Versão adaptada de obras de imortais é discutida na cidade

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O projeto “Os Clássicos e a Literatura”, da escritora Patricia Engel Secco, tem sido alvo de discussões em todo o país. Em Tatuí, a iniciativa virou tema de ofícios enviados pelo diretor executivo do Conservatório, Henrique Autran Dourado, a diversos órgãos. Entre eles, o Ministério da Cultura.

Dourado enviou questionamentos a Marta Suplicy (com quem já trabalhou), à ABL (Associação Brasileira de Letras) e à UBE (União Brasileira de Escritores).

Até o momento, apenas a ministra enviou posicionamento sobre a iniciativa, que prevê “versões adaptadas” (simplificadas) de obras de Machado de Assis (“O Alienista”) e José de Alencar (“A Pata de Gazela”).

No ofício 067, Marta relata a Dourado que o projeto da escritora “não é mais do alcance dela”. A ministra reforçou a informação de que a autorização para captação de recursos havia sido dada em 2009 (antes de ela assumir).

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“Espero que isso não ocorra mais e que, daqui para frente, os projetos de obras voltadas a facilitar a ‘compreensão’ de autores consagrados passem por critérios mais rigorosos”, redigiu Marta no ofício, assinado por ela e datado em 28 de maio.

“Informo, ainda, que fiquei contrariada ao tomar conhecimento do fato, pois iniciativas como essa maculam os grandes escritores”, encerrou a ministra.

Em nota a O Progresso, o diretor executivo do Conservatório relatou que não “se lembra de ter visto uma manifestação da ministra com tal teor nesse imbróglio”.

As adaptações dos livros têm lançamento neste mês e provocaram debates por todo o país. O fato gerou uma onda de críticas à autora e ao próprio Ministério da Cultura, órgão ao qual Patricia submeteu a ideia das versões simplificadas.

O projeto consiste em reescrever os livros de “uma forma mais contemporânea”, para pessoas que desconheçam a figura dos dois escritores brasileiros. A proposta de “descomplicar” os autores gerou um racha entre intelectuais.


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