dos professores.

“Quando a gente capacitar toda a equipe, aí nos vamos retornar de forma híbrida. A previsão é começar ainda na primeira quinzena de março. Enquanto isso, vai ser como eles estão acostumados mesmo, na plataforma virtual”, informou o secretário.

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Conforme Cardoso, antes de retomar as aulas presenciais, os demais trabalhos e atividades educacionais da rede municipal serão realizados à distância, utilizando-se os recursos tecnológicos disponibilizados pela Secretaria Municipal da Educação, nos mesmos moldes já instituídos desde o início da suspensão das aulas.

As atividades presenciais foram suspensas em toda a rede de ensino no dia 23 de março de 2020 e, desde 13 de abril, a secretaria usa o programa “Escolariza”, uma plataforma digital para oferecer conteúdo didático em ambiente virtual, por meio do www.escolariza.com.br.

Este método continuará a ser utilizado na educação infantil, no ensino fundamental e na EJA até o ensino voltar a ser totalmente presencial – ainda sem previsão devido à pandemia do novo coronavírus.

A plataforma faz parte do programa “Escola Interligada”, usada pela pasta, desde 2017, para gestão de nota e frequência dos alunos, reuniões e encaminhamentos, entre outras funções.

O ensino se dá na base de atividades interativas, e inicialmente correspondia a um complemento do material já estudado em sala. Mas, atualmente, são disponibilizados conteúdos novos, dando sequência ao aprendizado.

No período de aulas, o conteúdo pode ser acessado por celular, tablet, notebook ou computador. Já os alunos que não têm acesso à internet solicitam as aulas impressas na unidade em que está matriculado, em horários e dias combinados entre as escolas e os pais ou responsáveis.

O mesmo ocorreu com a educação infantil. A equipe da secretaria também disponibilizou, nas páginas oficiais do Facebook e do Instagram, atividades para auxiliar as famílias a passarem pelo período de quarentena.

Desta forma, as famílias com crianças matriculadas na rede municipal receberam conteúdo e “puderam continuar a estimular o aprendizado e o desenvolvimento das crianças através das brincadeiras, livros digitais e atividades lúdicas divulgadas”.

As atividades virtuais ainda devem ajudar os estudantes a conseguirem atingir o número de horas exigido pela LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional) e, com isso, não terem prejuízo no ano letivo.

A LDB exige o cumprimento de, no mínimo, 200 dias letivos e 800 horas para o ensino fundamental nas etapas I e II, com carga horária de 25 horas semanais. Para a educação infantil, não há obrigatoriedade de 800 horas, e as escolas têm carga semanal de 20 horas.

“Nós já temos essa plataforma, onde foram postadas as aulas pelos professores no ano passado, e isso já serve como um banco de dados para este ano também. Então, essa plataforma ainda será usada”, completou o secretário.

Cardoso não deu data específica para o início das aulas remotas, contudo, salientou que os alunos serão convocados após reunião com os pais e de um período de acolhimento e capacitação dos professores.

“Voltamos primeiro com os nossos professores fazendo o acolhimento deles. Depois, vamos voltar às aulas de forma online ainda e promover uma preparação minuciosa sobre os protocolos para poder começar com o ensino presencial em modelo híbrido”, informou o secretário.

De acordo com Cardoso, a reunião de pais será agendada para esta semana, visando dar explicações aos responsáveis sobre a plataforma de ensino virtual e o novo modelo de ensino a ser adotado pela secretaria.

“Ainda não começamos as aulas virtuais porque estamos fazendo o acolhimento dos nossos professores. Muita gente pensa na criança – e tem que pensar mesmo -, porém, também é necessário dar apoio aos professores. Toda essa situação é muito nova para todo mundo”, observou o gestor.

Outra ação para preparar os professores ocorreu nesta quinta-feira, 18, e sexta-feira, 19, no 2º Fórum Municipal de Educação de Tatuí, que, neste ano, ocorreu de forma online, sendo transmitido pelo YouTube e pelo Facebook da Secretaria Municipal de Educação.

O evento foi realizado pela prefeitura, em parceria com o Conselho Municipal de Educação, com a Faculdade de Tecnologia “Prof. Wilson Roberto Ribeiro de Camargo” (Fatec Tatuí) e com a Justiça Restaurativa de Tatuí.

Conforme o secretário, a programação abordou temas atuais, entre eles, o ensino híbrido e a educação pós-pandemia, com profissionais renomados na área, e foi direcionado por dois eixos: “Tecnologia no Processo de Aprendizagem” e “Impacto Socioemocional da Pandemia na Educação”.

“O fórum deste ano veio ao encontro deste nosso anseio de deixar o professor mais tranquilo. Está todo mundo muito ansioso, muito preocupado, mas o tema tratou de como será este nosso desafio, deixando o corpo docente mais aliviado”, apontou o secretário.

Listando algumas das alterações que ocorrem neste ano, Cardoso ainda destacou que a educação infantil passou por reestruturação no corpo de gestores. A nova equipe também se reuniu, na sexta-feira da semana, 12, para “alinhar a reorganização administrativa”.

“Nós reanalisamos a coordenação para que as coordenadoras estejam mais tempo dentro das escolas, aumentamos o quadro de coordenadoras, aumentamos o quadro de supervisoras e vamos fazer algumas alterações no dia a dia também, em questão de horário, para aproximar a equipe da comunidade”, argumentou o secretário.

A nova equipe conta com 12 coordenadoras pedagógicas, sendo quatro responsáveis pela formação continuada e oito, pelas unidades escolares. Cada coordenadoria terá sede e região de atuação, “buscando facilitar o contato com a família, comunidade e professor”.

A equipe de supervisão conta com cinco supervisoras, sendo uma responsável pela questão organizacional e de planejamento, e as demais, pelas unidades escolares e as demandas.

“Estamos estudando muito, procurando informações até em outras cidades, para voltar às aulas da forma mais acolhedora possível. É um momento de paciência, a gente sabe da ansiedade dos pais, mas é importante ressaltar que nós estamos pensando muito no bem-estar de todos”, justificou Cardoso.

Ainda segundo o secretário, depois deste período de adaptação com o ensino híbrido, a intenção é voltar também com as aulas do ensino infantil, incluindo os alunos da pré-escola (para crianças de quatro a cinco anos).

“As crianças de zero a três ainda não vão voltar. Vamos começar com a pré-escola e avaliar dia a dia como vai transcorrer para decidir a data de voltar com as crianças menores. A creche exige um cuidado redobrado. Então, estamos vendo como lidar com essa questão”, completou Cardoso.

Complexo educacional

Com o início da volta às aulas em ensino híbrido, o secretário informou que a pasta também avaliará a abertura do Complexo Educacional “Professor Acassil José de Oliveira Camargo”, que abriga a ampliação do Projeto Ayrton Senna da Silva.

Na segunda-feira, 15, o imóvel, na avenida Virgílio Montezzo Filho, no bairro Nova Tatuí, completou um ano de inauguração – contudo, ainda pouco utilizado.

A prefeitura investiu mais de R$ 4 milhões na construção e, também devido à pandemia, teve de suspender as atividades com menos de um mês de abertura.

“Depois da inauguração, foi feito todo um cronograma de matrículas, reuniões de pais, todas as vagas preenchidas, mas tudo parou no dia 19 de março. Agora, voltando as aulas, vamos retomar as atividades”, antecipou o secretário.

A área é de 6.873 metros quadrados, com 1.646 metros quadrados de área construída. A proposta é atender 800 crianças do ensino fundamental I (1º ao 5º ano) no contraturno escolar e, ainda, oferecer atividades e oficinas abertas à comunidade, no período da noite, podendo totalizar mais de 1.200 atendimentos diários.

“Primeiro, vamos voltar àquilo que é regular; depois, vamos avaliando e vendo a possibilidade de voltar também. Talvez de uma forma reduzida, com menos alunos, mas vamos dar também essa oportunidade para aquelas crianças”, reforçou Cardoso.

O espaço soma ginásio de esportes, campo de futebol, área de lazer com piscina e 11 salas internas. Serão 14 oficinas, entre elas, de: letramento, leitura, informática, robótica, lógica e experiências matemáticas, natação e outros esportes, educação artística, recreação, meio ambiente e música.

“Serão oferecidas as mesmas aulas e as mesmas oficinas planejadas anteriormente. Nós não paramos de planejar, continuamos postando aulas para os alunos, judô, dança, balé, informática, mas de uma forma bem limitada. Então, é uma pena, queremos voltar, e vamos avaliar uma data para isso”, concluiu o secretário.

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