Operação de ‘acolhida’ intensifica abordagem durante os dias de frio

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Nas noites de frio intenso, pessoas são abordadas para receber abrigo (Foto: Divulgação/Casa de Apoio)
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Da reportagem

O Serviço Especializado em Abordagem Social, direcionado a pessoas em “situação de rua”, teve o trabalho intensificado nas últimas semanas. As ações são realizadas pela Casa de Apoio ao Irmão de Rua São José, em parceria com a Secretaria de Trabalho e Desenvolvimento Social.

Conforme a assistente social da Casa de Apoio, Mirna Iazzetti Grando, durante as noites recentes, em que os termômetros têm registrado baixas temperaturas, equipes têm saído a campo para abordar pessoas em situação de rua com o objetivo de encaminhá-las ao serviço de acolhimento e protegê-las do frio intenso.

A abordagem é feita em dias alternados e visam encontrar essas pessoas e convidá-las a pernoitar na Casa de Apoio. Quando o cidadão encontrado é de outro município, primeiramente, é ofertada a pernoite, com possibilidade de jantar e café da manhã, e, no dia seguinte, oferecida passagem para retorno à cidade de origem.

Mirna ressalta que as ações de inverno, na verdade, são uma intensificação do serviço já oferecido durante todo o ano. Segundo ela, equipes trabalham na busca de pessoas em situação de rua para ampará-las e incluí-las nos serviços de atendimento social.

Quando há consentimento por parte dessas pessoas, a equipe as leva até o serviço de acolhimento da Casa de Apoio, para que possam se alimentar, realizar higiene pessoal e dormir até o amanhecer, sem ficarem expostas ao frio.

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“Nestes dias de frio, a Casa de Apoio está trabalhando alucinadamente. Nesta segunda-feira, 24, estávamos com 64 pessoas acolhidas. Nós saímos dia sim, dia não, fazendo a busca à noite, e quase todos estão aceitando ir conosco. Por isso, a casa está cheia”, comentou a assistente social.

Conforme levantamento divulgado pelo setor, somente no sábado, 23, dez pessoas foram abordadas, das quais duas aceitaram ser encaminhadas ao serviço de acolhimento e uma seguiu para a entidade “Força para viver”.

Outras sete (que não eram de Tatuí) foram encaminhadas às cidades de origem. A elas, o serviço providenciou passagens de ônibus para o retorno.

Mirna informou ter 50 leitos de acolhimento na “Casa”, sendo 20 deles destinados ao alojamento provisório, onde os novos abrigados permanecem isolados por 15 dias, sem qualquer contato com os demais acolhidos, para evitar a disseminação do novo coronavírus.

Conforme a assistente social, diversas medidas de higiene são tomadas como forma de prevenção, inclusive, testes rápidos para a detecção da doença. Por eles, nenhum morador havia testado positivo para a Covid-19.

“Nós não paramos. Mesmo com casa cheia, continuamos a busca ativa. Temos uma rotatividade intensa de pessoas. Tem um pessoal que não para muito tempo, e sempre tem uma vaga. Se não tiver, a gente coloca um colchão no chão, mas não vamos deixar as pessoas passando frio na rua”, enfatizou a assistente.

Mirna lembra que, devido ao fato de a cidade estar situada próxima a grandes centros urbanos, como Sorocaba, Campinas e São Paulo, e também por ser margeada por duas importantes rodovias paulistas, Castello Branco e Raposo Tavares, o fluxo migratório de pessoas em situação de rua é alto.

Entre a população nessa condição – tida como “transitória” -, há registros de que o Serviço da Casa de Apoio ao Irmão de Rua São José atenda, em média, de sete a dez pessoas por dia, totalizando entre 210 e 300 ao mês.

Além disso, o programa de atendimento envolve outras ações além do abrigo, banho e alimentação. O trabalho também tem o objetivo de criar condições de acesso à rede de serviços públicos e à saída dessas pessoas das ruas.

Mirna ressalta que, durante a noite, especialmente nesta época de frio, quem encontrar pessoas em situação de rua buscando abrigo deve entrar em contato com a Casa de Apoio, à rua São José, 46, Jardim Wanderley, ou pelo telefone 3305-3895.

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