
Raul Vallerine
E o que vem depois do carnaval? Onde ficou a alegria. A folia. A realidade da fantasia? O que temos para comer Brasil? (Dayse Sene)
Dizem por aí que o Brasil só engata a primeira marcha depois que a última escola de samba cruzar a avenida. É o famoso “o ano só começa depois do Carnaval”.
A origem da expressão remonta a um comportamento histórico da sociedade brasileira. Durante o século XX, principalmente entre as décadas de 1950 e 1980. O Carnaval se consolidou como um dos eventos mais esperados do país, com festividades que mobilizavam grande parte da população.
Ela é uma das festas mais tradicionais do Brasil, movimenta milhões de pessoas e gera empregos, tornando-se um evento de grande impacto econômico e social.
Sua realização, em datas móveis entre fevereiro e março, faz com que muitos brasileiros esperem seu fim para iniciar novos projetos, como regimes, empregos, estudos e investimentos.
Será que a famosa expressão brasileira vem sendo usada há anos como justificativa para que objetivos, metas e responsabilidades estabelecidas no ano anterior somente sejam colocadas em prática depois das festividades carnavalescas?
Cada região do nosso País e cada pessoa tem seu ritmo e há quem de fato se sinta mais confortável em planejar o ano e as atividades para depois de fevereiro.
Mas devemos nos atentar e refletir se essas expressões usadas como justificativas não são apenas um disfarce mais confortável para adiarmos os objetivos mais difíceis que estabelecemos para o ano.
Quando decidimos colocar em prática planos que nos geram algum desconforto ou angústia, é comum que o início seja postergado sob desculpas como, por exemplo, o carnaval. O problema maior é a possibilidade de se continuar postergando primeiro para depois do Carnaval, depois da Páscoa, festas juninas e assim por diante.
O ponto de reflexão que é importante levantar, nestes casos, é menos sobre o ano que começa depois do carnaval e mais sobre as metas estabelecidas que a gente sabe a necessidade de realizá-las, mas, por algum motivo, não conseguimos ou de alguma forma não queremos dar o primeiro passo.
Se você planeja o seu “ano útil” para começar em janeiro, mas ele só começa no final de fevereiro ou mesmo em março, algumas metas podem se perder no caminho e há de se preparar para eventuais frustrações.
Afinal, são dois meses que podem ter ficado em suspenso sem necessidade e que poderiam tornar o resto do ano mais organizado e produtivo.
É preciso lembrar também que, enquanto esperamos o carnaval passar, o mundo não para e, seja qual for o âmbito das suas metas saúde, relacionamentos, familiar, financeiro ou profissional, o tempo passa da mesma forma e nem sempre as oportunidades perdidas podem ser recuperadas.
Planejamento é sempre a chave. O convite à reflexão que destaco aqui não é para você que planeja suas férias para o início do ano, mas para aqueles que se sentem paralisados para tirar os planos do papel e utilizam as festividades carnavalescas como uma espécie de justificativa.
Seja como for, o Carnaval passou e podemos seguir o ano para quem o iniciou em janeiro, ou começá-lo para quem deixa para depois das festividades! Seja para os que vão dar os primeiros passos agora ou para quem já está tirando os planos do papel, que seja um ano frutífero!
O futuro não espera o confete baixar. O futuro é construído agora, no detalhe, na gestão e na coragem de quem não espera o calendário dar permissão para trabalhar. Janeiro e fevereiro já foram. O que você construiu neles é o que vai te sustentar quando tudo voltar.




