Antes que o lixo tome conta do mundo – e de Tatuí

Dar destino correto ao lixo, tal como não ignorar mais os efeitos do chamado “aquecimento global”, deixou de ser opção, passando a medida de pura e simples sobrevivência. Ou seja, são urgentes as atitudes para que o lixo não tome conta do mundo – e de Tatuí, claro!

Um problema, entre outros, é que mesmo aqueles conscientes sobre a vital importância da reciclagem não sabem o que fazer com o lixo produzido em suas casas, em seus trabalhos. Há quem, por exemplo, acumule plástico, vidro, papel e metais em casa, mas não conseguem descartá-los corretamente.

Sim, há em Tatuí os ecopontos, com um trabalho de recepção “passiva” desses materiais – o que já é muito. Porém, diante do crescente problema, é de se pensar em um programa contínuo de coleta “ativa”, até por se saber que boa parte da população não se preocupa com a questão.

Contudo, mais que isso, é necessário dar exemplo e, a partir disso, criar uma espécie de “cultura da reciclagem”. É difícil, sem dúvida, como o foi, por exemplo, o uso obrigatório do cinto de segurança – somente aceito de fato com a imposição de multas em dinheiro, principalmente.

Por ora, “ainda” não se trata de punir o cidadão por gerar lixo (óbvio), vez que o estado, no geral, reluta em fazer a sua parte a contento. Como apontado, não basta mais haver lugares apropriados: eles precisam ser mais divulgados, acessíveis e “atuantes”.

Atendimento mais flexível, em dias e horários além dos “comerciais” seriam bem-vindos, considerando aqueles que, em período de trabalho, não têm como levar aos ecopontos seus descartes.

Ainda, não há como ignorar que muita gente, na prática, não tem como transportar os materiais aos lugares de coleta, seja por falta de transporte ou de recursos mesmo. Portanto, é preciso “ir até as pessoas” sempre que possível.

E, sobretudo, é primordial “dar um jeito” de convencer o cidadão de que sua sobrevivência também depende do (bom) trato do lixo que produz.

Mas, como fazer isto se a sensação é de que, quando se separam materiais com potencial de reciclagem, na verdade, se esta é “perdendo tempo”, porque tudo vai parar no mesmo “valão”, no mesmo “lixão”?

Novamente, é fundamental uma mudança de “cultura”, algo a demandar tempo, empenho sem medida das administrações públicas em todas as suas instâncias e, eventualmente – de forma muito bem-vinda –, também parcerias junto a entidades e à iniciativa privada.

Por este motivo, é de se reconhecer recente ação iniciada em Tatuí com o objetivo de minimizar o problema do acúmulo do chamado “lixo eletrônico”.

Divulgado na semana passada pela prefeitura, o programa lembra que, atualmente, estima-se ser o lixo eletrônico o tipo de resíduo mais crescente no mundo e que, no ano de 2030, sejam descartadas 74 milhões de toneladas, além de que o volume gerado deve dobrar até 2050.

Isso é o que aponta o relatório “Future E-Waste Scenarios”, da Universidade das Nações Unidas, publicado em conjunto com a ONU (Organização das Nações Unidas) Meio Ambiente.

De acordo com o estudo, somente no ano de 2019, o volume de lixo eletrônico bateu marca histórica de 53,6 milhões de toneladas, representando 7.300 quilos de lixo por pessoa no planeta.

Informando ter o objetivo de melhorar esta logística do descarte de lixo eletrônico no município, a prefeitura – por meio das Secretarias de Agricultura, Meio Ambiente e Bem-Estar Animal e de Serviços Públicos e Zeladoria -, em parceria com o Lions Clube e a empresa Recitek anunciaram um novo programa de coleta em Tatuí.

O evento que definiu a iniciativa aconteceu no dia 10, no paço municipal, em reunião técnica de lançamento do Programa Municipal de Coleta e Destinação Final de Resíduos Eletroeletrônicos, Pilhas e Baterias.

O programa visa promover a coleta e o descarte adequados do lixo eletrônico junto à população, tendo em vista, também, o atendimento à legislação ambiental vigente, especialmente quanto à Política Nacional de Resíduos Sólidos, instituída pela lei federal 12.305, e pela lei municipal 4.392.

Para tanto, serão implantados, inicialmente, oito pontos de coleta de pilhas e baterias em diversos locais, entre os quais: os cinco ecopontos municipais já existentes, que passarão a receber os resíduos (lista completa, com dias, horários e locais de funcionamento em www2.tatui.sp.gov.br/servicos/ecopontos/); e três pontos em prédios públicos de fácil acesso para a população.

A prefeitura também lembra já existirem alguns pontos de coleta em comércios. Quanto aos novos pontos de coleta de resíduos eletroeletrônicos, por se tratar de maior volume, serão implantados oficialmente três, antecipa o Executivo.

Um ponto já definido será a sede do Departamento de Meio Ambiente, localizada na praça Aldo Zani, 30, vila Brasil, com atendimento de segunda-feira a sexta-feira, das 8h às 16h. Os outros dois pontos de coleta serão definidos e divulgados em breve, segundo a prefeitura.

Nesses locais, poderão ser depositados materiais como computadores, periféricos, televisores, câmeras fotográficas, impressoras, pilhas, baterias, telefones e eletrodomésticos em geral.

“Vale mencionar que todos esses itens contêm substâncias que podem contaminar seriamente o meio ambiente, representando riscos consideráveis não somente à natureza, como também à saúde humana, e, infelizmente, quase a totalidade dessas peças e equipamentos ainda é destinada no lixo comum”, conforme divulgado pela assessoria de comunicação do Executivo.

Os responsáveis pelo programa também informam que ainda estão sendo definidas novas parcerias com secretarias municipais, instituições de ensino e outros interessados, no intuito de promover campanhas de coleta e destinação adequada de resíduos eletroeletrônicos.

Dentro de nossos limites regionais, já é um significativo passo, que precisa virar uma correria e, na sequência, uma imensa maratona global, puxada ainda por poucos que não querem um futuro todo emporcalhado, embora pelo bem de todos!

1 COMENTÁRIO

  1. Tatui precisa urgentemente de um programa de conscientização quanto aos recicláveis… quando foram colocados containers de lixo em alguns bairros, a população insistia em jogar o lixo comum no container verde dos recicláveis, o que impedia o devido aproveitamento do material. Aos poucos esses containers foram sendo depredados, ao passo que a Coreta parou de recolher os recicláveis nos bairros. Eu não sei onde estão os 5 ecopontos mencionados no editorial (havia só três da última vez que consultei o site da prefeitura), então devia haver mais divulgação sobre isso também. Atualmente, morando no centro, o ecoponto mais próximo de mim fica no Inocoop!!! Sem dúvida um tema primordial a ser discutido pelos candidatos a prefeitos. Parabéns por abordar o assunto.

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