‘Nós trouxemos amor’, diz lí­der de grupo missionário de Madagascar

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Cristiano Mota

Grupo de Madagascar integrado por músicos, artistas e dançarinos fará apresentações até o dia 28

 

“Nós viemos para evangelizar. Trouxemos amor às pessoas e queremos trocar experiências”. Descrita por Rabearisva Fidy, a missão do grupo de madagascarenses que está em Tatuí começou a ser colocada em prática nesta semana.

Os estrangeiros chegaram à “Capital da Música” na segunda-feira, 14. Na quarta-feira, 16, realizaram a segunda de uma sequência de trabalhos. Eles visitaram o Museu Histórico “Paulo Setúbal”, onde permaneceram por uma hora e meia.

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Anteriormente, os missionários haviam visitado pontos turísticos da cidade. Durante os 15 dias de estadia, eles devem conhecer o Conservatório Dramático e Musical “Dr. Carlos de Campos” e participar de uma apresentação – de uma série prevista para acontecer em igrejas – durante a “Festa do Doce”.

Fidy e os demais 39 madagascarenses vieram à Tatuí a convite do líder do Jubrac (Grupo de Jovens da Igreja O Brasil para Cristo), Lucas Augusto de Campos. O tatuiano conheceu parte dos integrantes do grupo de estrangeiros durante estadia na África do Sul, onde morou por um ano e oito meses.

Os missionários são músicos, estudantes e artistas que desenvolvem trabalhos em Antsahameva, na ilha de Madagascar. “Há muitas pessoas diferentes conosco e elas trabalham em muitas coisas”, disse Fidy, uma espécie de porta-voz do grupo.

Ele explicou que o Brasil é o primeiro país que o grupo visita para uma missão de evangelização. Antes de Tatuí, os estrangeiros estiveram no Rio de Janeiro, por ocasião da Copa do Mundo. Lá, desenvolveram trabalhos voluntários e assistiram as partidas do Mundial somente por meio da televisão.

Do Rio de Janeiro, o grupo partiu para Tatuí, onde permanece hospedado na sede da igreja O Brasil para Cristo. “A cidade é muito calma, pacífica. Estamos, realmente, aproveitando os lugares. Ontem (terça-feira, 15), visitamos muitos. A cidade é muito boa e nós podemos, mesmo, viver aqui”, brincou Fidy.

Sobre o trabalho do grupo, ele afirmou que a intenção é trocar experiências. Da “Capital da Música”, os estrangeiros esperam levar boas sugestões para Madagascar.

“As pessoas são sérias sobre todas as coisas. Por exemplo, o museu. Nós não temos um museu como esse. Nós até temos museu, mas não tão organizado”, elogiou.

A missão em Tatuí terminará no dia 28 e inclui apresentações de música, dança e de canto coral. “Essas são as coisas mais importantes que vamos trocar com o Brasil”, relatou Fidy. Da cidade, eles devem voltar a Madagascar.

Ratefiarisoa Andoniaina Volatantely tem 21 anos integra o grupo de estrangeiros, se disse encantada com a cidade e encarou mais de dois dias de viagem para estar no Brasil. A equipe fez dois voos e enfrentou uma longa escala até chegar ao país.

Na vinda, o grupo partiu de Madagascar com destino a Joanesburgo em voo de três horas. Em seguida, teve de esperar por 15 horas para tomar rumo a São Paulo.

“É minha primeira experiência internacional. Sou membro de um grupo de coral há três anos e vim porque quero compartilhar o gospel e promover a evangelização”, disse.

Por conta disso, os estrangeiros visitam os lugares públicos e aproveitam para convidar pessoas a comparecer às igrejas. A cada dia, eles atuam em um bairro. “A nossa primeira missão é ajudar as pessoas a receber Jesus Cristo em seus corações. E nossa missão em Tatuí é essa”, declarou Andoniaina.

Embora a impressão do grupo seja de que a cidade é pequena – em comparação com a capital –, Razafindratsira Anjatia afirmou que esse é um fator positivo. Conforme ela, os moradores da cidade são mais carinhosos e prestativos.

Como há uma aproximação maior, ela considerou que o grupo não terá dificuldades em cumprir a missão. “Talvez isso torne tudo mais fácil. Até porque, nós não falamos português. Falamos muito pouco e precisamos de ajuda”, falou.

Quem auxilia os estrangeiros e atua como intérprete é o líder do Jubrac. Campos acompanha o grupo em todos os momentos. “Desde a comprar um chip de celular às pequenas coisas. Tenho de estar envolvido em tudo, 24 horas”, relatou.

A proximidade com alguns membros é um facilitador para o convívio. O tatuiano conheceu parte dos madagascarenses quando fez um trabalho voluntário no continente africano. “Aproveitei para estudar inglês quando estive lá. Em janeiro, quando soube que eles viriam ao Brasil, sugeri que viessem para cá”, contou.

Campos é também responsável pela agenda de eventos dos missionários. Alguns dos compromissos são cumpridos “espontaneamente”. Caso de um aniversário “surpresa” no qual os madagascarenses foram convidados a participar.

Após a visita ao museu, no dia 16, o grupo viajou para Cesário Lange, para duas apresentações. Antes, os missionários visitaram a vila Angélica e o Jardim Ternura.

“De início, eles vão aos bairros e convidam as pessoas na comunidade para participar de apresentações”, explicou Campos. Elas acontecem sempre nas igrejas situadas nas comunidades visitadas, geralmente, unidades da O Brasil para Cristo.

A equipe que está em Tatuí é integrada por membros de diferentes denominações. Cada uma realiza um trabalho específico, que está sendo apresentado na cidade. “As pessoas são de religiões diversas, mas estão unidas num mesmo propósito”, disse Campos.

De acordo com ele, as visitas aos locais públicos servem tanto para apresentar a cidade para o grupo como estabelecer uma interação dele com a população.

“É exatamente esse o sentido. Não é só simplesmente uma apresentação. Queremos que eles recebam algo do município e aprendam algo da cultura brasileira”, falou.

O inverso também pode acontecer. Campos citou que existe intenção de um grupo de brasileiros – incluindo tatuianos – visitar Madagascar para, também, trocar experiências. “Eles já falaram sobre isso e, muito provavelmente, devem montar uma programação para quando estivermos lá”, declarou.

Parte da programação dos missionários na “Capital da Música” foi acompanhada pelo canadense Mike Melford. Ele atua na Global Volunteer Network (Rede Global de Voluntariado, na tradução do inglês) e está no município a convite de um amigo. O canadense atua em orfanatos em São Paulo e em projetos desenvolvidos por meio da organização junto a grupos indígenas.


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