
Da reportagem
Nesta quinta-feira, 25, aconteceu o evento de lançamento do Programa de Empregabilidade Inclusiva em Tatuí, no auditório do Nebam “Ayrton Senna da Silva”.
A iniciativa acontece em conjunta entre o governo do estado de São Paulo e a prefeitura, por meio da Secretaria de Direitos Humanos, Família e Cidadania, com execução do Instituto de Tecnologia Social (ITS Brasil), e visa conectar pessoas com deficiência a oportunidades reais no mercado de trabalho, oferecendo orientação profissional, qualificação e capacitação, encaminhamento para vagas, apoio durante os processos seletivos e acompanhamento nas empresas.
Representantes do programa estarão no PAT (Posto de Atendimento ao Trabalhador) no dia 16 de julho, das 10h às 15h, para realizar o cadastro das pessoas com deficiência no programa.
Para a inscrição, será verificado o laudo de cada um, pois há deficiências que não se enquadram na lei. O atendimento leva, aproximadamente, uma hora por pessoa e deve ser agendado via WhatsApp pelos telefones (15) 98166-0021 ou (15) 98137-0721.
Conforme a demanda, poderá ser necessário marcar uma nova data para que mais pessoas sejam atendidas.
O programa está ancorado nas ações: busca ativa para a captação de candidatos interessados; entrevista profissional individual para orientação e mapeamento das habilidades e dos perfis profissionais; e qualificação técnica e empreendedora, com cursos presenciais e a distância.
Também faz parte das ações o encaminhamento para vagas de emprego, após análise das disponíveis de acordo com o perfil dos candidatos, além do encaminhamento para emissão de laudo médico, oferecendo a oportunidade de avaliação interdisciplinar, que analisará funcionalidades e habilidades.
Outra ação é o apoio às empresas que buscam contratar profissionais com deficiência, oferecendo suporte à equipe de RH para disponibilização de vagas, treinamento e sensibilização das equipes, estudo de adequação dos postos de trabalho, além de apoio e acompanhamento dos colaboradores com deficiência contratados.
Os PEIs também realizam palestras e oficinas sobre abordagem e processo seletivo, além de orientações sobre ambientes inclusivos e postos de trabalho acessíveis.
Por fim, o programa visa dar apoio às gestões municipais com a realização de palestras e capacitações para o melhor atendimento aos munícipes em feirões de emprego realizados pelo poder público, atuando em parceria com Cras (Centro de Referência de Assistência Social), Creas (Centro de Referência Especializado de Assistência Social) e conselhos municipais para o fortalecimento das políticas públicas voltadas à empregabilidade das pessoas com deficiência.
Durante o evento, o vereador Vade Manoel Ferreira (Republicanos) comentou ser importante a inclusão da pessoa com deficiência no mercado de trabalho.
“Nós temos encontrado muita dificuldade porque, infelizmente, ainda existe preconceito, principalmente por parte das empresas, em relação à contratação de pessoas com deficiência”, opinou.
“Infelizmente, as empresas querem pessoas que precisem do mínimo de adaptação para que possam ingressar no mercado de trabalho, e o PEI (Programa de Empregabilidade Inclusiva) vem justamente para quebrar essa barreira entre empresas e empresários, para que possamos, de fato, ter em nossa cidade a verdadeira inclusão”, sustentou.
“Temos muitas pessoas com deficiência que, infelizmente, não têm direito a benefícios sociais e precisam trabalhar, além de outras tantas que abriram mão dos benefícios para ingressar no mercado de trabalho”, acrescentou.
Posteriormente, o secretário do Desenvolvimento Econômico, Empreendedorismo, Trabalho e Inovação, Luis Donizetti Vaz Junior, disse que o PEI “é um importante avanço no que hoje estamos trabalhando para que o município venha a ter e gerar mais empregos”.
“Não é à toa que Tatuí fechou 2025 como a 15ª cidade que mais gerou empregos no estado de São Paulo e, no primeiro quadrimestre, consolidou-se como a sexta cidade que mais gerou empregos”, acrescentou.
“E, com isso, agregando o trabalho que vocês estão trazendo aqui para Tatuí, com certeza, esses números tendem a melhorar”, finalizou.
Já o vice-prefeito Antônio Marcos de Abreu parabenizou o trabalho do secretário Vaz Junior pelos números da geração de empregos na cidade e da secretária dos Direitos Humanos, Família e Cidadania, Amanda Simões de Abreu, pelo trabalho à frente da pasta.
Já Amanda falou um pouco mais sobre o programa, explicando que ele vai identificar, por meio de relatórios, as atividades e habilidades de cada pessoa com deficiência da cidade para que consigam trabalho, “e que as empresas também entendam que essa pessoa tem capacidade e autonomia para desenvolver as atividades para as quais foi contratada”.
“A gente está avançando e, claro, ainda tem inúmeras barreiras pela frente a serem quebradas, a começar pelo preconceito. Embora já existam dados de que as empresas de Tatuí vão em busca de pessoas para trabalhar, também existem outros mitos, como o benefício, o BPC, que faz com que as pessoas tenham medo de perdê-lo”, opinou.
“Todas essas informações serão levadas às empresas e às pessoas com deficiência para que entendam também todos os seus direitos e deveres na sociedade”, comentou a secretária.
Durante o evento, foi explicado que beneficiários, caso sejam contratados, não perdem o benefício. Ele fica suspenso, voltando a ser pago caso a pessoa fique desempregada novamente.
Posteriormente, a técnica de sensibilização Juliana Sampaio e a técnica de emprego apoiado, Thaís Colombo, fizeram uma apresentação sobre o programa.
Elas contaram que a ação teve início em 2019, na capital paulista, tendo sido desenvolvida pela Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência em conjunto com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, quando era alegado que havia “um monte de desempregados, mas também um monte de vagas”.
“As secretarias se juntaram, conversaram, analisaram os dois lados e criaram o programa. Houve um chamamento público, e algumas ONGs ganharam a licitação para executar e tirar o programa do papel”, contaram.
“O nosso compromisso é aumentar a empregabilidade da pessoa com deficiência. A gente promove esse desenvolvimento dentro das empresas, com busca ativa desses candidatos, analisando as competências, as habilidades e as experiências”, acrescentaram.
Elas ainda explicaram que o programa qualifica a pessoa para o mercado de trabalho, pois uma das principais queixas era de que os candidatos não possuíam qualificação para as vagas disponíveis.
“Ouvindo esses dados, a gente também orienta a pessoa com deficiência a buscar cursos para se qualificar nas áreas em que deseja trabalhar”, explicaram.
“E o mais importante não é apenas empregar essa pessoa, mas mantê-la empregada. Muitas vezes, as empresas não estão preparadas para recebê-la. Às vezes, diante de uma divergência, acabam dispensando esse trabalhador. Como qualquer profissional, a pessoa passa por um período de experiência de três meses, mas, se não houver as tecnologias e as adaptações necessárias, esse período acaba sendo insuficiente para que ela consiga desenvolver toda a experiência necessária”, explicaram as técnicas.
Elas também apontaram que muitas empresas pensam apenas em adequações estruturais, acreditando que serão necessárias grandes reformas. Como muitos prédios são alugados, acabam entendendo que não podem realizar mudanças. No entanto, as técnicas destacaram que, em muitos casos, essas adaptações físicas sequer são necessárias.
“A maior adequação é a atitudinal. É aí que a gente entra, trabalhando junto às empresas e oferecendo todo o suporte antes, durante e após a contratação”, acrescentaram.
“A inclusão da pessoa com deficiência nas empresas não está apenas na contratação. Ela está no acompanhamento posterior e no dia a dia, verificando se essa pessoa está conseguindo se desenvolver bem”, comentaram.
A primeira etapa realizada pelo programa é a análise do laudo médico do candidato para verificar se ele atende aos critérios exigidos. Caso não atenda, a pessoa é orientada sobre os procedimentos necessários para a regularização.
Posteriormente, é realizado um cadastro com um perfil vocacional, no qual são identificadas as habilidades técnicas dos candidatos, bem como seus interesses profissionais.
“Depois disso, a gente elabora um currículo e, nele, não costumamos destacar a deficiência da pessoa, porque, para nós, o mais importante são as habilidades técnicas desse candidato”, explicaram.
As técnicas também informaram que é feita uma pré-avaliação antes do encaminhamento às empresas, evitando que o candidato seja direcionado para um ambiente que não ofereça a acessibilidade necessária. Assim, o encaminhamento é realizado de acordo com os pré-requisitos da vaga.
Depois da elaboração do perfil, ele é encaminhado para a empresa e é aguardado o retorno.
“Assim que a empresa retorna para a gente, já iniciamos o processo seletivo, no qual geralmente uma de nós está presente”, acrescentaram.
Elas também explicaram que há gestores que deixam de corrigir determinadas condutas dos funcionários por receio de estarem lidando com uma pessoa com deficiência ou por entenderem que precisam apenas cumprir a Lei de Cotas.
“É preciso conversar. Às vezes, a pessoa chega atrasada todos os dias ao trabalho e o gestor não chama sua atenção”, contaram.
“A técnica de empregabilidade conversa com essa pessoa, questiona esses atrasos e, muitas vezes, descobre que o trabalhador ainda não sabe qual caminho fazer até a empresa ou em qual ponto de ônibus deve descer. Nesses casos, a técnica pode realizar um treinamento, explicando os pontos de referência para que isso não volte a acontecer”, explicaram.
Outro tema abordado foi que, muitas vezes, as principais barreiras enfrentadas pelos candidatos são sociais e não decorrentes da deficiência.
Conforme explicaram, em diversas situações, esses candidatos vão até o PAT acompanhados pelas técnicas para participar de entrevistas, porque não têm acesso à internet ou a um celular capaz de suportar os programas utilizados nas entrevistas virtuais.






