
Aqui, Ali, Acolá
José Ortiz de Camargo Neto *
Caros amigos,
Passeando por Tatuí, por entre o casario baixo e bonito, as ruas banhadas pelo sol, as calçadas limpas, as praças arborizadas e aprazíveis, a sorveteria da Praça da Matriz, o prédio do Museu “Paulo Setúbal”, a Avenida das Mangueiras, em toda parte sinto o atrativo da cidade interiorana: o que mais o paulistano quer visitar e curtir.
Em São Paulo, sentimo-nos sufocados e espremidos por prédios feios e gigantescos como monstros de concreto, que tiram a visibilidade do horizonte, roubam a luz das ruas e calçadas e acabam com qualquer poesia que uma cidade pode e deve ter.
Por isso vejo com preocupação a construção, que vem se acelerando, de prédios em Tatuí. Anos atrás era um, agora, já vi vários. Alguns pensam: isso é símbolo da modernidade. Para mim é símbolo da decadência urbana, e atestado de óbito para o turismo.
Observem as cidades como Vila Velha, Parati, centros urbanos históricos, que se conservam como sempre foram ao longo dos anos, e justamente por isso atraem multidões de turistas.
Que ninguém se iluda! Se milhares de pessoas vêm à nossa Feira do Doce, e se outros milhares deixam suas cidades para aqui passarem o Natal, as férias, o Carnaval, ou parar curtirem o Carroção, é porque sentem-se atraídos pela poesia imorredoura das cidades interioranas.
Ninguém vai sair de uma floresta de prédios para visitar outra do mesmo gênero.
Por isso, penso que nossas autoridades devem pensar bem numa política de zoneamento, impedindo a construção de edifícios no miolo da cidade, na sua parte do centro expandido, para manter o encanto desta cidade-ternura.
Que edifícios sejam construídos longe, na periferia urbana, não na parte central, como vem sendo feito.
Devemos fazer como fez a cidade de João Pessoa, inteligentemente, proibindo a construção de prédios perto da orla marítima. Recuando os edifícios, deixou intocado, visualmente, o belo litoral paraibano.
Se continuar a proliferação de prédios em Tatuí, adeus, visitantes da cidade, adeus Feira do Doce, adeus público para os espetáculos artísticos, adeus lucros dos expositores – e adeus arrecadação municipal proveniente desses atrativos.
Não deixem nossa querida cidade transformar-se em mais um desagradável monstro de concreto armado. Preservando seu jeito urbano, sua poesia arquitetônica de casas térreas e sobrados, ruas de asfalto e paralelepípedos vamos ter cada vez mais visitantes, maiores orçamentos e mais meios de sobrevivência para nosso povo.
Fica aqui o recado. É uma opinião. Soprada por meu amor pela cidade. Espero que seja considerada.
Até breve.
* Jornalista e escritor tatuiano.




