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    ‘Encontro de Bandas’ homenageia maestros com repertório centenário





    Divulgação

    ‘Música na Praça’ oferece sessões gratuitas de música ao público

     

    Parte de todo o repertório executado ao longo dos cem anos na Praça da Matriz deverá ser reapresentado em evento especial na manhã deste sábado, 9. Em essência, essa é a promessa do “Encontro de Bandas da Cidade de Tatuí”, organizado pelo maestro Marcelo Afonso e que acontece dentro do “Música na Praça”.

    O projeto da Prefeitura leva até o Coreto da Matriz grupos musicais para apresentações gratuitas. Costumeiramente, elas são iniciadas às 11h e contam com “público cativo”. Neste sábado, cinco bandas farão parte da programação.

    “Na realidade, o evento deste sábado seria realizado para homenagear o Dia do Mestre de Banda”, explicou o maestro. A data é celebrada em 11 de julho. Entretanto, neste ano, não pôde ser comemorada no mês adequado, por conta dos eventos da Copa do Mundo, no país. Atendendo pedido da Prefeitura, a Associação Cultural “Pró-Arte” transferiu a atração para o dia 9 deste mês.

    “Como passou o dia, então, nós resolvemos mudar o formato”, disse Afonso. O maestro mudou o enfoque e direcionou a homenagem aos compositores tatuianos. “Aí, juntamos cinco bandas que já fazem ensaio geral”, contou.

    O repertório inclui a execução da valsa Zulmira, de Juventino de Campos. A obra é considerada uma das mais antigas do programa – completou 104 anos no dia 24 de julho. Também serão tocadas composições de Júlio de Campos, que pertencia ao grupo Campos & Irmãos (proprietário da antiga fábrica de fiação Santa Izabel e da tecelagem Santa Cruz). Conforme o maestro, o músico era irmão de Alcebíades de Campos e de Juvenal de Campos.

    Júlio foi aluno do mestre Bonifácio José da Rocha e iniciou os estudos aprendendo música junto com o bisavô de Afonso. “Eu encontrei boa parte dos familiares dele. E eles estarão presentes na solenidade”, antecipou o maestro.

    As cinco bandas que se apresentarão no evento especial também tocarão obras de João Freire, músico autodidata que nasceu em 1897. Afonso pesquisou a vida dos compositores e informou que Freire registrou passagens por Pardinho, onde formou uma banda, e Itatinga. Depois, retornou a Tatuí.

    Na “Capital da Música”, ele tocou por um tempo na Banda Santa Cruz. “Ele acabou se afastando da música porque adoeceu, mas sempre escrevia”, disse o maestro.

    Também serão executadas obras de Praxedes Onório de Campos, bisavô de Afonso, e músicas de Bimbo Azevedo, Nacif Farah e Valdemar Alves de Souza. Esse último, falecido no ano de 2003 e que foi mestre da Banda Santa Cruz.

    No sábado haverá, ainda, estreia da valsa “Solidão”, do professor Zico Bertrami. Pai da professora Gloria Bertrami, do Conservatório Dramático e Musical “Dr. Carlos de Campos”, Zico também lecionou na escola de música.

    Participarão do encontro, a Corporação Musical Bandeirantes, de Porto Feliz, a Corporação Musical “Carlos Gomes”, de Cesário Lange, a Corporação Musical “Godo Batista”, de Guareí, a Corporação Musical “Dr. Damião Pinheiro Machado”, de Botucatu, e a Banda Jovem da Associação Cultural Pró-Arte.

    As cinco bandas tocarão juntas, sendo conduzidas por todos os maestros. Cada um regerá um total de três músicas, totalizando 15 obras a serem executadas.

    “Por meio do repertório, nós homenagearemos os maestros, mestres de banda que são abnegados. Na maioria das vezes, eles, sem estrutura nenhuma, ensinam, montam a banda e carregam uma pedra violenta”, disse Afonso.

    Parte integrante da “Semana Paulo Setúbal”, o evento tem dois significados especiais para o maestro. Ele acontece no mesmo dia do aniversário do músico e no dia em que a valsa “Último Adeus”, de Júlio de Campos, completa 91 anos. “Será um momento especial que as pessoas poderão vivenciar”, encerrou.