Apesar do Covid-19, atleta mantém expectativa por chamado ao UFC

Lutador tatuiano voltaria ao Estados Unidos para realizar treinamentos

227
França possui na carreira um cartel de 16 lutas, sendo 10 vitórias e 6 derrotas (foto: arquivo pessoal)
Da reportagem

Entre os inúmeros impactos causados pelo coronavírus nas últimas semanas, a pandemia provocou a suspensão de treinamentos e realizações de disputas da maioria das modalidades esportivas ao redor do mundo.

Ariston França, lutador de MMA (artes marciais mistas), também foi diretamente impactado pela Covid-19. Em busca de convite para competir no UFC (Ultimate Fighting Championship), o tatuiano voltaria aos Estados Unidos para um período de treinamentos.

No ano passado, entre os meses de agosto e dezembro, França realizou treinos na academia American Top Team, em Coconut Creek, na Flórida – segundo ele, “a maior academia de MMA do mundo”.

Lá, o tatuiano pôde treinar com lutadores brasileiros que têm contrato com o UFC, como Renan Barão, John Lineker, Marlon Moraes, Renato Moicano, Jussier Formiga e Cara de Sapato.

França treinou “sparring” com Moraes, ajudando o companheiro na preparação da luta contra o também brasileiro e ex-campeão do peso-pena José Aldo. Moraes venceu o confronto realizado no “UFC 245”, dia 14 de dezembro, em Las Vegas.

De acordo com o tatuiano, ele retornaria aos Estados Unidos no segundo semestre deste ano. Porém, com a situação provocada pelo coronavírus, o lutador reconhece que, provavelmente, não poderá viajar ao atual epicentro da doença no mundo.

“Acredito que irá demorar para as coisas se normalizarem. Mesmo que as atividades sejam retomadas, deve ser complicado para conseguirmos entrar no país. Estou rezando para que tudo seja resolvido logo”, almeja.

Até às 7h30 desta segunda-feira, 28, o Brasil tinha 66.896 casos confirmados e 4.555 mortes causadas pelo Covid-19. Nos Estados Unidos, o número de confirmações da doença passara de 1,01 milhão e 56.634 pessoas mortes. No mundo, mais de 3,04 milhões já foram infectados e cerca de 211 mil faleceram.

O tatuiano conta que ainda tem contato com os atletas que treinavam com ele. Segundo França, alguns retornaram ao Brasil durante a pandemia, porém, a maioria deles ainda está no país norte-americano.

Questionado a respeito do impacto do coronavírus no sonho de tornar-se lutador do UFC, França mantem-se otimista: “Mesmo sem, provavelmente, não poder ir ao EUA neste ano, seguirei em busca do chamado ao UFC. Afinal, este é o foco, e não irei desistir de buscá-lo”.

França se tornou amante das artes marciais ainda durante a infância. Nascido no dia 25 de março de 1992, o lutador revela que, desde os seis anos, pedia aos pais para que o colocassem para treinar. Aos nove anos, ele começou a ter aulas de caratê e, aos 16, conquistou a faixa preta Shotokan.

“Comecei a treinar, mas sem intuito competitivo, tanto que a minha primeira luta foi aos 13 anos. Somente a partir desse momento percebi que era exatamente aquilo que eu queria”, expõe o tatuiano.

Posteriormente, França começou a “arriscar-se” em novas modalidades. Ele frequentava Sorocaba para treinar muay thai, jiu-jítsu e boxe. “Viajava três vezes por semana, pois não havia esses treinos em Tatuí. Tudo o que eu fazia era com a intenção de evoluir”, sustenta.

“Sempre fui muito fã de artes marciais e me encontrei no MMA. Acredito que cada arte praticada traz benefícios e auxilia nas competições, desde que seja feita a mescla correta, sem que uma arte atrapalhe a outra”, complementa o lutador.

Em 2010, com apenas 18 anos, o atleta afirma que investiu todo o tempo e dinheiro dele para montar um centro de treinamento em Tatuí. França conta que, inicialmente, o intuito era apenas uma área para artes marciais.

Entretanto, o lutador percebeu que realizar atividades funcionais e exercícios de musculação auxiliariam a preparação física tanto dele quanto dos alunos do centro de treinamento.

No mesmo ano, França disputou a primeira luta profissional de MMA, na Bolívia. Na ocasião, ainda durante o primeiro round, ele precisou de 3 minutos e 24 segundos para “finalizar” o lutador Julian Flores, com um golpe de estrangulamento, no BTF (Bolivian Top Fighter).

Após a estreia, o atleta manteve os treinamentos junto às aulas, além de acumular combates. Segundo ele, já lutou nos principais eventos do Brasil, incluindo o “Jungle Fight” – transmitido pela Rede Bandeirantes.

De acordo com França, ele diz ter percebido que precisava buscar “algo a mais”. No início de 2018, junto com a esposa Ana Paula Freitas, começou a programar uma viagem aos Estados Unidos para treinar e buscar uma luta até o mês de outubro.

O atleta não conseguiu agendar o embate, porém, teve a primeira oportunidade de treinar, por 30 dias, na academia American Top Team. “Eles gostaram de mim e me acolheram muito bem na equipe. Poucos meses depois, voltei com o propósito de lutar representando a academia”, afirma.

França se refere ao “Titan FC 54”, em Fort Lauderdale, na Flórida. Em abril do ano passado, 15 dias antes do evento, ele foi chamado para o combate, após o americano Anderson Hutchinson ter se machucado.

O tatuiano disputou o cinturão da categoria pena (até 66 quilos), mas foi derrotado pelo americano Jason Soares. A luta foi acompanhada pelo presidente do UFC, Dana White, e teve transmissão ao vivo pelo canal oficial do UFC, o UFC Fight Pass.

Ao todo, França possui cartel com 16 lutas, sendo dez vitórias e seis derrotas. Além da disputa no Titan FC, o atleta aponta a estreia dele no Jungle Fight 76, dia 11 de abril de 2015, como as mais importantes da carreira até o momento.

“É difícil escolher uma mais importante. Porém, a estreia no Jungle Fight foi minha primeira luta televisionada e a disputa pelo título mundial do Titan FC, aceitando o convite 15 dias antes do evento em uma categoria acima da minha. Foram duas guerras, e acredito que tenham sido as mais difíceis de minha carreira”, analisa.

Justamente na estreia dele no evento Jungle Fight, diante do lutador Carlos Eduardo de Oliveira, no peso-galo (até 61 quilos), aconteceu o nocaute que considera o mais especial da carreira.

“Apanhei bastante e perdi o primeiro round. Consegui me recuperar no segundo round e nocauteei no terceiro”, relembra.

Em meio à quarentena, França precisou suspender as atividades dos alunos no centro de treinamento. No entanto, conta que continua treinando, na maioria das vezes, sozinho ou com dois treinadores, respeitando as medidas de prevenção ao contágio da Covid-19.

“O que está mais fazendo falta é poder ter o contato para trabalhar o jiu-jítsu com os sparrings, por exemplo. Porém, estamos mantendo o preparo físico da melhor forma possível, realizando trabalhos de força, potência e resistência”, indica o atleta.

Perguntado se tem alguma inspiração no esporte, o tatuiano nega. Segundo o lutador, ele busca estudar os atletas que estão no auge para aprender com eles. “Inspiração mesmo vem de Deus e da minha família”, finaliza França.