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    Nem toda dor abdominal em criança é emergência, mas alguns sinais não podem esperar, alerta cirurgião pediátrico

    Dor abdominal é uma das queixas mais comuns na infância e, ao mesmo tempo, uma das que mais gera ansiedade nos pais. Nem sempre, porém, o sintoma indica uma condição grave ou necessidade imediata de cirurgia.

    Segundo o cirurgião pediátrico Dr. Elber Nordi, a maioria dos casos está relacionada a situações benignas, como viroses, constipação intestinal ou alterações alimentares.

    “Na prática, grande parte das dores abdominais em crianças melhora espontaneamente ou com medidas simples. O desafio é identificar quando o quadro foge do padrão e exige avaliação urgente”, explica o médico.

    Entre os sinais que merecem atenção estão dor localizada e progressiva, especialmente no lado inferior direito do abdômen, febre persistente, vômitos repetidos, recusa alimentar importante e piora do estado geral da criança. Esses sintomas podem estar associados a condições como apendicite, que exige diagnóstico e tratamento rápidos.

    “Um erro comum é observar por tempo demais em casa, acreditando que é apenas uma ‘virose’. Em alguns casos, essa espera pode atrasar o diagnóstico e aumentar o risco de complicações”, alerta o especialista.

    Estudos mostram que a apendicite aguda é a causa mais comum de cirurgia abdominal de urgência em crianças e adolescentes, sendo mais comum entre 10 e 19 anos, mas podendo ocorrer em idades menores.

    Outro ponto destacado pelo médico é a dificuldade de comunicação dos sintomas pelas crianças menores, o que pode tornar o diagnóstico ainda mais desafiador. “Quanto menor a criança, mais difícil é interpretar a dor. Por isso, o comportamento geral, como irritabilidade, prostração e recusa alimentar, também deve ser observado”, afirma.

    O cirurgião reforça que a avaliação médica é fundamental para diferenciar quadros simples de situações que exigem intervenção rápida. “Nem toda dor abdominal é grave, mas toda dor persistente ou fora do padrão habitual deve ser avaliada. O olhar especializado faz toda a diferença”, conclui Nordi.