‘Não vejo que desaceleração venha a prejudicar nossa escola’, diz Manu

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Executivo promove instalação de últimos laboratórios; exaustores estão sendo recebidos neste mês

 

“Não vejo, de forma nenhuma, que essa desaceleração venha a prejudicar nossa escola, porque a demanda já é muito grande”. Com essa análise, o prefeito José Manoel Correa Coelho, Manu, refutou a possibilidade de a queda no consumo representar algum tipo de consequência para o início efetivo da unidade local do Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial).

Segundo confirmou o Sindmetal (Sindicato dos Metalúrgicos de Tatuí e Região), o setor industrial vem registrando retração desde o final do ano passado. A causa é atribuída ao fim da redução do IPI (Imposto Sobre Produtos Industrializados) para os automóveis, revista pelo governo federal neste mês.

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Como efeito, as montadoras de automóveis passaram a estocar veículos em pátio e a reduzir a produção. Por conta disso, as empresas de Tatuí ligadas ao setor – e responsáveis pelo maior número de empregos – precisaram rever os planos.

Nos seis primeiros meses do ano, o setor demitiu 718 trabalhadores, com pico registrado no mês passado. Em junho, houve 259 “baixas”, de acordo com dados repassados pelo presidente do Sindmetal e secretário municipal da Indústria e Desenvolvimento Econômico e Social, Ronaldo José da Mota.

A situação gerou especulação de que haveria demissão em massa na cidade e intervenção da entidade classista.

Também em junho, juntamente com o Sindmetal, a Prefeitura convocou reunião com empresários para elaboração de ação visando reduzir o número de demissões. O primeiro encontro teve participação de representantes da Yazaki do Brasil, que fechou linha de produção.

Segundo o prefeito, os empresários apresentaram as razões das demissões e informaram que elas devem “voltar aos patamares normais” – em média 20 a 30 por mês.

“É bom justificar porque as empresas estão fazendo isso. Do contrário, a população pode pensar que há algum risco de haver colapso”, afirmou.

Manu disse, ainda, que as demissões em Tatuí são reflexo do que está ocorrendo no país e, principalmente, no Estado de São Paulo.

“Existe, realmente, uma desaceleração no ritmo do crescimento, em especial no setor industrial. É de se preocupar? Claro, mas nós já tivemos crise em 2008 e 2009”, falou.

Para amenizar os efeitos na cidade, o prefeito disse que convocou as reuniões. Os encontros aconteceram, também, com a Westglass, foco de divergências entre o Executivo e o vereador Alexandre de Jesus Bossolan (DEM).

No final do mês passado, o parlamentar afirmou que a empresa estaria deixando o município por falta de incentivos. Bossolan conclamou os órgãos de imprensa a abordar o assunto, alegou que Iperó havia dado incentivos fiscais para a Westglass e que os empresários não haviam sido atendidos pelo prefeito e pelo secretário da Indústria.

Também declarou, à época, que a mudança da indústria poderia prejudicar famílias de 40 trabalhadores e citou que havia feito a reclamação sem o consentimento dos proprietários.

Na mesma semana, o Executivo rebateu as informações, afirmando que os donos haviam sido atendidos pelo prefeito e secretário e que a transferência seria realizada de maneira temporária.

“Fiz questão de chamar os donos, novamente, para tentarmos encontrar uma solução para o problema deles”, declarou o prefeito. Manu disse que a Prefeitura tentou oferecer benefícios via Pró-Tatuí e um terreno em condomínio industrial. Entretanto, os proprietários já haviam locado uma área em Iperó.

“Devidamente corretos, porque já tinham denúncias e um abaixo-assinado, eles se foram provisoriamente”, comentou. Ainda segundo Manu, os empresários estão negociando com o Executivo para construírem, em Tatuí, uma planta definitiva.

Conforme o prefeito, o apoio visou, também, reduzir o quadro de demissões. Entretanto, Manu alegou que não existe possibilidade de os desligamentos interferirem no funcionamento do Senai. “Queira ou não queira, as empresas precisam, pelo menos, requalificar seus profissionais”, disse.

Ele citou, também, o fato de que as empresas estão interessadas mais na contratação de “jovens aprendizes”. Conforme o prefeito, esse é o perfil que “mais interessa para as empresas”. “Então, interessa muito ter essa ferramenta do Senai, para treinar os jovens a partir dos 14 anos de idade”.

Quase pronto

A unidade local do Senai está em “fase final”, segundo o prefeito. Conforme Manu, quase todos os laboratórios estão montados. O Executivo concluiu os que abrigam os tornos, as fresas e as máquinas de solda. “Deve chegar, nos próximos dias, os exaustores”, contou.

A Prefeitura programa a inauguração para agosto, ainda sem data definida. No mesmo mês, deve abrir o processo para inscrições. “Entretanto, o Senai, praticamente, já está funcionando”, enfatizou.

No momento, está sendo realizado, no espaço, o curso de restauro e preservação de prédios históricos. O Senai fica na rua Maneco Pereira, 619. O imóvel pertence ao Executivo e abrigou a antiga Escola do Sesi (Serviço Social da Indústria), transferida para terreno da vila Dr. Laurindo.

“O curso de restauro e o Senai são realidade. Todo mundo está vendo a turma trabalhando no mercadão”, afirmou o prefeito. Os alunos desse curso iniciaram, no final de junho, aulas práticas no Mercado Municipal “Nilzo Vanni”.

Manu disse que conseguiu fazer cumprir uma promessa que existia no município havia 16 anos. Também citou as mudanças que aconteceram no projeto nos últimos anos. A intenção inicial era de implantar a escola no terreno do antigo expurgo. De lá, o projeto mudou para um prédio junto à Tavex.

Em seguida, a Prefeitura mudou a localização para o Andrea Ville e cogitou parceria com a Acertar (Associação dos Ceramistas de Tatuí e Região).

“No fim, não foi feito em lugar nenhum. E nós, no primeiro ano de mandato, encontramos um local que ninguém havia pensado”, assegurou.

A nova sugestão teve de ser aprovada pelo Senai e passar por nova análise – a sexta. Segundo o prefeito, representantes do serviço só concordaram em refazer o “layout” por conta de “insistência e de ele fazer parte da base de Paulo Skaf”.

O candidato a governador de São Paulo é do partido do prefeito, o PMDB, e presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).

“Do dia que começou até o que vai terminar, teremos investido mais de R$ 1 milhão naquele prédio”, contou Manu. De acordo com ele, o espaço vai permitir qualificação para jovens e requalificação para quem está no mercado de trabalho.

A inauguração, em agosto, deve contar com “boa parte da equipe do Senai”. “Vamos fazer uma bela festa, trazendo toda população para que participe desse ato que vai ser histórico e marcante para o município”, encerrou o prefeito.


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