ACE Tatuí solicita à prefeitura que comércios funcionem a ‘meia porta’

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Eric Proost , presidente da ACE Tatuí (Foto: Diléa Silva)
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Da reportagem

A ACE (Associação Comercial e Empresarial) de Tatuí solicitou à prefeitura que os estabelecimentos não essenciais do município possam voltar a atuar de forma restrita.

De acordo com o presidente da associação, Eric Proost, os clientes não entrariam nas lojas para fazer compras, somente para efetuar pagamentos. No entanto, além de não poder atender ao pedido de “meia porta”, a administração do município deve passar a fiscalizar os estabelecimentos.

Conforme Proost, “a prefeitura seguirá à risca” o decreto estadual, que determina a quarenta. Nesta sexta-feira, 17, o governador João Doria prorrogou o período de isolamento para até o dia 10 de maio.

Segundo o presidente da associação, há comerciantes que possuem loja em Tatuí e em outros pontos comerciais em cidades da região, onde continuam trabalhando. “Empresários em Boituva e Laranjal Paulista trabalham com meia porta”, declarou.

“Ontem (segunda-feira, 13), soube que o comércio estava aberto em Capela do Alto, uma cidade que, até o momento, não possui casos suspeitos de coronavírus. Os comerciantes daqui olham para a cidade vizinha e questionam o motivo de não poder trabalhar”, complementou.

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Proost afirmou que há muitos empresários “desesperados” em Tatuí, pois, devido ao fechamento dos estabelecimentos, além da compra, os clientes não são permitidos a comparecerem aos locais para pagar os crediários.

“Há muitas lojas que vendem produtos em crediários próprios e não estão tendo essa possibilidade de estarem recebendo dentro da loja. Precisam buscar outra forma para pagamento, através de boletos, depósitos ou transferências bancárias”, indicou Proost.

Segundo ele, a maioria dos comércios do município está optando por realizar delivery. “Quem tem essa possibilidade está fazendo, da mesma forma que é habitual em lanchonetes e pizzarias, recebendo o valor da venda quando o produto é entregue”, apontou.

“Há lojas no município que mandam roupas aos clientes e continuam atuando dessa forma. A mesma situação ocorre com cosméticos, nos quais comércios também vendem em delivery”, completou o empresário.

Proost afirma que a prefeitura pretende inibir ao máximo qualquer possibilidade de aglomeração. Para isso, ele entende que, além das lojas, será preciso fiscalizar bancos, lotéricas e supermercados.

“Vi alguns estabelecimentos formando filas, porém, as pessoas não estavam respeitando o distanciamento mínimo de um metro – inclusive, demarcado no solo. Pouquíssimos utilizavam máscaras e se aproximavam uns dos outros. Infelizmente, uma parcela da população ainda não está tomando o mínimo de cuidado necessário”, declarou Proost.

Proost sugere que o município possa seguir determinações utilizadas em outras cidades para combater o coronavírus. Como exemplo, cita Porto Feliz, onde as pessoas são obrigadas a utilizarem máscaras nas ruas para tentar inibir o contágio à Covid-19.

O presidente da ACE declarou ter enviado um ofício, há cerca de dez dias, solicitando que os comerciantes do município pudessem negociar a quitação de IPTU (Imposto Predial de Território Urbano) e de outros pagamentos. Porém, até a manhã de terça-feira, 14, ainda não havia obtido resposta.

“Estamos vendo um grande esforço dos governos federal, estadual e municipal para manter os empregos da população em geral. Quem tem holerite está sendo atendido e quem não tem pode receber o auxílio emergencial”, reconhece.

Entretanto, Proost declarou que “os empresários estão a pé, pois só têm direito a linhas de crédito, mas não as conseguem porque os bancos estão em dificuldades financeiras”. “Não existe nenhuma lei para redução ou paralisação de pagamento de aluguel de pontos comerciais, por exemplo”, acrescentou.

“Neste momento, quem emite holerites tem o dever de pagar. Porém, estas pessoas que empregam no país não estão tendo nenhum tipo de benefício”, finalizou Proost.

Conforme o secretário municipal do Governo e Negócios Jurídicos, Renato Pereira de Camargo, a proposta de “meia porta” foi descartada porque descumpre o decreto estadual.

“A prefeitura vem cumprindo rigorosamente o decreto do governo do estado. O comitê (Comitê Municipal de Prevenção e Enfrentamento ao Covid-19) decidiu por não haver qualquer tipo de flexibilização até o término da quarentena”, reforçou o secretário.

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