Papagaios

434

A memória dá vida

àquilo que não existe mais.

Dos dois aos oito anos de idade,

convivi com meus pais e minha irmã

em um rancho de barro, coberto de tabuinhas,

erguido na clareira da mata,

próximo à estrada arenosa

que ia para o povoado.

Decorridas tantas décadas,

às vezes me ponho a relembrar nossa existência

naquele rústico rincão longínquo…

Distante no tempo e no espaço,

ele vive magicamente no meu passado.

Foi o doce altar dos primeiros

tempos de minha santa infância.

Lugar onde meu pensamento

alçava seus voos sem malícia…

Nem mesmo sabia que voava

cruzando mistérios siderais

de um céu límpido e cristalino.

Nele, os casais de papagaios

passavam cantando suas canções

aquecidos pelo sol fagueiro.

Até hoje escuto aqueles papagaios

gorjeando, alegres,

no ouvido de minha memória…