Coletivos vêm se estabelecendo em Tatuí

Provenientes do Movimento Popular Práxis, grupos se concentram em causas sociais

Inauguração do cursinho (foto: Bruna Maéli)
Da reportagem

Com apoio e incentivo do pioneiro Movimento Popular Práxis, coletivos vêm se estabelecendo em Tatuí, desenvolvendo projetos, realizando protestos e atuando em causas sociais.

Muito se credita ao Práxis, movimento político sociocultural, que começou no final de 2009 como um grupo de estudos de jovens do ensino médio e foi o primeiro coletivo a se firmar na cidade. O mentor foi o sindicalista Clodoaldo Rodrigues Nunes.

Através dos estudos, o grupo foi desenvolvendo conhecimento e “senso crítico” para se posicionar politicamente. Desde então, há 13 anos, passou a promover, entre outras ações, diversos protestos no município.

Com o objetivo de se tornar mais ativo politicamente, o Práxis lançou a primeira candidatura à Câmara Municipal em 2012, com Carla Moura, que não foi eleita. Quatro anos mais tarde, o cofundador Eduardo Dade Sallum se tornaria vereador, reeleito em 2020.

Segundo a integrante do movimento, Bruna Maéli, a eleição de Sallum foi um marco para o movimento. “Depois de ele se eleger, o Práxis ganhou uma sede, a Casa Práxis, mantida com metade do salário dele”, conta.

A sede não é apenas utilizada pelo Práxis, mas por todos os diversos outros coletivos, movimentos e sindicatos adjacentes, constituindo, assim, a Central de Movimentos Populares de Tatuí. No local, se reúnem mais de 60 filiados, entre homens e mulheres majoritariamente jovens, todos os domingos, às 18h.

Esses integrantes, inclusive, contam que, por diversas vezes, foram alvo de hostilidades devido ao trabalho realizado no movimento. Para Bruna, isto se intensificou a partir das eleições de 2018.

Núcleo Feminista Rosas da Revolução (foto: Bruna Maéli)

Atualmente, o Práxis atua desenvolvendo projetos voltados à educação, cultura, promoção e inclusão social, além de se manifestar contra “todas as formas de violência, discriminação e desigualdade”. O movimento também busca inserir os cidadãos na vida política.

Entre os projetos socioculturais desenvolvidos, destacam-se o Cursinho Pré-Vestibular Gratuito Professor Carlão, o Instituto Cultural Amadeus, o Palquinho da Práxis e os Laboratórios Populares.

O cursinho, iniciado em 2018, conta com a ajuda de professores voluntários para auxiliar jovens de baixa renda a buscarem uma vaga em universidades públicas. Até agora, o projeto já atendeu cerca de 200 alunos.

O Instituto Cultural Amadeus oferece aulas gratuitas de canto e diversos instrumentos musicais para crianças, adolescentes e adultos. Com objetivo de, através da música e do acesso à cultura, combater a marginalização.

O Palquinho da Práxis convidava, antes da pandemia, artistas da cidade para se apresentarem na sede, “promovendo um espaço de acesso à cultura mais inclusivo para a população”. Conforme Bruna, o projeto está para ser retomado em breve.

Os Laboratórios Populares são reuniões semanais para debater problemas relacionados à cultura, educação, saúde, direitos humanos, urbanismo e sustentabilidade.

Nos encontros, os integrantes debatem essas dificuldades e buscam propor soluções que podem ser encaminhadas à Câmara Municipal ou à prefeitura. Em outros casos, as ideias se mantêm, a fim de serem desenvolvidas no próprio movimento e seus coletivos.

Os coletivos

Do Práxis, formaram-se coletivos que buscam atender públicos específicos. O primeiro, ainda em 2014, foi o Núcleo Feminista Rosas da Revolução. O grupo estuda a história e as vertentes do feminismo e atua na defesa dos direitos das mulheres, no combate à violência de gênero e na promoção da independência feminina.

Atualmente, o Rosas da Revolução conta com, aproximadamente, 25 membros, mas possui uma rede de contato com centenas de mulheres tatuianas, com as quais mobilizam atividades, eventos e manifestações.

Em 2019, formou-se a Organização de Resistência Ambiental (ORA), com objetivo de discutir problemas relacionados à proteção ambiental e promover a arborização da cidade. O grupo conta com cerca de 30 membros.

Também em 2019, foi criado o Fórum Permanente de Políticas Públicas para a Cultura. Formado por trabalhadores do setor cultural de Tatuí, o grupo se reúne para discutir demandas culturais da cidade e atuar na reinvindicação de políticas públicas de fomento e apoio às atividades culturais.

Neste fórum, inclusive, são elaboradas emendas com vistas aos projetos de lei da prefeitura referentes ao orçamento municipal destinado à cultura. O grupo conta com cerca de 60 membros.

Movimento Alvorada Antirracista na Câmara (foto: Bruna Maéli)

Já em 2020, apareceu o Coletivo Evangélico Progressista A Verdade Liberta. O grupo reúne membros de igrejas evangélicas com o intuito de combater as “fake news” no meio evangélico e “promover a união entre o setor progressista da cidade e essa comunidade”.

Este coletivo também busca promover os ideais cristãos do amor fraternal, da igualdade social, da tolerância e da não violência. O grupo possui cerca de 15 membros e se reúne quinzenalmente na sede.

Em 2021, formavam-se os, até então, mais recentes coletivos. O primeiro deles é o Movimento Alvorada Antirracista. O grupo é composto, majoritariamente por negras e negros, que discutem ações e projetos com o objetivo de combater a discriminação racial e promover a articulação e o fortalecimento da comunidade negra.

Atualmente, o Alvorada conta com cerca de 20 membros e vem promovendo eventos com o intuito de conscientizar sobre a importância do respeito às diferenças e o combate ao racismo cultural, estrutural e institucional, assim como promover a valorização da cultura negra.

O mais recente coletivo, formado ainda em 2021, é o Cidadania Participativa, idealizado por antigos integrantes, que buscam a valorização da história de Tatuí. O coletivo promove eventos e iniciativas que resgatam a memória cultural da cidade, além de criar interação com as gerações mais jovens. Atualmente, o coletivo soma 28 membros.

Para Bruna, ainda faltam outros coletivos, como, por exemplo, em defesa dos direitos da comunidade LGBTQIA+, pois, “embora diversos membros dos coletivos descritos pertençam a essa comunidade, faz falta uma organização neste sentido”, afirma.

Todos os coletivos se reúnem na Casa da Práxis e atuam por meio de projetos, atividades e protestos. Estes também atuam nas redes sociais, onde há colaboração e integração entre os grupos.

O Práxis oferece, além do espaço e da estrutura da sede, apoio às iniciativas dos grupos e sindicatos locais, com o trabalho voluntário de seus membros, divulgação e atuação do mandato compartilhado na Câmara Municipal, em prol das pautas defendidas.

Para o futuro, Bruna afirma que “o Práxis planeja expandir o trabalho realizado em Tatuí e outras cidades do Estado, levando o modelo de mandato parlamentar compartilhado com a população como uma forma de vencer a crise de representatividade e formar cidadãos conscientes de seus problemas sociais e atuantes politicamente”.

“Outro objetivo do movimento é disseminar os projetos já existentes, como o cursinho pré-vestibular, para que beneficiem mais pessoas e crie mais oportunidades para estas realizarem seus sonhos”, completa.

Qualquer pessoa pode se tornar membro do Práxis ou de seus coletivos. As reuniões, inclusive, são abertas a visitantes que, posteriormente, podem se filiar ao movimento.

Para isto, o interessado deve participar ativamente de algumas reuniões e solicitar a filiação, feita mediante o preenchimento de formulário. A admissão é anunciada em assembleia, realizada aos domingos. Os demais filiados podem até contestar, mas isto, até então, nunca ocorreu.

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