8ª Feira do Doce movimenta R$ 1,5 milhão

Dados foram divulgados pela equipe organizadora em reunião com os 59 produtores

Ricardo José, da Painel Telecom, Cassiano Sinisgalli, secretário de Cultura, Esporte, Turismo e Lazer, Marcelo Leite de Almeida, presidente da Aprodoce e o prefeito Cardoso Júnior durante a reunião de balanço da 8ª Feira do Doce (foto: AI Prefeitura)
Da reportagem

A oitava edição da Feira do Doce movimentou R$ 1,5 milhão entre estes dias 7 e 10 de julho. O resultado, apontado em levantamento feito pelos doceiros participantes, representou aumento de 78,57% no total das vendas em comparação à sétima edição, em 2019, quando os expositores contabilizaram arrecadação de cerca de R$ 840 mil.

O evento, considerado o maior do segmento doceiro do interior paulista, aconteceu na Praça da Matriz, realizado pela Aprodoce (Associação dos Produtores de Doce de Tatuí) e pela prefeitura, por meio da Secretaria de Esporte, Cultura, Turismo e Lazer, contando, ainda, com apoio de empresas e instituições parceiras.

O balanço final foi divulgado pelo Departamento Municipal de Turismo na segunda-feira, 18, com as presenças do prefeito Miguel Lopes Cardoso Júnior, do secretário da Cultura, Esporte, Turismo e Lazer, Cassiano Sinisgalli, do presente da Associação de Produtores de Doce de Tatuí (Aprodoce), Marcelo Leite de Almeida, do representante da empresa Painel Telecom, Ricardo José, e dos expositores.

O levantamento mostra que, além do crescimento na arrecadação, com o consequente aumento nas unidades de doces vendidos, o evento ainda contabilizou público recorde.

Conforme o relatório, durante a feira – que, pela terceira vez, teve quatro dias de duração –, os expositores somaram a venda de mais de 340 mil unidades, no mesmo patamar da edição anterior, há três anos.

Estiveram à disposição mais de 250 tipos de doces, divididos em alas temáticas: finos, tradicionais e artesanais, de festa e sobremesas, churros, crepes e pastéis; produtos de milho, bolos e tortas, chocolates, bebidas e brigadeiros “gourmet”.

Quanto ao público, o crescimento foi de 82,22%. Em 2019, cerca de 96 mil pessoas passaram pela praça e, neste ano, a feira atraiu 175.892 mil visitantes, reunindo não apenas os consumidores habituais, mas, principalmente, novos visitantes. Os dados foram fornecidos pela empresa Painel, responsável pelo monitoramento em tempo real.

Além de receber moradores de dezenas de cidades do interior paulista, também contou com visitantes de Maringá, Londrina e Ponta Grossa (PR), Belo Horizonte e Contagem (MG), Rio de Janeiro (RJ), Campo Grande (MS) e Porto Alegre (RS), entre outras.

Na quinta-feira, 7, o público foi de 30.179, cujo pico ocorreu entre 20h e 22h. Já na sexta-feira, 8, passaram pela feira 40.650 pessoas, sendo que o período com maior circulação foi entre 19h e 22h. O sábado, 9, registrou o maior número de visitantes, atingindo 56.162, com o pico entre 19hr e 22h.

No domingo, último dia do evento, houve presença de 48.901 pessoas, com a concentração máxima no período entre 18h e 21h. No total, a soma de público chegou a 175.892.

Para Ribeiro, além do sucesso de público e vendas, outro fator importante da edição deste ano foi o monitoramento. “Isso fez com que as pessoas se sentissem mais seguras. Foram quatro dias tranquilos, sem problemas. O ambiente familiar era nítido”, enfatizou.

Ao todo, foram 18 câmeras em funcionamento, duas delas com monitoramento em 360 graus, duas para contagem de público e as demais para o controle de acesso.

O sistema dispõe da tecnologia “Ciclo Rankine Orgânico” (OCR), que permite a identificação facial das pessoas e foi usada na mais recente edição da tradicional Oktoberfest, de Blumenau, no estado de Santa Catarina, cujo público total foi de mais de 570 mil pessoas.

Ribeiro contou que a equipe recebeu da Guarda Civil Municipal uma lista com pessoas com mandados de prisão, para que fossem detectadas pelas câmeras, caso alguma delas tivesse acesso à feira. “Com a nossa comunicação em conjunto com a da GCM, imediatamente ações poderiam ser tomadas para prender o procurado”, detalhou Ribeiro.

Avaliações

A gastronomia doceira esteve presente em 59 estandes e em uma barraca do Fusstat (Fundo Social de Solidariedade). Os expositores foram selecionados por meio de edital de chamamento público, com a exigência de inscrição, como MEI (microempreendedor individual). Em 2019, por exemplo, foram 51 expositores.

Em pesquisa de demanda feita com os visitantes, 68,8% disseram que já conheciam o evento, sendo que 78,4% responderam que a feira é “ótima”, 23,1% afirmaram ser “boa”, 19,7%, “regular” e 1,9%, “ruim”.

Ao serem perguntados sobre o motivo de estarem em Tatuí, 64,6% disseram ser moradores da cidade e 24,7% afirmaram ter vindo para visitar a Feira do Doce. Das pessoas que responderam à pesquisa, 99% indicaram que voltariam a Tatuí, enquanto 1% informou que não retornaria.

Com relação ao sexo, 59,2% dos visitantes eram do público feminino, enquanto 40,8%, do masculino. Segundo a pesquisa, 90% dos visitantes eram de cidades do estado de São Paulo.

Em relação ao meio de transporte utilizado para virem à feira, 61,3% citaram veículo próprio, 22,6%, ônibus ou van de excursão e 9,2%, veículos de aplicativo.

Para o secretário Sinisgalli, a oitava edição da Feira do Doce foi a melhor da história e surpreendeu, do início ao fim, pelo número recorde de visitantes e por conta do fluxo de turistas que vieram conhecer Tatuí.

“O turismo em Tatuí já é algo real. Os turistas aproveitaram para ver o que a nossa cidade tem de melhor. Prova disso são as dezenas de excursões que vieram para cá”, comemorou.

O secretário reforçou que a feira movimentou toda a cadeia comercial do município, chamando a atenção dos comerciantes. “Hotéis, bares e restaurantes receberam um fluxo muito maior de consumidores. Isso impacta diretamente a economia local, gerando emprego, renda e desenvolvimento”, observou.

Para Sinisgalli, agora é momento de absorver e analisar o evento. “Os dados concretos são fundamentais para mostrar o potencial da feira e como isso agrega à cidade. E nos dão um embasamento sobre o que deve ser melhorado e implantado na próxima edição, em 2023”, frisou.

O responsável pela pasta acredita que a praça central está ficando pequena diante da proporção que a Feira do Doce atingiu. “Creio que mais um ano a Praça da Matriz ainda consiga atender à demanda”, declarou.

Para isso, Sinisgalli reforça a pretensão de construção de um centro de eventos em Tatuí. O secretário ressalta que o local daria mais conforto aos visitantes e maior comodidade aos expositores, podendo, inclusive, aumentar o espaço para estandes e apresentações musicais.

Ele assegura que a Feira do Doce já está consolidada e, ao atrair mais de 175 mil pessoas ao município, “é preciso pensar não apenas no evento em si, mas na logística, no trânsito, no estacionamento de veículos e na segurança dos visitantes”.

Ele mencionou as alterações, como o edital com regras para seleção dos expositores, como “importante medida para elevar a qualidade dos produtos oferecidos no evento”.

“Antes, a pessoa falava que fazia doces e já podia participar. Hoje, são empreendedores altamente capacitados, que realmente vivem da venda de doces, com a intenção de crescer”, justificou.

Todos os atuais expositores possuem CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica) e receberam apoio do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), com reuniões de qualificações durante a preparação ao evento.

De acordo com ele, além de manter a qualidade dos doces comercializados, os produtores estão tendo uma visão empreendedora, com cuidados maiores quanto ao visual dos produtos e o investimento em divulgação de forma antecipada.

O secretário reafirmou que a intenção não é ser um evento para faturamento somente durante os quatro dias, mas a de conquistar novos clientes, para atendê-los no decorrer do ano. Segundo o relatório, o objetivo do evento foi atingido por 91,1% dos produtores.

Com o crescimento explícito da Feira do Doce a cada ano, os expositores precisaram fazer contratações temporárias para produzir e vender os produtos. O relatório indica que a feira deste ano gerou 558 empregos, sendo 303 diretos e 255 indiretos, um aumento de 12.72% em relação à edição anterior à pandemia.

Capital da Música

O Festival Capital da Música “Maestro Antônio Carlos Neves Campos” também foi exaltado pelo secretário e por 100% dos expositores, segundo o relatório. Sinisgalli disse que fora montada uma programação para atender a todas as vertentes da música popular brasileira, além da participação especial do maestro João Carlos Martins, que “abriu” a feira na noite de sexta-feira, 8.

“Acredito que tenha agradado bastante a todos que prestigiaram o festival. A cada ano, ele se transforma em um verdadeiro espetáculo”, acrescentou.

Pelo terceiro ano consecutivo, a feira foi realizada em quatro dias. O relatório do evento indica que 44,6% dos expositores desejam que o formato continue assim. O documento mostra que 16,1% querem o retorno para três dias; já 19,6% querem que seja realizado em cinco dias. Para 19,6%, finalmente, a Feira do Doce deveria ser feita em dois finais de semana seguidos.

O prefeito Cardoso Júnior disse ter ficado surpreso com o número expressivo de visitantes, que vieram de mais de 50 cidades. “Agora, o desafio é aproveitarmos este momento em que saímos de uma feira que ficou conhecida nacionalmente e buscarmos entender a dimensão disso e pensar nos próximos passos, já imaginando a edição do ano que vem”, pontuou.

Sobre a Aprodoce, Cardoso Júnior enfatizou a importância da entidade para o evento. “Vocês são os maiores interessados, e é essencial que continuem participando ativamente e dando sugestões. Ano que vem teremos um grande desafio”, exaltou

Assim como Sinisgalli, o prefeito disse já estar pensando na edição seguinte. “A capacidade máxima da Praça da Matriz está no limite. Vamos iniciar estudos para viabilizar que a feira seja realizada em um espaço mais amplo nas futuras edições”, antecipou. Segundo ele, até o momento, contudo, não há nada definido.

Para o presidente da Aprodoce, Almeida, esta edição foi um marco para a cidade. “Os recordes de público e consumo, o empenho dos produtores e o ambiente familiar foram essenciais para o sucesso da feira”, analisou.

Para ele, a partir de agora, “é necessário que se comece a pensar no futuro a fim de alçar novos voos e que se consolide o trabalho de união para que, junto da Aprodoce, os produtores façam mais negócios e cresçam com isso”.

Segundo Almeida, está nos planos da associação ter uma sede, com uma central de produção, para que, futuramente, seja adquirida uma máquina de embalar produtos.

“Muitos supermercados exigem que cada doce seja embalado individualmente para ser vendido. A ideia é compartilhar esta máquina com os produtores associados à Aprodoce, para que a utilizam no espaço da sede”, contou Almeida.

“Os produtores são interdependentes, geram empregos, fomentam uma cadeia produtiva e sempre buscam novidades para o mercado”, complementou.

Outro detalhe apontado pelo presidente da associação é sobre a inserção de novos produtores no evento. “A Feira do Doce dá a chance para quem quer empreender. Estamos cada vez mais fortalecidos. Estão todos de parabéns pelo trabalho lindo”, completou.

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