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    Alunos da rede pública apresentam trabalhos sobre empreendedorismo

    Atividade foca em variados aspectos envolvidos na abertura de negócios

    Estudantes apresentam trabalho final sobre empreendedorismo (foto: Fábio Morgado Rotta)
    Da reportagem

    Os alunos do 7º ano do ensino fundamental da Emef “Alan Alves de Araújo”, no Jardim Santa Rita de Cássia, realizaram trabalho envolvendo o tema empreendedorismo.

    A atividade foi coordenada pelas professoras Aline Roarelli, Elaine Pires, Eusi Olivieri, Gisele Andrade, Marília Teixeira, Sarah Maria Umbelina, Silvia Ribeiro, Siméia Lourenço e Vanusa Moreira.

    Segundo o coordenador pedagógico da escola, Lucas Vedeschi Sampaio, os professores passaram por uma capacitação online oferecida pelo Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas).

    “O conhecimento adquirido foi para eles aplicarem em suas aulas, sem saírem do planejamento anual e instigarem nos estudantes o empreendedorismo”, enfatizou.

    “O comprometimento dos alunos em realizar os trabalhos me surpreendeu. Vieram questionar sobre variados assuntos. Estavam curiosos e preocupados em fazer um trabalho sério. Eles foram atrás, tiveram autonomia e fizeram a atividade”, contou Sampaio.

    Para ele, a pandemia de Covid-19 fez com que “muitas pessoas despertassem” e buscassem uma alternativa para gerar renda. “Vimos quantos empreendedores surgiram neste período, conseguiram se manter e agora estão crescendo, cada vez mais, e sendo exemplos para quem tem vontade de abrir um negócio”, explanou o coordenador.

    Para Sampaio, o tema empreendedorismo em sala de aula incentiva a autonomia do estudante, envolvendo um desenvolvimento constante, por meio de aperfeiçoamentos, qualificações e especializações. “Isso faz com que o aluno se torne um grande profissional, com características de proatividade e independência”, afirmou.

    O coordenador também garantiu que os ensinamentos baseados em empreender desenvolvem alunos “autônimos e proativos”. “Estudando antes sobre a matéria, o estudante pode ser incentivado a apresentar as suas dúvidas e até seu ponto de vista sobre o que foi estudado”, completou Sampaio.

    De acordo com a professora de língua portuguesa Sarah, inicialmente, foi desenvolvida uma roda de conversa com os alunos, com o objetivo de ouvi-los e debater as ideias giradas em torno do tema.

    “Quis trabalhar de forma diferente com eles e não trazer um produto pronto para que eles se embasassem nele. O intuito foi de que procurassem algo que fosse construído junto, desde o início”, explicou.

    Preparo e a venda de doces são aspectos abordados durante atividade (foto: Fábio Morgado Rotta)

    Para ela, no empreendedorismo, os alunos são estimulados a desenvolver ações para alcançar objetivos e a trabalhar com planejamento e metas. “Assim, eles ficam mais preparados para enfrentar cenários que exigem senso crítico e capacidade de tomar decisões de forma rápida e precisa”, disse.

    “Sabemos que a escola deve preparar o aluno para ser um cidadão consciente e autônomo. Assim, é também na escola que deve começar a preparação para o empreendedorismo, para o mercado de trabalho e para as finanças”, expôs.

    “Desse modo, as aulas de empreendedorismo na escola são um diferencial na preparação para o mercado de trabalho. Quando adultos, alunos que receberam noções de empreendedorismo têm mais condições de atingir o sucesso em suas carreiras”, complementou Sarah.

    Com a conversa, a professora fez os apontamentos necessários para saber qual era o produto mais adequado e como ele seria feito, apresentado e vendido. “A ideia era observar o que eles têm em mente sobre empreender, os desafios de descobrir e, também, aperfeiçoar suas habilidades”, relatou a professora.

    Segundo Sarah, conversar e trocar informações com os estudantes sobre os novos temas abordados, como o da autonomia, ao empreender, faz com que eles comecem a pensar no futuro.

    “Um empreendedor também precisa oferecer ‘feedbacks’ aos seus colaboradores, dar um retorno sobre como anda o trabalho deles. Quando a prática já é algo comum na escola, será muito mais fácil incorporá-la ao dia a dia na vida adulta”, realçou.

    “Esta troca de convivência é uma ferramenta que desenvolve o lado crítico e participativo do aluno”, sustentou.

    O levantamento das informações iniciais contribuiu também para se saber se o produto seria somente para a venda ou haveria mais ações envolvidas – como a divulgação -, qual seria o formato e a gestão financeira, dentre outros aspectos.

    Os produtos escolhidos pelos grupos foram os doces brigadeiro e beijinho, confeccionados de formas distintas. Cada grupo preparou uma receita e decorou conforme achou mais atraente para o público.

    A aluna Talita Ayres Martini conta que se juntou com amigas para a elaboração do plano de ação da atividade, dividindo o grupo em setores: confecção dos doces, embalo e divulgação e vendas.

    “Na sala de aula, nos reunimos e criamos o projeto. Focamos no preço para que fosse acessível, e também no lucro. Não dá para vender e ter prejuízo. A gente precisou pensar em todos os detalhes”, mencionou Talita.

    “Após muita conversa, chegamos à conclusão de que fazer doces seria a melhor opção, até por conta do pouco tempo que tivemos para realizar todo o trabalho”, complementou a aluna.

    Para ela, os maiores desafios do negócio foram os custos das embalagens e dos produtos para confeccionar os doces. “Optamos por produtos de qualidade, o que deixou o valor final maior”, disse Talita.

    Já a aluna Luana Rosa dos Santos foi a líder do grupo, dela, dividindo as funções com os colegas de classe. “Mesmo tendo pouco tempo para fazer o trabalho, conseguimos dar conta do recado. Sabemos que há clientes que querem os produtos de imediato, e, muitas vezes, é preciso correr. O trabalho foi bem interessante sobre administrar o tempo”, comentou.

    A confeiteira Emily Paulo Carvalho de Miranda, que também estudou na “Alan Alves de Araújo”, esteve com os alunos e conversou com eles sobre a vida dela como empreendedora.

    “A ideia foi mostrar para os estudantes como empreender em algo que se gosta pode mudar a vida de uma pessoa. São vários desafios, principalmente na gestão de negócios”, contou.

    Para a confeiteira, que trabalha na área desde os 13 anos e tem uma doceria no Jardim Santa Rita de Cássia, a falta de conhecimento sobre gerir o negócio é um dos problemas que as pessoas sofrem ao empreenderem.

    “É essencial colocar todos os dados em planilhas, para que o planejamento seja adequado e não tenha prejuízos. Por isso, participar de capacitações é fundamental para quem deseja empreender”, observou Emily.

    “Graças aos cursos que fiz e ao conhecimento adquirido, hoje consigo ter mais clientes por conta do sistema com que trabalho. Passei a estocar de forma congelada parte dos ingredientes. Isso possibilita com que eu tenha mais produtos, a pronta entrega e frescos. Consegui mais clientes e maior renda”, salientou.