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    Prêmio Literário Paulo Setúbal atinge recorde em 2026

    Certame recebeu 1.623 inscrições, enviadas por autores de 378 municípios e 23 capitais

    Premiação acontece no Conservatório de Tatuí (Foto: AC Prefeitura/Pablo Ruiz)
    Da reportagem

    A prefeitura, por meio do Museu Histórico “Paulo Setúbal”, promoveu, na noite de sábado passado, 1º, a cerimônia de premiação do 24º Prêmio Literário Paulo Setúbal – Contos, Crônicas e Poesias.

    Atualmente, o certame já é considerado um dos mais tradicionais concursos literários de abrangência nacional voltados à valorização da produção em língua portuguesa. O evento aconteceu no Teatro “Procópio Ferreira”, do Conservatório de Tatuí, durante a abertura oficial da 84ª Semana Paulo Setúbal.

    Nesta edição, o certame recebeu 1.623 inscrições, enviadas por escritores de 378 municípios brasileiros, alcançando participantes de 23 capitais. “Os dados reforçam o alcance nacional da iniciativa, que há mais de duas décadas incentiva a produção literária e revela novos talentos em diferentes regiões do país”, aponta a assessoria de comunicação da prefeitura.

    Na categoria “contos”, o primeiro lugar foi conquistado por Alexandre Costa Moraes, de Belo Horizonte (MG), com a obra “A Voz do Papel”. O segundo lugar ficou com Ronald da Silva Alves, de Vitória (ES), autor de “Nós Somos Fogo”, e o terceiro lugar, com Ivane Laurete Perotti, também de Belo Horizonte, pela obra “Os Bilreiros de Março”.

    Na modalidade “crônicas”, Alexandre Costa Moraes voltou a ser premiado com o primeiro lugar, dessa vez pela obra “Desculpa”. Amanda Bonatti, de Barra Velha (SC), conquistou o segundo lugar, com “O Inventário da Perda”, enquanto Suziy de Matos Bandeira Lopes, de Juazeiro do Norte (CE), ficou em terceiro lugar, com “Cara de Doutora”.

    Na categoria “poesias”, a vencedora foi Paulyne Lourenço Reis Kalil Honeim, do Rio de Janeiro (RJ), com “Arquitetura de um Nome Ausente”. Gabriel Andrade Rodriguez, de Salvador (BA), conquistou o segundo lugar, com “O Inventário do Estilhaço”, e Evaristo Souza Soares, de Mucuri (BA), ficou em terceiro, com “Ruínas do Presente”.

    Além da premiação nacional, o concurso reconheceu escritores tatuianos por meio do “Prêmio Galardão”, criado em 2018 para incentivar e valorizar a produção literária local.

    A iniciativa surgiu a partir de uma sugestão do escritor tatuiano André Kaires, “reforçando o compromisso do concurso com a valorização dos autores da terra de Paulo Setúbal”, acentua a assessoria.

    Na categoria “contos” pelo “Galardão”, foram premiados: Lucas Teles Pereira, pela obra “A Revolução dos Mortos”; Luiz Henrique Matias, por “Arritmia”; e Winnie Elias Teófilo, por “Sem Arremate”.

    Em “crônicas”, receberam a premiação: Anderson Ferreira da Silva, com “Sustenta o que Você Diz Antes do Aplauso”; Renan Bento Mendes, por “Goteira”; e Rodrigo Santos Terrin, por “Casa Vazia Faz Barulho”.

    Silva, ao receber o troféu, disse que, desde 1995, vem “na pesquisa” como autor e que, durante a pandemia, decidiu fazer uma formação em produção cultural. “E descobri que a produção cultural me dava muito mais possibilidades do que ‘só’ ser autor, e a crônica foi uma delas”, comentou.

    “Sempre fui fascinado por crônicas. Ficava até altas horas da noite esperando o Arnaldo Jabor fazer as crônicas do jornal, as do Pedro Bial e, agora, acompanho o Adriano de Camargo, um cronista maravilhoso que está bombando na internet”, declarou, durante a cerimônia.

    “É uma construção. Descobrir que podemos prestar atenção e, a partir de uma cena cotidiana, construir alguma coisa que talvez toque alguém é muito emocionante”, emendou. “Nunca tinha participado de um concurso assim. Foi a primeira vez, e já ganhar o prêmio é sinal de que estou no caminho certo”, acrescentou. O vencedor ainda agradeceu ao Departamento de Cultura e à prefeitura da cidade.

    Já Mendes também agradeceu à Secretaria de Esporte, Cultura, Turismo e Lazer pelo evento e comentou ser “uma surpresa muito grande” ter sido contemplado.

    “É a primeira vez que participo. Escrevo há pouquíssimo tempo, e espero que eu possa, nos outros anos, participar e subir neste palco novamente”, finalizou.

    Também premiado, Terrin se declarou “muito feliz e surpreso”. “É a primeira vez que tento escrever e, de alguma maneira, passar aquilo que eu passo”, acentuou.

    O premiado na categoria contou ser médico e afirmou ter se mudado para Tatuí para exercer a profissão. “Minha crônica é uma mistura de casos reais que vivencio todos os dias na UBS. Fui premiado não por habilidade ou algo parecido, pois não sou profissional, mas pela pura verdade”, avaliou.

    “Um caso de um ‘seu José’, uma ‘dona Maria’, que passam por suas dificuldades, anseios e vitórias. Um caso que eu espero que toque vocês”, finalizou.

    Já na categoria “poesias”, os contemplados foram: novamente Luiz Henrique Matias, com “Depressa”; Odimar Justino Martins Proença, por “Num Piscar de Olhos”; e, também com mais um prêmio, Rodrigo Santos Terrin, com “Anatomia da Saudade”.

    Proença contou que já ganhara o Prêmio Paulo Setúbal, “mas toda vez a gente treme aqui em cima”. “É uma honra e, nesses anos em que estive participando de concursos de poesias, quero agradecer a uma pessoa que já foi prefeito da nossa cidade e era professor: Paulo Ribeiro, que, em um dos eventos de leitura de poemas que fazíamos, tirou do bolso um poema que se chama ‘A Menina e o Poeta’ e o declamou”, contou.

    “Vocês não sabem a emoção que temos por sermos reconhecidos, de ter o poema declamado por um dos melhores declamadores desta cidade”, emendou.

    Terrin, por sua vez, subiu novamente ao palco e declarou, mais uma vez, não atribuir a si mesmo o talento. “Foram palavras que foram surgindo quando pensei, simplesmente, em como ficou o lar depois que minha avó se foi”, afirmou.

    “Como a casa fica vazia. Como parece que as coisas perdem a cor e o sabor quando são colocados mais pratos do que deveria à mesa. Minha avó e meu avô foram pessoas muito importantes para mim, e esse prêmio eu dedico a eles”, declarou.

    Posteriormente, ao jornal O Progresso de Tatuí, Terrin comentou que sempre gostou de escrever, mas “nunca teve pretensão na área”. “Apesar de eu sempre ter gostado de escrever, acabei nunca acompanhando isso com mais afinco e interesse”, confessou.

    Ele ainda contou ter começado a escrita na igreja. “Ao ter oportunidade de falar alguma coisa, pegava uns versículos, tentava montar alguma coisa. Em eventos de família, pediam para eu fazer algumas homenagens, além de ter tido a oportunidade de homenagear algumas pessoas. Não que eu seja algum poeta, mas sempre foi um hobby, participar mesmo, tentar buscar alguma coisa”, externou.

    O premiado ainda contou que viera a Tatuí para trabalhar como médico. “Na verdade, vim para trabalhar em Sorocaba. Tinha passado em um concurso para ser médico-legista. E, nesse concurso, eu estava indo muito bem, praticamente tudo resolvido, e descobri que existe uma cidade perto de Sorocaba chamada Tatuí, que, até então, eu não conhecia”, lembrou.

    Terrin relatou que prestara concurso para o município, no qual foi aprovado, e se adaptou “tão bem” que preferiu permanecer em Tatuí a ir para Sorocaba. Ainda comentou que, no trabalho, com tantos momentos positivos e negativos, tem “material infinito”.

    “Para escrever, pensar, meditar, refletir. Eu, sinceramente, estou sem palavras. Estou em êxtase. Não sei nem como definir este momento. Estou emocionado, feliz, surpreso”, comentou.

    “No começo, quando comecei a escrever, apagava, porque não ficava bom, e fiquei muito desesperançoso. A crônica, eu já estava com um resquício de esperança, porque ela representava um caso que me marcou positivamente”, contou.

    Questionado se existe um paralelo entre o “cuidar das pessoas” e a sensibilidade necessária para a literatura e a medicina, Terrin respondeu: “Com certeza!”.

    “Eu me tornei médico talvez pensando em sensibilidade, muito porque acompanhei meus avós, meu pai e minha mãe na questão do atendimento médico. E, infelizmente, é ruim quando você passa por um profissional que não olha no seu rosto, não aperta a sua mão, não quer saber do seu problema”, observou.

    “Claro que o SUS, com toda a dinâmica e seus problemas, impõe limitações. Eu tento fazer a diferença. Muitas vezes, a gente não consegue, porque muitas coisas são limitadas, mas acho que muito do que consigo passar em palavras é porque, literalmente, tento atender todos os dias o meu pai, a minha mãe, a minha esposa, como citei, meu avô e minha avó, que são exemplos para mim”, acrescentaram.

    “Sim, existe um paralelo entre a literatura, que, por si só, exige sensibilidade, e a medicina. Medicina sem sensibilidade é o novo robô, é o robô que vem tratando as pessoas. E acho que a alegria que vejo no rosto dos meus pacientes é devida, pelo menos, a um pouco da sensibilidade que tento ter”, finalizou.

    Já Rogério Vianna, que apresentou a cerimônia ao lado de Fernanda Kézia, sobre a avaliação do prêmio, que abre a Semana Paulo Setúbal e teve pessoas que nunca haviam participado entre os vencedores, disse que isso “é de grande importância”. “Para a gente perceber o quanto Tatuí tem potencial”, comentou.

    “Nós, que estamos trabalhando com a identidade e a memória da cidade, sempre pensamos em quem já conhecemos, em quem já é tradição. E, de repente, vemos uma gama de pessoas novas na área literária participando do certame e sendo contempladas”, acentuou.

    O secretário-adjunto municipal do Esporte, Cultura, Turismo e Lazer também afirmou que essa situação “tira o mito” de que são sempre as mesmas pessoas contempladas.

    “E também abrimos espaço e percebemos que as pessoas estão envolvidas na área literária e estão buscando a literatura”, sublinhou. “Estamos nos fortalecendo como a terra de Paulo Setúbal. A Casa de Paulo Setúbal está cumprindo sua missão, que é vocacionar a produção cultural e artística da nossa cidade”, acrescentou.

    Vianna ainda comentou que, abrindo as festividades dos 200 anos do município, é possível ver “o Brasil inteiro” sendo contemplado. “Bahia, Minas Gerais, Santa Catarina, Pernambuco, Espírito Santo… A gente vê o nosso território participando, sendo contemplado, e os nossos também”, frisou.

    “Hoje é um dia muito especial. Eu digo que foi um dia muito emocionante, porque você viu subir ao palco, por exemplo, o Odimar (Proença), relembrando a figura do professor Paulinho Ribeiro, que foi poeta, professor e prefeito”, observou.

    “Nós estamos trabalhando para dar continuidade a essa construção, para que, no futuro, nossa Tatuí seja o que realmente merece ser, porque os tatuianos são bons. A gente só precisa vocacionar tudo isso, porque percebe o potencial. E a Academia Tatuiana de Letras, com certeza, vem dar o seu pontapé inicial e assegurar essa importância”, finalizou.

    Os vencedores das três categorias nacionais receberam troféus personalizados e premiação em dinheiro de R$ 3.500 para o primeiro colocado, R$ 2.500 para o segundo e R$ 1.500 para o terceiro lugar. Os contemplados com o Prêmio Galardão também receberam troféu exclusivo e prêmio de R$ 1.500.

    Outro destaque da cerimônia foi o lançamento oficial do tabloide com as obras vencedoras do 24º Prêmio Literário Paulo Setúbal, produzido pelo jornal O Progresso de Tatuí e levado aos leitores na edição deste final de semana (reportagem nesta edição).

    “A publicação amplia a difusão dos textos premiados e fortalece o acesso do público à produção literária contemporânea”, argumenta a comunicação do Executivo. A publicação também está disponível para consulta, em versão digital, no site da prefeitura, pelo link: https://bit.ly/4g8ygXc”, informa o Executivo.

    Instituídos em 2019, os troféus do Prêmio Literário Paulo Setúbal possuem identidade própria e foram idealizados a partir de sugestão do escritor tatuiano Odimar Justino Martins Proença.

    Os primeiros colocados recebem troféu em latão polido (ouro), os segundos em alumínio polido (prata) e os terceiros em latão patinado castanho (bronze), todos personalizados com base de granito e plaqueta em latão gravada com o nome dos vencedores.

    Nesta edição, o concurso passou a contar também com um modelo exclusivo destinado ao Prêmio Galardão, confeccionado em latão patinado na cor BR70 Laranja.

    Durante a cerimônia, o secretário-adjunto Vianna antecipou a proposta de criação de uma categoria destinada aos estudantes das redes pública e privada de ensino de Tatuí.

    A iniciativa busca incentivar a produção literária entre crianças e jovens, valorizando talentos locais e abrindo caminho para que novos autores possam integrar o Prêmio Literário Paulo Setúbal.

    Vianna reiterou a possibilidade para o ano que vem. “Tenho certeza de que a comissão organizadora vai acatar, administrativamente, e a gente vai conseguir inserir dentro do certame. E é justamente isso que queremos fazer com a Semana Paulo Setúbal: que ela continue sendo dos tatuianos”, acrescentou.

    “Integrante da programação oficial da Semana Paulo Setúbal, tradicional evento criado em 1943 em homenagem ao escritor tatuiano, o Prêmio Literário reafirma o compromisso da prefeitura da estância turística de Tatuí com o incentivo à literatura e à leitura, a formação de novos escritores e a preservação do legado de um dos maiores nomes da cultura tatuiana, especialmente no ano em que o município celebra seu bicentenário”, divulgou a assessoria de comunicação da prefeitura.

    A realização do 24º Prêmio Literário Paulo Setúbal – Contos, Crônicas e Poesias e da 84ª Semana Paulo Setúbal contou com o apoio da comissão organizadora, da comissão de avaliação e da Família Setúbal, parceira na preservação da memória e do legado do escritor tatuiano.