Praça Viva’

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Entre as diversas atrações que compuseram a Semana “Paulo Setúbal”, em comemoração ao aniversário do município, muitas visivelmente agradaram. Contudo, uma em especial merece destaque pelo aspecto promissor: o projeto intitulado “Praça Viva”.

 

Certamente contribuiu – em muito – o fato da primeira edição dessa iniciativa ter sido vinculada à inauguração do restante das estátuas dos músicos tatuianos escolhidos para figurar o projeto “Praças”, idealizado por Giovani de Arruda Campos e efetivado pelo artista plástico Cláudio Camargo, com apoio da Prefeitura.

 

Esta junção refletiu-se em público, formado em grande parte por admiradores e parentes dos homenageados – o que não diminui o mérito do novo projeto.

 

Pelo contrário, serviu essa união para apresentar oportunamente as diversas atividades promovidas na “Praça do Museu” (Manoel Guedes), no sábado, 10.

 

O “Praça Viva” agregou atividades culturais durante todo o dia, na parte externa e interna do Museu Histórico “Paulo Setúbal”, encerrando as festividades de aniversário.

 

A programação teve atrações simultâneas, nas quais se viam atores com trajes do início do século 20 e “estátuas vivas” com características da época.

 

Também houve realejo, música e dança, apresentadas por diferentes grupos, além dos estandes de artesanato “Receitas do Sítio” e da Sabesp.

 

O Teatro de Dança Rosinha Orsi apresentou coreografias de estilo contemporâneo e a parte musical teve apresentações da Camerata Corelli, Seresteiros com Ternura, Seresta do José Rubens, Banda Ternura Tatuí, Grupo de Choro Casa Velha, Grupo Jazz com Bossa, Fábio Leal e Danielle Domingues, Orquestra Arte pela Vida e Filosofia do Samba.

 

Em simultâneo, o ilustrador Bruno Venâncio desenhava caricaturas, enquanto quadros da exposição “Tatuí na Visão do Artista”, de Domingos Jacob Filho, o Mingo Jacob, podiam ser vistos, junto a fotografias de Tatuí e dos seresteiros “imortalizados” pelas esculturas.

 

Almofadas e livros serviram de cenário para a “contação” de histórias pela escritora Raquel Prestes, que levou os títulos “Um Menino Passou Por Aqui”, “Vamos Jogar?” e “A Ovelha Raquel”.

 

O folclore também foi abordado, pela oficina de arte-educação do projeto “Estórias de Tião”, do maestro Dario Sotelo, em parceria com o Conservatório, Secretaria da Educação e Museu Histórico “Paulo Setúbal”.

 

O projeto abrange 19 professores e cerca de 800 alunos da rede de ensino fundamental municipal do primeiro ciclo (1o ao 5o ano).

 

Na praça, a atividade consistia em cada criança ter uma caixa, com lápis de cor e a história de um personagem folclórico. Ao fim, a criança desenvolvia uma produção artística e respondia às questões fixadas.

 

“É como se fosse uma releitura, os alunos têm que recriar os personagens de acordo com a poética pessoal deles”, explicou a coordenadora de artes da rede de ensino municipal, Angélica Ferreira.

 

Ao longo de todo o dia, o público ainda foi presenteado com distribuição gratuita de algodão doce, pipoca e sorvete.

 

O projeto de promoção de atividades na praça Manoel Guedes deve continuar sendo desenvolvido mensalmente.

 

“Vamos trazer outros seguimentos que a gente ainda não conseguiu, mas só artistas tatuianos”, disse o diretor do Departamento de Cultura e Desenvolvimento Turístico, Jorge Rizek.

 

Segundo ele, o projeto existe desde a reinauguração do museu, em 2010, após ser reformado. “A praça é bucólica, parece do interior, não é movimentada como as outras e tem o espaço necessário para se fazer isso”, argumentou Rizek.

 

A data foi escolhida por abranger vários acontecimentos que aumentam o fluxo de pessoas no centro da cidade: véspera do Dia dos Pais, véspera do aniversário da cidade, inauguração das esculturas dos seresteiros e entrega dos prêmios dos concursos “Paulo Setúbal”.

 

Outro objetivo do Praça Viva é aumentar a visitação do museu. “As pessoas, muitas vezes, passam em frente ao museu, mas não entram. Com essas atividades ‘extramuro’, acabamos criando a fidelização do público. É assim que a cultura se faz”, analisou a diretora do espaço, Raquel Fayad.

 

Dentro do edifício histórico, a exposição “Acervo: Memória, Imagem e Poesia”, que soma literatura e artes visuais, foi apresentada ao público.

 

Ótimo! Que esse projeto tenha continuidade, realmente, assim como a pretensão de se explorar (muito) mais a identidade musical do município. Isto tanto valoriza a autoestima da população quanto pode reverter-se em múltiplos dividendos, particularmente na área turística.