‘Acervo’ segue com visitação até dia 22 deste mês e será periódico

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Patrícia Milão

Pintura sobre lona de Cibele Pilla

 

Até a próxima quinta-feira, 22, objetos que não são vistos costumeiramente por quem frequenta o Museu Histórico “Paulo Setúbal” estão em exposição.

 

As peças fazem parte da reserva técnica do espaço de cultura e integram a mostra “Acervo: Memória, Imagem e Poesia”, com visitação gratuita.

 

No total, a coordenação do museu selecionou 12 objetos, que “ganharam história”. Estão expostos: uma garrucha, uma vitrola, uma máquina de costura, um tinteiro, um rádio antigo, um moedor, uma lanterna ferroviária, uma espingarda, uma espada, uma calculadora, uma cadeira e uma urna de votação.

 

“Nós fizemos uma seleção e escolhemos os objetos que poderiam ser trabalhados por artistas plásticos e literatos convidados”, explicou a coordenadora do museu, Raquel Fayad.

 

Ela contou com a ajuda de Thony Guedes para selecionar as peças. A partir daí, fez contato com os artistas, propondo que cada um deles produzisse uma obra baseada em fotografias dos objetos.

 

A experiência resultou em 16 trabalhos, sendo nove produzidos por artistas visuais e sete por literatos. Em artes visuais, participam: Katia Salvany, Ângela Barbour, Fernanda Eva, Mingo Jacob, Raquel Fayad, Carmelina Monteiro, Marli Fronza, Rosana Ferreira e Cibele Pilla. Em literatura, estão: Dalmo Magno Defensor, Cristina Siqueira, Ivan Camargo, Ary Roberto, André Kaires, Francisco Antonio Luciano de Campos e Cristiane Grando.

 

Com 11 obras publicadas em várias línguas, Cristiane fez questão de acompanhar a abertura da mostra. O trabalho dela abriu para visitação na manhã de sábado, 10, após a solenidade de premiação dos concursos “Paulo Setúbal” e da inauguração das estátuas em memória aos seresteiros de Tatuí.

 

A poetisa trabalhou a memória da peça fazendo referência a histórias de “várias mulheres”. Escreveu “A Máquina de Costura” em cinco idiomas (português, espanhol, francês, italiano e zapoteco – língua indígena do México).

 

Cristiane uniu duas paixões ao produzir a poesia (as artes visuais e a literatura). Ela já participou de vários eventos com fotografias, mas está se dedicando, há mais de 20 anos, à escrita.

 

“Estou seguindo mais essa linha, que é o início da minha carreira e vai ser o fim”, declarou, enquanto visitava a mostra.

 

A exemplo dos demais artistas, Cristiane escolheu a peça para desenvolver o tema. “A máquina de costura me chamou a atenção no momento que a vi”, disse.

 

Também há certa ligação afetiva entre a artista e o objeto do acervo. “Minha mãe tinha uma máquina e minha avó, também. Não é a história da minha vida, mas uma história de muitas mulheres que eu conheço”.

 

Para Raquel, a mostra resultou em “algo bastante interessante”. A começar pelo número de trabalhos produzidos. Também há outro detalhe: uma das peças em exposição (a urna) não havia sido escolhida por nenhum dos convidados.

 

“Isso nos dá uma mostra da individualidade dos artistas. Também permite que, a partir de agora, as peças da reserva técnica que não tinham história, passem a ter um registro, de certa forma, visual e literário”, refletiu.

 

Ao mesmo tempo, Raquel destacou que o exercício do artista com as peças tornou-as mais interessantes para o público. “Por isso, o tema da exposição”, afirmou.

 

A referência ao tema da mostra começa pela memória. Segundo a coordenadora, os artistas usaram o próprio repertório cultural para criar trabalhos. Com isso, os objetos despertaram curiosidade – ou saudosismo – do público.

 

Do mesmo modo, a imagem permitiu que os artistas tivessem uma ideia de como produziriam os trabalhos. Para o público, essa temática transformou-se em referência.

 

A coordenadoria do Museu “Paulo Setúbal” informou que decidiu transformar a mostra de temporária em periódica. “A ideia é realmente que possamos trazer mais peças do acervo para que o público conheça”, adiantou.

 

Também segundo ela, pelo menos um objeto é “forte candidato” a permanecer na mostra. A urna de votação representou a única peça sem trabalhos produzidos.

 

Em função disso, a coordenadora decidiu mantê-la na mostra e utilizá-la como forma de obter opiniões, críticas e sugestões do público.

 

A ideia é que os visitantes depositem, na peça, até mesmo trabalhos visuais e em texto. “Na verdade, nós queremos promover uma conversa com o público. Agora, a urna permanecerá para que as pessoas possam interagir com ela”, disse Raquel.

 

Contribuições, trabalhos e críticas podem ser depositados na urna, na sala temporária, durante o horário de funcionamento do museu.

 

O “Paulo Setúbal” fica na praça Manoel Guedes, 98, e atende de terça a sexta, das 8h30 às 18h30, e aos sábados, domingos e feriados, das 9h às 17h.