A Cuca, o saci e a vida como ela é em Tatuí

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Dia 29 de outubro, sábado da semana passada, Tatuí ultrapassou a marca de 100 mil pessoas vacinadas com a primeira dose contra a Covid-19, quando também, desse contingente, perto de 80 mil já se encontravam completamente imunizadas, com as duas doses.

O feito é extraordinário, merecedor de registro e elogio tanto aos profissionais da área de saúde quanto à população em geral, que já se mostra talvez até mais imunizada contra as fake news – essa moléstia só não mais ignorante que criminosa, ainda a atentar contra a vida dos brasileiros.

Com todo o direito – dado ainda vivermos em uma democracia, para a infelicidade justamente dos negacionistas em estado permanente de excitação por um golpe de estado -, ainda há quem duvide da eficácia dos imunizantes, embora isto já seja muito estranho, bastando-se observar o expressivo menor número de mortes e ocupações hospitalares.

Contudo, ainda mais esquisitas seguem as razões postas para se desconfiar das vacinas, cujas receitas alucinógenas misturam manipulações cerebrais por chips ultramicroscópicos e, agora, (quem diria!) até a disseminação da Aids… Como se não bastasse, isto passando pelo “envenenamento do sangue”, autismo e mutação para a Cuca do Sítio do Pica-Pau Vede e Amarelo.

A despeito das barbaridades – e talvez pela exaustão de tanta besteira e, mais, pelas já inegáveis perdas geradas na economia pela inação e o negacionismo que atrasaram a campanha nacional – a população em peso aderiu à vacinação.

O resultado também é explícito e cabal, evidenciado por números animadores.Nossa cidade é exemplo disto, conforme divulgado pelo jornal O Progresso de Tatuí na edição deste meio de semana.

O número de mortes por causas naturais apresentou nova redução na cidade, desta vez no mês de outubro. Os dados são apontados em levantamento do Portal da Transparência do Registro Civil, administrado pela Arpen-Brasil (Associação Nacional dos registrados de Pessoas Naturais).

O órgão indica um total de 58 óbitos declarados em outubro de 2021, 31,76% a menos que os 85 registrados no décimo mês de 2020. Em comparação a outubro de 2019 (63), o número representa queda de 7,93%.

O Portal da Transparência é atualizado diariamente por todos os cartórios do país. As estatísticas se baseiam nas declarações (documentos preenchidos por médicos) que dão origem às certidões de óbitos, efetivadas nos cartórios para a liberação dos sepultamentos.

Desde o início da pandemia, a plataforma do Registro Civil passou a informar dados de óbitos por Covid-19 (suspeita ou confirmada), e, ao longo dos meses, novos módulos sobre mortes por doenças respiratórias e cardíacas foram adicionados ao portal, com filtros por estado e município.

As mortes por causas naturais são resultado de doença ou mau funcionamento interno dos órgãos, e, nesta classificação, estão inclusos os óbitos por Covid-19, SRAG (síndrome respiratória aguda grave), pneumonia, insuficiência respiratória e septicemia (o choque séptico).

Até às 14h de segunda-feira, 1º, o registro apontava que, no mês de outubro deste ano, cinco pessoas haviam perdido a vida por pneumonia, uma por insuficiência respiratória e quatro por septicemia. Não houve morte por causa indeterminada (ligada a doença respiratória, mas não conclusiva) e por SRAG.

Além disso, o levantamento mostra um total de quatro mortes por Covid-19 em outubro. Contudo, a assessoria de comunicação do portal explica que, quando na declaração de óbito há menção de Covid-19, coronavírus ou novo coronavírus, considera-se como causa a doença (suspeita ou confirmada).

Entre as causas cardiovasculares, o levantamento aponta cinco mortes por AVC, cinco por infarto e quatro por questões vasculares inespecíficas. Outros 30 óbitos estão relacionados a outros tipos de doenças.

No décimo mês de 2020, dez pessoas perderam a vida por pneumonia, seis por insuficiência respiratória e 12 por septicemia. Não houve morte por SRAG ou causa respiratória indeterminada em outubro do ano passado.

Além disso, o levantamento mostra 15 mortes por Covid-19 em outubro de 2020. Entre as causas cardiovasculares, o levantamento aponta seis por AVC, dez por infarto e cinco por causas vasculares inespecíficas. Outros 21 óbitos estão relacionados a outros tipos de doenças.

Mesmo com a queda no número de mortes em outubro, 2021 continua como o ano mais mortal. Os números levantados pelo portal mostram que os casos de falecimentos por causas naturais nos meses de janeiro a outubro tiveram aumento de 39,64% em comparação ao mesmo período do ano passado e de 57,35% em relação aos primeiros dez meses de 2019.

Conforme o relatório, de janeiro a outubro de 2021, 1.166 mortes por diversas causas ocorreram na cidade. Já no ano passado, foram 835 declarações de óbitos nos dez meses e, em 2019, 741 – antes da pandemia.

O registro dos primeiros dez meses deste ano aponta duas mortes por SRAG, 95 por pneumonia, 48 por insuficiência respiratória, 64 por septicemia, duas por causa indeterminada e 388 por Covid-19.

Entre as causas cardiovasculares, o levantamento apresenta 67 mortes por AVC, 68 por infarto, 94 por causas vasculares inespecíficas e outros 338 óbitos relacionados a outros tipos de doenças.

Nos mesmos dez meses de 2020, houve 3 registros de morte por síndrome respiratória aguda grave, 117 por pneumonia, 45 por insuficiência respiratória, 81 por septicemia e 2 por causas respiratórias indeterminadas.

No mesmo período do ano passado, 96 pessoas faleceram por Covid-19, 73 por AVC e 69 por infarto e causas vasculares inespecíficas – outros 297 óbitos estão relacionados a outros tipos de doenças.

A se lembrar que o pico da pandemia atingiu Tatuí – como de resto, o país – no primeiro quadrimestre deste ano, fica claro o poder dos imunizantes contra a Covid-19.

Até esse período, as alas clínicas e de UTI da Santa Casa e da Unimed estavam lotadas, com capacidade bem acima dos 100%, particularmente no Pronto-Socorro Municipal.

Bastou a campanha de vacinação avançar, de verdade, para ocorrer uma inversão flagrante desse cenário. Esta é a realidade – ou, como diria Nelson Rodrigues, a “avida como ela é”.

Contudo, a quem ainda prefere a ficção de Monteiro Lobato (com o perdão ao grande escritor), só restam as crenças na Cuca, no curupira, no saci-pererê, nas assombrações – aliás, nas conspirações!

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