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    Palestra reúne rede de proteção para amparar combate ao trabalho infantil em Tatuí

    Iniciativa integrou ações da Ação Estratégica do “Programa de Erradicação”

    Encontro tem palestra do procurador Gustavo Rizzo Ricardo (Foto: AC Prefeitura)
    Da redação

    Na manhã de terça-feira, 30 de junho, a prefeitura da estância turística de Tatuí, por meio da Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social, promoveu, na Câmara Municipal, a palestra “O Enfrentamento do Trabalho Infantil”, ministrada pelo procurador do Trabalho do Ministério Público do Trabalho da 15ª Região e vice-coordenador regional da Coordenadoria Nacional de Combate à Exploração do Trabalho da Criança e do Adolescente (Coordinfância), Gustavo Rizzo Ricardo.

    A iniciativa reuniu representantes da rede de proteção e demais atores envolvidos na promoção e defesa dos direitos de crianças e adolescentes.

    A iniciativa integrou as ações da Ação Estratégica do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Aepeti) e teve como objetivo fortalecer a atuação articulada entre os diversos órgãos que compõem o Sistema de Garantia de Direitos, ampliando o conhecimento sobre a identificação, a prevenção e o enfrentamento do trabalho infantil, além de reforçar os fluxos de atendimento e proteção às crianças e aos adolescentes em situação de vulnerabilidade.

    A abertura do evento teve a presença do secretário da Assistência e Desenvolvimento Social, Carlos Eduardo de Alvarenga Viana (professor Duza), de representantes do Comitê Municipal de Erradicação do Trabalho Infantil, do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA), da rede socioassistencial, das áreas da educação, saúde e sistema de justiça, além de estudantes e representantes de organizações da sociedade civil (OSCs).

    Durante a abertura, a coordenadora da Aepeti, Andresa Ribeiro, ressaltou a importância da atuação integrada entre os órgãos da rede de proteção e da mobilização permanente da sociedade para prevenir e enfrentar o trabalho infantil, “fortalecendo ações que assegurem o pleno desenvolvimento de crianças e adolescentes”, conforme apontado pela assessoria de comunicação da prefeitura.

    Responsável pela palestra, o procurador do Trabalho, Gustavo Rizzo Ricardo, atua na defesa dos direitos trabalhistas e na promoção do trabalho decente.

    Também desenvolve ações voltadas à aprendizagem profissional, à inclusão de jovens em situação de vulnerabilidade social e à promoção dos direitos humanos, além de participar de operações de fiscalização e resgate de trabalhadores em condições análogas à escravidão.

    Em sua apresentação, o procurador informou que, embora o Brasil tenha registrado redução de 21,4% no número de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil entre 2016 e 2024, o problema ainda atinge cerca de 1,65 milhão de brasileiros entre 5 e 17 anos, o equivalente a 4,3% dessa faixa etária.

    Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apresentados durante a palestra, houve aumento de 2,1% em relação a 2023, “evidenciando que o enfrentamento ao problema exige vigilância constante”, acentua a assessoria.

    O procurador também apresentou dados sobre o crescimento das denúncias registradas pelo Ministério Público do Trabalho na área de atuação da 15ª Região.

    Entre janeiro e maio deste ano, foram registradas 448 notícias de fato relacionadas ao trabalho infantil, contra 221 no mesmo período de 2025, um aumento de 102%.

    Na região de Sorocaba, da qual Tatuí faz parte, o número de denúncias passou de 28 para 42 no mesmo intervalo, crescimento de 50%, demonstrando, segundo o palestrante, uma rede de proteção cada vez mais atenta e preparada para identificar possíveis violações de direitos.

    O procurador também explicou os limites estabelecidos pela legislação brasileira para o trabalho de adolescentes. Conforme a Constituição Federal, o trabalho é proibido para menores de 16 anos, salvo na condição de aprendiz, a partir dos 14 anos.

    Entre 16 e 18 anos, o exercício profissional é permitido apenas em atividades que não sejam perigosas, insalubres, penosas ou noturnas, preservando o desenvolvimento físico, emocional e educacional dos adolescentes.

    “Outro ponto enfatizado foi a necessidade de desconstruir mitos ainda presentes na sociedade, como a ideia de que o trabalho precoce ‘forma caráter’”, segue a comunicação.

    Durante a palestra, Ricardo defendeu que “o trabalho infantil compromete a permanência na escola, aumenta os riscos de acidentes, prejudica o desenvolvimento integral da criança e contribui para a perpetuação do ciclo da pobreza, reforçando que lugar de criança é na escola, junto à família, no brincar e no pleno exercício de seus direitos”.

    O palestrante também apresentou o papel desempenhado por cada órgão da rede de proteção – como Cras, Creas, Conselho Tutelar, escolas, unidades de saúde e Ministério Público do Trabalho -, “destacando que o enfrentamento ao trabalho infantil depende da atuação integrada entre esses serviços”.

    Segundo ele, identificar uma situação de exploração é apenas o primeiro passo; a efetiva proteção exige acompanhamento contínuo da criança, da família e das políticas públicas envolvidas.

    Ao final da palestra, os participantes receberam materiais informativos produzidos pelo Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil (FNPETI), com orientações sobre a identificação de situações de trabalho infantil, os canais de denúncia e os direitos assegurados às crianças e aos adolescentes.

    Na ocasião, Ricardo recebeu uma homenagem em agradecimento pela contribuição ao evento, entregue pela coordenadora do Caps Infantojuvenil, Ana Cláudia Bertin, representando o Comitê Municipal de Erradicação do Trabalho Infantil, e pelo secretário municipal de Assistência e Desenvolvimento Social, Carlos Eduardo de Alvarenga Viana.

    “A prefeitura de Tatuí desenvolve, por meio da Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social e da Aepeti, ações permanentes de conscientização, capacitação da rede de proteção e articulação intersetorial, fortalecendo o atendimento às famílias e promovendo a garantia dos direitos de crianças e adolescentes em todo o município”, conclui a comunicação do Executivo.