A mulher na Sociedade!

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RAUL VALLERINE

É pelo trabalho que a mulher vem diminuindo a distância que a separava do homem, somente  trabalho poderá garantir-lhe uma independência concreta.

 Simone de Beauvoir

A importância da mulher na sociedade faz-se cada vez mais intensiva na ocupação de cargos públicos e privados. No entanto, há ainda muitos avanços a serem conquistados.

Antes, a figura da mulher estava ligada única e exclusivamente ao papel social de cuidadora do lar, dos filhos e do marido, porém a mulher ganhou força e voz, alcançou o direito ao voto, conseguiu acesso ao mercado de trabalho e também participação em diferentes tipos de lideranças.

As estatísticas apontam que há mais mulheres que homens no Brasil. Mostram também que elas vêm conseguindo emprego com mais facilidade que seus concorrentes do sexo masculino.

E que seus rendimentos crescem a um ritmo mais acelerado que o dos homens. As mulheres sofrem mais do que os homens com o estresse de uma carreira, pois as pressões do trabalho fora de casa se duplicaram.

A expectativa é de que neste século, pela primeira vez na história, as mulheres superem em número os homens nos postos de trabalho.

Se souberem aproveitar isso, capitalizando oportunidades emergentes, o impacto no mercado de trabalho será, de fato, singular. Isso significa o rompimento de uma forte estrutura, as hierarquias empresariais moldadas pelos homens a partir da Era Industrial.

As mulheres dedicam-se tanto ao trabalho quanto o homem e, quando voltam para casa, instintivamente dedicam-se com a mesma intensidade ao trabalho doméstico. Embora alguns homens ajudem em casa, não chegam nem perto da energia que a mulher tende a dar.

Mais um entre os problemas vividos pelas mulheres na sociedade é a questão da violência. Embora leis específicas tais como a “Lei Maria da Penha” e as Delegacias da Mulher tenham sido criadas no Brasil, ainda são numerosos os casos de agressões no ambiente domiciliar, assédio, estupro, assassinatos e outros. Isso sem falar no monitoramento social constante sobre as atitudes e o corpo da mulher, que são cada vez mais cercados de “regras” e posturas morais que muitas vezes privam os direitos e as liberdades individuais.

Por todos esses motivos, embora o papel da mulher na sociedade venha se tornando cada vez maior e melhor, ainda existem muitos desafios a serem enfrentados.

Hoje o perfil das mulheres é muito diferente daquele do começo do século. Além de trabalhar e ocupar cargos de responsabilidade assim como os homens, ela aglutina as tarefas tradicionais: ser mãe, esposa e dona de casa. Trabalhar fora de casa é uma conquista relativamente recente das mulheres.

A Constituição de 1988 foi um marco na história para terem direitos e igualdade entre as pessoas. Prova disso é o acréscimo da frase: igualdade de todos perante a lei, sem distinção de qualquer natureza. Assim, mulheres se igualam aos homens em termos de direitos e obrigações na vida civil, no trabalho e na família.

Além de outras resoluções benéficas como um todo, torna-se lei as presidiárias poderem ficar com os seus filhos durante o período de amamentação. Quanto ao direito trabalhista, não pode mais haver diferença de salário, admissão e função.

Pelo menos, elas já provaram que além de ótimas cozinheiras, podem também ser boas motoristas, mecânicas, engenheiras, advogadas e sem ficar atrás de nenhum homem.

Já está mais do que provado que as mulheres são perfeitamente capazes de cuidar de si, de conquistar aquilo que desejam e de provocar mudanças profundas no curso da história.

Mais do que reconhecer o papel da mulher na sociedade é reconhecer a suas lutas históricas para ser reconhecida e sobretudo, respeitada enquanto cidadã e pessoa de direito.