Tatuí integra ação nacional contra suicídio

    Programação da campanha “Setembro Amarelo” inclui palestras e atividades culturais

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    Psicólogo Janderson Mendes Miranda Martins fala sobre a campanha Setembro Amarelo (foto> AI Prefeitura)
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    Neste mês, o município tem como foco a prevenção ao suicídio. Tatuí aderiu à campanha “Setembro Amarelo”, pela qual, até o final do mês, serão realizadas palestras, rodas de conversas apresentações culturais e outras ações, por meio da iniciativa pública e privada.

    A campanha é promovida nacionalmente, desde 2014, pela ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria) em parceria com o CFM (Conselho Federal de Medicina). O Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio é celebrado em 10 de setembro, porém, a campanha é realizada ao longo de todo o mês.

    Em Tatuí, com o tema “Todos Pela Vida – Falar é a Melhor Solução”, órgãos das Secretarias de Saúde e de Trabalho e Desenvolvimento Social, da prefeitura, promoverão, a partir desta quarta-feira, 11, uma série de atividades voltadas à prevenção de suicídios. Todas com entrada gratuita.

    De acordo com o psicólogo Janderson Mendes Miranda Martins, diretor da Raps (Rede de Atenção Psicossocial) de Tatuí, a intenção é “mobilizar a população a pensar em todas as questões que envolvem o tema, desde as doenças que afetam a mente até a qualidade de vida e bem-estar das pessoas”.

    “Para alertar sobre o suicídio e debater a importância de identificar, prevenir e combater o problema, ajudando as pessoas que estejam enfrentando desafios, a programação da rede pública começa na quarta-feira”, acentuou o psicólogo.

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    A unidade ESF (Estratégia Saúde da Família) da vila Angélica, na rua José Orsi, 365, promove, às 10h, uma roda de conversa com a psicóloga Lucimara Rosa Ribeiro de Paula, aberta à população.

    Na ocasião, a profissional deve apontar quais os sinais que demonstram a tendência ao suicídio ou quando se está com algum transtorno mental, como a depressão e outras doenças.

    Já na quinta-feira, 12, às 13h30, o grupo PLP (Promotoras Legais Populares) apresenta o espetáculo teatral “Joanas”, na sede do Centro de Atenção Psicossocial (Caps), à rua Virgílio de Montezzo Filho, 201, no bairro Nova Tatuí.

    “Às vezes, a pessoa está passando por uma situação em que está pensando em tirar a vida, e os outros pensam que aquilo é momentâneo, mas não é. Com a peça, as PLPs vão trabalhar a questão da expressividade e, por meio da arte, devem mostrar que é necessário prestar mais atenção nos sinais”, comentou o psicólogo Martins.

    Ainda na quinta-feira, às 19h30, as psicólogas Jéssica Muhamed Covos e Kelly Davis Marigo, da clínica Meraki – Psicologia & Coaching, abordam o tema “Campanha de Prevenção ao Suicídio: Vamos falar sobre isso?”.

    As palestras serão ministradas, por meio do projeto “Espalhe Psicologia em Tatuí”, no Centro de Artes e Esportes Unificados “Fotógrafo Victor Hugo da Costa Pires”, o CEU das Artes, que fica na fica na rua Ana Rosa Monteiro, 475, vila Santa Helena.

    Segundo Jéssica, uma das organizadoras, o evento contará com duas palestras. Na primeira, a psicóloga Kelly falará das estatísticas que envolvem os casos de suicídio, fatores de risco e formas de prevenção.

    Na segunda parte, Jéssica abordará os fatores de proteção, como “resiliência para a vida”, rede de apoio, “habilidades de enfrentamentos” e informações para busca por ajuda. O evento, de iniciativa privada, é aberto ao público. Não é necessário fazer inscrição.

    “A intenção é falar da importância da campanha Setembro Amarelo, que é uma forma de quebrar o silêncio ou o tabu que ainda existe, e falar a todos sobre o suicídio, proporcionando acolhimento àqueles que passam por situações assim”, ressaltou a Jéssica.

    No sábado, 14, a ESF “Othoniel Cerqueira Luz”, da CDHU, promove o ato “Abra a Porta da Sua Casa e Seu Coração”. Ao longo de todo o dia, médicos, enfermeiros e agentes de saúde percorrerão as ruas do bairro e esclarecerão, os moradores, acerca das principais doenças que podem levar ao suicídio.

    “Dessa forma, em vez de o paciente procurar a unidade de saúde, os profissionais visitam as pessoas em casa, levando até ele informações e orientações sobre como prevenir o suicídio, explicando o que leva uma pessoa a ter pensamentos suicidas e quais os tipos de depressão existentes”, argumentou o diretor da Raps.

    Na quinta-feira, 19, haverá duas atividades. Às 9h, as advogadas Míriam Teodoro e Samira Santos, do projeto “Abrace”, de Itapetininga, promovem uma roda de conversa na sede do Caps e, às 19h, ocorrerá um “cine-debate” no CEU das Artes.

    A programação da rede pública ainda envolve quatro palestras sobre prevenção de suicídio nos Cras (Centros de Referência e Assistência Social) das unidades Norte, Sul, Leste e Central, com a psicóloga Jéssica Magalhães Andrade.

    No Cras Norte, à rua João Saulo dos Reis, 90, Jardim Gonzaga, a palestra acontece dia 23, às 13h; no dia 25, às 14h, é a vez do Cras Sul, na rua Osmil Martins, 305, no Jardim Santa Rita de Cássia; no Cras Central, da rua Ana Rosa Monteiro, 475, vila Santa Helena, o evento ocorre no dia 26, às 14h; e na unidade Leste, à rua Prefeito Alberto dos Santos, 285, vila Dr. Laurindo, no dia 27, às 14h.

    Na quinta-feira, 26, às 14h, a psicóloga Sandra Arca e a psiquiatra Cristiane Picarelli, de Sorocaba, abordam novamente o tema prevenção ao suicídio, em palestra ministrada no Caps. Toda a programação do mês é aberta ao público e não necessita de inscrição prévia.

    “Entre as atividades, também teremos palestras em escolas, grupos temáticos com usuários do Caps, reuniões com familiares, visitas às instituições de acolhimento de idosos e mobilização da rede de atendimento do município, até o final do mês”, acrescenta Martins.

    A campanha Setembro Amarelo será encerrada na sexta-feira, 27, às 9h, com passeata de mobilização sobre a prevenção ao suicídio, que sairá diante do paço municipal, na avenida Cônego João Clímaco, 140, centro, e seguirá até a Praça da Matriz.

    “Ainda há quem acredite que falar de suicídio pode incentivar as pessoas a se suicidarem, mas, pelo contrário, cada vez mais pesquisas mostram que é a ignorância e a falta de falar sobre o assunto que prejudicam as pessoas e acabam afastando-as da ajuda. Muitas coisas podem ser feitas para evitar o suicídio, mas é preciso envolver toda a sociedade”, enfatizou o psicólogo.

    Pesquisa da OMS (Organização Mundial de Saúde), divulgada na segunda-feira, 9, aponta que o suicídio é a segunda maior causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos no mundo, atrás apenas de acidentes de trânsito.

    O relatório também aponta que, a cada 40 segundos, uma pessoa se suicida, sendo que 79% dos casos se concentram em países de baixa e média renda. Quando se considera a faixa etária de 15 a 19 anos, o suicídio aparece como segunda maior causa de morte entre as meninas.

    A estimativa da OMS é de que cerca de 800 mil pessoas morrem por suicídio a cada ano (os números do relatório são referentes a 2016). No Brasil, foram registrados 13.467 casos, sendo a grande maioria (10.203) entre homens.

    Levantamento informal feito por O Progresso, por meio de boletins de ocorrências da Delegacia Central, aponta o registro de dez suicídios consumados em Tatuí durante os meses de janeiro a setembro de 2018, além de duas tentativas, sendo que cinco casos aconteceram no mês de agosto. Em 2017, foram 11 suicídios consumados e seis tentativas.

    Martins aponta que, além do aumento significativo de casos envolvendo jovens, 96,8% das ocorrências costumam estar relacionadas a transtornos mentais. Em primeiro lugar, está a depressão, seguida do transtorno bipolar e abuso de substâncias.

    Ele acrescenta que, em municípios que possuem Caps (Centros de Atenção Psicossocial), como Tatuí, os casos de suicídio costumam ser reduzidos em 14%, por conta da rede de atenção envolvida com o individuo.

    “Quando fazemos essas campanhas, a gente ensina como ajudar as pessoas, como aquelas que sofrem de algum transtorno (de humor, ansiedade, bipolaridade, entre outros) podem buscar ajuda, orienta e traz conteúdo. Tudo isso porque a gente precisa que as pessoas saibam identificar os gatilhos que levam ao suicídio”, destacou Martins.

    Segundo ele, os sinais de alerta são: tristeza e ansiedade; perda de interesse ou prazer pela vida, por hobbies ou atividades de forma permanente; dificuldade de concentração, de lembrança ou de tomada de decisões; pensamentos sobre morte ou tentativas de suicídio e diminuição da energia ou fadiga.

    Mais informações sobre as atividades podem ser obtidas com as equipes do Caps, pelo telefone 3251-4370, e da Secretaria de Trabalho e Desenvolvimento Social, pelo 3259-6664. Também pode-se buscar informações e procurar ajuda para falar abertamente sobre emoções com os atendentes do CVV (Centro de Valorização da Vida), discando o número 188.

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