Procura-se emprego: qual o caminho para superar dificuldades?

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Raphael Moroz é jornalista, psicólogo, e possui mestrado em Comunicação e Linguagens. Atua como professor-tutor do curso de graduação em Marketing Digital do Centro Universitário Internacional UNINTER (foto: divulgação)
Raphael Moroz *

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) divulgou recentemente um relatório sobre as perspectivas globais do emprego neste momento de pandemia. Segundo o documento, o déficit de empregos chegará a 75 milhões até o fim deste ano.

Como consequência, estima-se que o desemprego no mundo atinja 205 milhões de pessoas em 2022, superando o número de 187 milhões em 2019. A OIT estima que a recuperação global do emprego acelere na segunda metade de 2021, contanto que a pandemia da Covid-19 não se agrave.

Essa situação pandêmica exacerbou dificuldades que já estavam acentuadas no mundo do trabalho. Vivemos, atualmente, um momento histórico que muitos teóricos definem como “kairós”.

Segundo a mitologia grega, Kairós era um jovem imprevisível, que não se importava com o calendário e com o tempo sequencial, linear. Ele, ao contrário do deus Chronos, representa o tempo descontínuo e imprevisível.

Assim está a construção de carreiras hoje em dia, marcada acima de tudo pela imprevisibilidade. Com a globalização, a concorrência não ocorre somente entre empresas, mas também entre profissionais – o que tem dificultado a busca por empregos.

Como alternativa, muitos têm enveredado pelo empreendedorismo e investido em carreiras paralelas. Além disso, não há mais espaço nas organizações para colaboradores com habilidades meramente técnicas e operacionais.

Buscam-se, cada vez mais, profissionais com inteligência emocional e visão sistêmica, perfis que contribuem diretamente para o crescimento das empresas.

Um cenário tão desafiador como este requer uma pausa estratégica para que definamos os próximos passos que daremos no mundo do trabalho. Algumas habilidades específicas precisam ser, mais do que nunca, desenvolvidas. A principal delas, a meu ver, é a multifuncionalidade.

Num contexto em que as organizações precisam se diferenciar para entregar mais valor – em razão da concorrência brutal –, os colaboradores têm sido desafiados a trabalhar em variadas frentes e com diferentes setores.

Exige-se, portanto, o desenvolvimento de habilidades tanto técnicas quanto relacionais para que o trabalho seja colaborativo e estratégico.

Não há como desenvolvermos múltiplas habilidades sem tomarmos a frente da nossa própria carreira. Assim, é preciso desenvolver outra habilidade essencial: a proatividade.

As empresas dependem do protagonismo de seus colaboradores para crescerem, e o desenvolvimento da carreira desses colaboradores está condicionado a uma atitude de protagonista. A proatividade é, na verdade, uma via de mão dupla: beneficia tanto as organizações quanto os profissionais que nelas atuam.

Multifuncionalidade e proatividade são as habilidades mais visadas do momento, e ambas são possibilitadas pela aprendizagem. Dessa forma, para que nos adaptemos ao delicado período atual e prosperemos em meio à imprevisibilidade da Era Kairós, temos de estar abertos a aprender.

Seja por meio da educação formal ou informal, seja aprendendo sozinhos ou na convivência com outras pessoas, seja navegando pela internet ou lendo um livro impresso, em mãos. Aprender pode ser com os filhos, com os colegas, em salas de aula presenciais e virtuais. Aprender, somente. Sem barreiras e preconceitos.

* Jornalista, psicólogo, e possui mestrado em comunicação e linguagens. Atua como professor-tutor do curso de graduação em marketing digital do Centro Universitário Internacional Uninter