Setor de Combate à Dengue em Tatuí soma 134 casos em maio

Período epidêmico finaliza agora; relatório entre janeiro e maio aponta 427 registros

Período epidêmico se encerra neste mês de maio (Foto: Divulgação)
Da redação

Na quinta-feira da semana passada, 15, aconteceu na prefeitura a reunião mensal da Sala de Situação da Dengue em Tatuí, organizada pela Secretaria Municipal de Saúde.

No encontro, foi apresentado o relatório sobre o atual cenário de casos da doença no município. De acordo com eles, somente na primeira quinzena de maio, foram registrados 134 casos (sendo 125 autóctones, contraídos na cidade) e nove importados. Os números quase se igualam à somatória de abril, quando foram contabilizados 194.

De acordo com a coordenadora do Setor de Combate à Dengue, Juliana Aparecida de Camargo da Costa, o aumento se deve ao período epidêmico, que começou em outubro de 2023 e segue até este mês de maio.

Ela informou que, mesmo o setor tendo intensificado o trabalho de orientação, prevenção e fiscalização das residências neste período, Tatuí alcançou somente, neste ano, 427 casos confirmados da doença.

Juliana salienta que, apesar dos esforços da pasta, os números continuam crescendo. “Acreditamos que, a partir de junho, com o fim deste período e mudança climática, além da ajuda da população, a tendência seja a diminuição de casos”, comentou.

Na reunião mensal, foram apresentadas, ainda, as diversas ações realizadas entre o período de 17 de abril e 16 de maio. Conforme o relatório, foram realizados 17.941 controles de criadouros, 243 intensificações (controle de criadouros sem a nebulização) e 2.844 nebulizações portáteis.

Também foram concluídos os trabalhos de vistorias a imóveis especiais (escolas, clubes, entre outros), avaliação de densidade larvária (ADL) e aplicação de inseticida em pontos estratégicos (ferros-velhos, ecopontos, entre outros).

De acordo com o setor, houve uma distribuição estratégica da equipe para que a nebulização (fumacê) pudesse abranger todos os bairros com casos confirmados de dengue. Junto à ação, um carro de som acompanhava o processo, orientando a população sobre os trabalhos realizados.

No dia 20 de abril, o bairro Santa Rita de Cássia recebeu a operação “Bairro Limpo, Cidade Linda!”. Nela, foram coletados, aproximadamente, 90 toneladas de entulhos.

“Gostaríamos de salientar que as nebulizações portáteis estão sendo realizadas nas áreas com maior número de casos de dengue e risco de proporção de transmissão da doença. Nos bairros onde não são feitas essas nebulizações, acontecem as intensificações, que são os controles de criadouros sem as nebulizações”, informou.

De acordo com Juliana, a triagem quanto aos bairros que receberão a nebulização não afeta as ações de combate ao mosquito Aedes aegypti. Ela sustenta que são as visitas dos agentes de controle de endemias, junto aos cuidados diários da população, os maiores responsáveis pela eliminação dos focos.

Cuidados

A prefeitura pede a colaboração de todos quanto à limpeza e à manutenção de terrenos e residências, as quais devem ser constantes. O descarte correto de entulhos e demais materiais deve ser feito nos diversos ecopontos (lista com dias, horários e locais de funcionamento em www2.tatui.sp.gov.br/servicos/ecopontos/).

O munícipe também pode denunciar os terrenos sujos e abandonados da cidade, ou as casas recém-construídas sem moradores e com piscinas, por meio da ouvidoria municipal, no link www.tatui.sp.gov.br/ouvidoria , pelos telefones 0800-770-0665 e (15) 3251-3576 ou, ainda, pelo telefone da Secretaria da Saúde (15) 3305-8855.

Além das denúncias, a administração reforçou a importância de cada morador como “um agente no combate à doença”. Neste sentido, orienta que deve deixar a caixa d’água bem fechada e limpa; descartar de forma adequada pneus usados; retirar do quintal objetos que acumulam água, como vasos de planta, potes e garrafas; manter materiais de reciclagem em saco fechado e em local aberto; e usar repelente diariamente.

Conforme o protocolo do Ministério da Saúde, todas as unidades básicas de saúde atendem as pessoas com suspeitas de dengue, realizando notificações, coleta de exames e todas as ações necessárias.

Portanto, quem apresentar febre, acompanhada de pelo menos dois sintomas (como náuseas, vômitos, manchas avermelhadas pelo corpo, dor nas articulações, dor de cabeça ou dor no fundo do olho) deve procurar a UBS mais próxima, de segunda-feira a sexta-feira. Aos fins de semana, é necessário procurar a unidade de pronto atendimento (UPA).

Estado

A Secretaria de Saúde de São Paulo divulgou, nesta semana, um manual para um “bom manejo clínico” das arboviroses, com ênfase na dengue. Ele servirá como base para a elaboração do roteiro de supervisão técnica de ações de controle vetorial das arboviroses para 2024. O objetivo principal, segundo a pasta estadual, é enfrentar os desafios e gargalos no combate ao Aedes aegypti, especialmente durante a epidemia de dengue, zika e chikungunya no estado.

O manual destaca a necessidade de estratégias eficientes para melhorar o cenário de controle das arboviroses, que incluem a detecção precoce da doença, acesso adequado a cuidados médicos e medidas de controle vetorial mais eficazes. A Secretaria de Saúde “espera que essas ações possam reduzir a incidência e a mortalidade associadas às doenças”.

Arboviroses são doenças causadas por vírus transmitidos principalmente por mosquitos. No ambiente urbano, as mais comuns são a dengue, chikungunya e zika, todas transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti. Esses vírus têm se mostrado um desafio crescente para a saúde pública, especialmente em períodos de alta incidência, como o atual.

O estado de São Paulo já registrou mais de um milhão de casos de dengue neste ano, segundo dados do painel de monitoramento da doença divulgados pela Secretaria Estadual da Saúde (SES).

O número total de confirmados é de 1.014.167, dos quais 1.241 são considerados graves. Até esta semana, 681 óbitos tinham sido registrados, com outros 808 em investigação.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), não há tratamento específico para a dengue, e a detecção precoce da progressão da doença, juntamente com o acesso a cuidados médicos adequados, pode reduzir as taxas de mortalidade da dengue grave para menos de 1%. Esse dado sublinha a importância de um diagnóstico rápido e preciso.

O Ministério da Saúde também destaca que a ocorrência de óbitos está frequentemente relacionada ao não reconhecimento ou à não valorização dos sinais de alarme da doença.

Além disso, a procura por múltiplos serviços de saúde sem conduta adequada e o volume de hidratação inferior ao recomendado são fatores que contribuem para o aumento da mortalidade.

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