Dia Internacional de Combate ao Fumo é comemorado dia 31

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Arquivo pessoal

O aposentado Waldemir Povoas parou de fumar há oito anos, após mais de três décadas como fumante

 

O Dia Mundial de Combate ao Fumo foi criado pela ONU em 1987 e é comemorado neste sábado, 31. A Organização Mundial da Saúde (OMS) acredita que um terço da população mundial adulta seja fumante, sendo 47% dos homens e 12% das mulheres.

Atualmente, de acordo com a OMS, três milhões de pessoas morrem em todo o mundo por causa do tabagismo. No país, ocorrem cerca de 200 mil mortes todos os anos. A organização estima que, em 2020, 10 milhões de pessoas morrerão devido ao hábito de fumar. Para a OMS, o tabagismo é a principal causa de morte evitável.

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É importante lembrar que esse hábito não afeta apenas o fumante, uma vez que a fumaça polui o ambiente e o ar que outras pessoas respiram. Conforme informações do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o cigarro possui mais de 4.500 substâncias tóxicas e cancerígenas, como agrotóxicos, amônia e arsênico.

O fumo pode causar diferentes tipos de câncer: de pulmão, rim, laringe, cabeça e pescoço, de bexiga, esôfago, pâncreas e de estômago. Doenças cardiovasculares também podem ser causadas pelo tabagismo, assim como doenças respiratórias, impotência sexual, infertilidade, osteoporose e catarata.

O Ministério da Saúde (MS) divulgou estudo que aponta redução no número de fumantes, no Brasil, nos últimos oito anos. A pesquisa mostra que a parcela de brasileiros com mais de 18 anos que fuma passou de 15,7%, em 2006, para 11,3%, em 2013.

Preocupado com esses danos e com a saúde, o aposentando Waldemir Povoas, 59, decidiu parar de fumar aos 51 anos, após 35 anos de tabagismo. Ele conta que acendeu o primeiro cigarro aos 16 anos, em uma época em que fumar era algo considerado “bacana”.

“Todos meus colegas fumavam, era algo comum e legal. As propagandas chamavam a atenção e acabava nos induzindo a isso”. Povoas lembra que fumava até três maços por dia, o que dá um total de 60 cigarros.

Segundo ele, o primeiro motivo que o fez decidir largar o tabagismo foi a situação financeira: “Começou a ficar caro sustentar o vício”. Depois disso, veio a saúde: “Eu estava me sentindo mal, qualquer coisa que eu fazia já me cansava. Na verdade, o fumante vive cansado”.

Para o aposentado, atualmente, fumar já “saiu de moda”. “Hoje, ninguém quer ser fumante, e existem muitas campanhas para incentivarem as pessoas a largar o vício”. Povoas informa que, quando decidiu parar, em 2006, foi de uma só vez.

“Os dez primeiros dias são muito difíceis, você sonha com o cigarro, bate a mão no bolso procurando por ele. É realmente horrível, mas, depois, com o tempo, vai acostumando, perde o hábito e a necessidade”.

Para ele, o que mais ajuda na hora de deixar o tabagismo de lado é evitar situações que induzam a vontade de fumar. “Tem que evitar café, bebida alcoólica e ficar perto de quem fuma”.

Ele reforça que não é nada fácil, mas diz que não precisou da ajuda de médicos, terapeutas ou de medicamentos, tanto naturais quanto convencionais. O aposentando ainda conta que, por morar sozinho, as pessoas demoraram cerca de cinco meses para perceberem que ele havia largado o cigarro.

Depois de oito anos sem fumar, Povoas avalia que só teve melhorias: “Melhorou o cheiro do meu apartamento, das minhas roupas, de tudo. Agora, eu subo escadas com facilidade e não fico cansado com qualquer coisa, não tenho mais pigarro nem ataques de tosse”.

Ele se diz contente com a nova fase, pois o organismo como um todo está melhor. O aposentado lembra que engordou um pouco, e até explica o motivo: “A gente passa a sentir mais o sabor das comidas e começa a apreciar mais os alimentos”.

Até hoje, Povoas diz que não gosta de ficar perto de pessoas que estão fumando, apesar de não ter o desejo de fumar. “Ainda acho o cheiro do cigarro gostoso, mas não sinto vontade de voltar, não”.

Com conhecimento de causa, ela dá algumas dicas para quem está encarando, ou vai encarar, o desafio de largar o tabagismo. “A primeira coisa é colocar na cabeça que não é fácil, não é mágica. Depende muito de cada um, e, às vezes, tem que ir parando aos poucos”.

O aposentado ainda deixa mais uma dica importante: “É melhor parar enquanto está saudável, pois, depois que já ficou doente, fica mais complicado”, finaliza.

Cinco dicas

O psicólogo Marcelo Parazzi informa que a queixa dos fumantes sobre a dificuldade para parar de fumar é unânime, por isso ele e a terapeuta Andréia Guimarães dão algumas orientações para ajudar quem está nessa empreitada:

1. Decisão

Para parar de fumar, o primeiro passo é o desejo de vencer a dependência, que deve ser aliado com mudanças de estilo e rotina de vida.

2. Situações de risco

É primordial que as pessoas evitem situações de risco, especialmente no início do processo, como estar ao lado de outro fumante, lugares onde as pessoas irão fumar, assim como bebidas alcoólicas e café. Tanto o álcool quanto o café costumam ser gatilhos que podem levar à recaída, pois são associações que muitos fumantes fazem.

3. Mexa-se

Pode ser uma simples caminhada, correr, jogar futebol ou patinar. É importante que o fumante escolha algo que goste e que sinta prazer em praticar. O ideal é fazer atividades físicas, no mínimo, três vezes por semana.

4. Novas atividades

Um das maiores dificuldades é controlar a ansiedade e o nervosismo. Uma ótima maneira de manejar essas sensações é encontrando novas atividades. Pode ser um curso de idioma, fazer artesanato ou aprender a tocar um instrumento musical.

5. Orientação profissional

Está muito difícil parar de fumar sozinho? Pois saiba que é possível largar o cigarro mesmo assim. Nesses casos, o ideal é procurar uma orientação profissional.


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