Sobre as cinzas obscuras, um Natal mais colorido

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Exatamente nesta época do ano de 2020, o jornal O Progresso de Tatuí lamentava, em editorial, não estar publicando os trabalhos vencedores de seu já tradicional Concurso Artístico e Literário de Natal após 25 anos ininterruptos.

Naquele momento, ainda não existia vacinação contra a Covid-19 e, sem qualquer dúvida por isso mesmo, a pandemia se preparava para impor seu período mais cruel e mortífero, vivenciado pelo país em maior drama entre março e julho deste ano, quando definitivamente a imunização deslanchou, fazendo desabar o índice de mortes e ocupações hospitalares.

Por sua vez, a realização do certame cultural para as crianças do ensino fundamental, como de costume e para ocorrer de maneira organizada e sem atropelo, costuma ter início já após o aniversário de Tatuí, em meados de agosto. Portanto, em 2020, acabou cancelado, dado o ensino estar seguindo somente de forma online.

De fato, o lamento pelo hiato era muito grande – só não maior, claro, quanto o causado pela perda de tantas vidas -, até porque, para este jornal, em seus 99 anos, o concurso se configurou em sua maior iniciativa nas áreas de cultura e social já promovida.

Além disso, contudo, significa oportunidade de agregar a todos os estudantes não só em condição de igualdade, independentemente de suas realidades financeiras e educacionais, mas de estimulá-los ao “fazer” artístico e literário – o que é excepcional!

Com a paralisação das aulas presenciais em toda a rede de ensino nacional, a única solução para seguir com o concurso seria promovê-lo também por plataforma online.

Embora fosse possível, o jornal O Progresso de Tatuí entendeu que tanto isso poderia ser impeditivo para os menos aparelhados quanto faria perder a outra razão maior da iniciativa: a participação ativa dos professores e demais dirigentes das unidades escolares, os quais orientam os estudantes a comporem os trabalhos em sala de aula.

Sem essa participação fundamental, o concurso perderia muito da própria razão de existir, que é a reflexão sobre o significado (maior) do Natal, instigada pelos mestres junto aos alunos e até entre eles mesmos.

Além, os professores de língua portuguesa e artes, para a feitura dos desenhos e redações, também atuam como orientadores, assim não apenas tendo oportunidade de “ensinar”, mas ainda de contribuir com o aprimoramento dos trabalhos.

E, então, em 2021, o que era motivo para tristeza tornou-se satisfação novamente, com a retomada da possibilidade de se concretizar o concurso de Natal junto aos alunos e seus professores em sala de aula – presencialmente.

Assim, em agosto, o Concurso Artístico e Literário de Natal foi retomado, então em sua 26ª edição, voltado aos estudantes do ensino fundamental.

No total, houve 1.113 inscrições, distribuídas entre 1.014 desenhos e 99 redações. Neste ano, apenas dois trabalhos acabaram desclassificados, por ausência total de dados que pudessem identificar os autores.

Quase 30 instituições de ensino participaram do concurso, por meio dos trabalhos dos alunos. As escolas públicas e particulares tiveram novamente a oportunidade de estimular os estudantes a trabalharem o tema “Tatuí no Natal”, nas duas modalidades.

Os vencedores em cada grupo de anos são premiados em dinheiro, cujos valores dividem-se entre os primeiros colocados do 1º ao 9º ano em desenho e redação.

As entregas das premiações, como sempre ocorre, aconteceu pelos próprios patrocinadores da iniciativa. São parceiros do concurso em 2021: Colégio Objetivo (que premiou dois vencedores), Palácio do Sorvete, Maricota Calçados e Acessórios Femininos, Hotel Del Fiol, Habib’s, Personal Pharma e Cris Lisboa Estética Avançada.

No total, foram oferecidos R$ 2.400, distribuídos para os vencedores de cada dois anos, que receberam R$ 300 cada (salvo no caso dos três últimos anos em desenho e dos três primeiros em redação, englobados em um mesmo grupo de cada categoria).

Assim, os desenhos entre o 1º e o 2º ano compuseram um grupo e garantiram prêmio de R$ 300 ao vencedor; o primeiro entre o 3º e o 4º ganhou outros R$ 300; entre o 5º e o 6º, mais R$ 300; e, finalmente, entre o 7º, 8º e 9º ano, englobados, houve outro igual prêmio em dinheiro.

No caso das redações, a premiação foi segmentada da seguinte forma: entre o 1º, o 2º e o 3º ano, compondo um grupo, prêmio de R$ 300 ao vencedor; entre o 4º e o 5º, outros R$ 300; entre o 6º e o 7º, mais R$ 300; e, finalmente, entre o 8º e o 9º ano, englobados, outro igual prêmio em dinheiro.

Os três melhores trabalhos de cada categoria estão reproduzidos nesta edição especial de O Progresso de Tatuí, que circula já nesta sexta-feira, 24 de dezembro.

Nela, além dos desenhos e redações vencedores, são constados os nomes dos professores e das escolas nas quais os alunos produziram os trabalhos.

Na modalidade redação, os estudantes puderam escrever em qualquer estilo literário, desde que respeitando o tema do concurso. Já na modalidade desenho, os trabalhos tiveram de ser produzidos em papel sulfite, no tamanho A4, em qualquer estilo artístico e seguindo o tema.

Como acentuado a cada ano pelo jornal, mais que ilustrar páginas de uma edição comemorativa, o objetivo do concurso é dar às crianças a oportunidade de se interessarem pela literatura e pela arte, ao mesmo tempo em que podem se sensibilizar com o tema, que, muito além da distribuição de presentes, lembra o nascimento de Jesus e o apelo à paz – tão necessária quanto (ainda) rara neste ano, como já acentuado em 2020.

Ao longo destes 26 anos da iniciativa, o jornal O Progresso de Tatuí recolheu, exatamente, 48.413 trabalhos inscritos, divididos entre desenhos e redações – certamente, somando, assim, o maior número de participações em concursos artísticos já promovidos na Cidade Ternura.

Por isso e, especialmente, pelo empenho e boa-vontade, O Progresso agradece aos professores, os maiores responsáveis pelo sucesso de mais esta edição, pois são eles que trabalham a temática do concurso dentro de suas respectivas disciplinas.

Como não poderia deixar de ser, o leitor notará, claramente, que cada um dos trabalhos dos jovens e crianças, à sua maneira, retrata exatamente a realidade do ainda triste momento.

Muitos podem ser comoventes; outros, até cautelosamente felizes. Todos, no entanto, carregam pesado nas cores da esperança por dias menos ruins, com a revalorização da “verdade”, da paz e da justiça.

É com esta expectativa, motivada pela sensibilidade e visão otimista dos estudantes (embora não ingênua) que encerramos 2021, aguardando que a luz da ciência, do humanismo e dos verdadeiros valores cristãos, finalmente, sobreponha-se ao cinza da obscuridade.

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