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    A cidadania na escola!

    RAUL VALLERINE

    Se a escola é o lugar da formação da cidadania, não se pode aceitar uma sala de aula opressora, onde o professor é o dono do saber e o aluno não tem voz. Não existe sucesso ou felicidade sem o exercício pleno da cidadania e da ética global.

    Se queremos uma sociedade democrática, precisamos vivenciar essa democracia nos diferentes espaços que vivemos.

    E a escola é um lugar privilegiado para a aprendizagem e o desenvolvimento de competências pautadas em valores e ações que contribuem para a transformação de uma sociedade, a fim de torná-la mais humana e justa.

    A escola, pela diversidade que expressa, é um lugar onde podemos e devemos acolhê-la. Porque não são em todos os lugares que conseguimos fazer isso.

    Mas a escola tem por função esse acolhimento. Lá se dá, também, o desenvolvimento moral e se encontra uma potência grande para lidar com os acontecimentos cotidianos, que podem ser debatidos e compreendidos, gerando uma postura mais ética e reflexiva diante dos fatos.

    Na escola é possível aprender a dialogar. E sabemos que a base da democracia é o diálogo. Mas falamos do diálogo como se ele fosse fácil, e não é.

    Aprender a ouvir o outro, a se colocar no lugar do outro, tentar entender outro ponto de vista para encontrar um caminho mais justo não é uma tarefa simples. Mas a escola tem essa potência.

    Hoje em dia presenciamos muito a discussão sobre a formação dos alunos voltada para a cidadania, com um discurso que vai muito além das práticas da sala de aula.

    A formação de um sujeito, enquanto cidadão, deve ultrapassar as expectativas do professor, levar o sujeito a alavancar nas atitudes do cotidiano em prol dos interesses sociais.

    No contato com o grupo, a educação deve estar voltada para fatores que englobam os interesses deles, sendo associados a valores morais e éticos.

    O processo educativo, nesse sentido, deve ser responsável por levar os sujeitos envolvidos a perceberem sua importância na vida do outro, suas responsabilidades diante do mundo e as capacidades que deve desenvolver para exercitar essas práticas no decorrer da vida.

    Alguns valores podem ser considerados como principais para a formação da cidadania, como: – Cooperação: onde o aluno percebe que a troca de conhecimentos e a sua participação são fundamentais para a concretização de uma atividade. Sinceridade: quando buscamos confiança nos outros, mas principalmente quando exercemos nossa própria sinceridade, estando certos ou não em nossas ações.

    Perdão: perdoar é não guardar ressentimento contra ninguém, é se livrar das amarras impostas pelo rancor. Respeito: princípio básico para receber respeito. Quem não desenvolve o hábito de respeitar os outros, acaba não sendo respeitado.

    Diálogo: para resolver impasses, divergências de opiniões, nada melhor que o diálogo, a conversa de qualidade que coloca os pingos nos “is”. Conversar, trocar ideias e buscar explicações sem acusar o outro é uma forma de se livrar dos embaraços;

    Solidariedade: essa é a palavra que vincula afetivamente entre as pessoas. Ser solidário é uma grande virtude, o sujeito demonstra sua preocupação com o outro, ajudando a construir uma sociedade mais justa.

    Não agredir: violência gera violência, isso todo mundo sabe, portanto não se deve agredir ninguém com palavras e muito menos fisicamente;

    Bondade: esta é uma forma de demonstrar respeito ao seu semelhante. Ser bondoso e atencioso com as pessoas só faz com que receba bondade dos outros. Bem diz o ditado “quem com ferro fere, com ferro será ferido”, ou seja, a pessoa que causa o sofrimento do outro, receberá o mesmo tratamento.

    Passar esses conceitos ajudará o grupo no desenvolvimento de suas capacidades e responsabilidades, além do crescimento em suas relações interpessoais, pois perceberá que seus direitos serão garantidos a partir do cumprimento dos deveres dos outros e vice-versa.