Tatuí­ deve sediar fórum dedicado a discussão de inserção de deficientes

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A inclusão de pessoas com deficiência é o tema central de um fórum que está sendo planejado para acontecer em Tatuí no mês que vem. O evento deve ser realizado a partir de entendimentos entre a Prefeitura, a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) e Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial).

Tem como proposta criação de mecanismos que permitam às empresas absorver a chamada “mão de obra especial”. O Executivo deu o primeiro passo nesse sentido no dia 29 de julho, com realização de uma reunião entre representantes do município e dos órgãos da indústria. Participaram do encontro, membros do Sesi de Tatuí, do Senai de Tatuí e Sorocaba e do Ciesp sorocabano.

No paço municipal, os integrantes das entidades envolvidas discutiram possibilidades de ações com o diretor do Departamento Municipal do Bem-Estar Social e da Cidadania, Márcio Fernandes de Oliveira, e com o diretor municipal da Indústria, Marcos Bueno. Esse, representou o secretário municipal da Indústria, Desenvolvimento Econômico e Social, Ronaldo José da Mota.

A principal missão do fórum será discutir a inserção de deficientes físicos nas indústrias e empresas do município e região. O projeto prevê que a realização do evento no dia 29 de setembro e ainda não tem local definido para acontecer.

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Conforme o Executivo, a iniciativa visa atender interesses de empresas, do comércio local e dos próprios deficientes. No município, eles encontram dificuldades para conquistar vaga por uma série de fatores que incluem o grau de limitação, segundo a Apodet (Associação dos Portadores de Deficiência de Tatuí).

Por falta de condições de acessibilidade, empresas da cidade limitam a contratação de pessoas com deficiência, afirmou a presidente da entidade, Solange Sales Abude, em agosto. Em entrevista a O Progresso, ela declarou que, de modo geral, as empresas contratam pessoas com “pouca deficiência”.

Solange comentou sobre o processo de contratação de deficientes que ganharam 92 vagas na região de Sorocaba por meio do “Emprega São Paulo”. No fim do mês passado, o programa do Estado apontou que quatro delas estavam sendo oferecidas na cidade. Neste mês, todas haviam sido preenchidas.

Além do programa, Solange informou que os deficientes estão sendo contratados diretamente pelas empresas “de grande porte” de Tatuí. Segundo ela, há muitas vagas abertas no município, por conta da “lei de cotas”. Ela exige que os deficientes sejam admitidos com base no número de funcionários.

Proporcionalmente, empresas que tenham entre cem a 200 funcionários devem preencher 2% dos cargos com deficientes; de 201 a 500, a porcentagem sobe para 3%; de 501 a 1.000, é 4%; e de 1.001 em diante, são necessários 5%.

A presidente da Apodet considera a lei muito importante, mas afirmou que não “vê que a contratação está ligada somente à responsabilidade social”. Também conforme ela, no geral, são contratadas pessoas com deficiências menos severas.

De acordo com ela, essa limitação por parte de empresas para contratar deficientes acontece por falta de condições de acessibilidade. O problema maior é que as contratantes querem evitar o custo para adaptações que, muitas vezes, é alto.

A presidente contou que há pouca procura por parte de empresários a deficientes que necessitam de mais acessibilidade, como os cegos, por exemplo. Solange desenvolve ações em empresas para mostrar o que seria necessário melhorar e adaptar, caso o local necessite contratar um deficiente.

O trabalho consiste na montagem de um posto na empresa que solicitar a admissão de deficientes. No espaço, a Apodet projeta quais mudanças seriam necessárias para que a pessoa com limitação pudesse trabalhar tranquilamente.

De modo a preencher as vagas mais rapidamente, o prefeito José Manoel Correa Coelho, Manu, informou que determinou a criação de novas políticas voltadas para a questão da contratação das pessoas com deficiência. Segundo ele, além do fórum, o Executivo está “estreitando relacionamentos” com as empresas para fazer a contratação via Secretaria da Indústria.

“Por meio do bom relacionamento do Ronaldo (secretário) com as indústrias aqui instaladas, nós estamos conseguindo abrir um canal para colocar, diretamente, as pessoas que têm deficiência no mercado de trabalho”, disse.

Manu antecipou, ainda, que o Executivo já encaminhou pessoas com deficiência – e que residem em Tatuí – para empresas sediadas no município. Conforme ele, algumas delas estão em fase de seleção (entrevistas). “Nós temos tido um olhar especial para isso”, adicionou o prefeito.

Segundo o prefeito, a iniciativa do município atende a uma necessidade de empresas com mais de cem funcionários. Por lei, elas são obrigadas a contratar deficientes. “Atendendo a esse interesse, nós começamos a correr com isso”, disse.

Manu disse que a ideia do fórum chegou ao município por conta da ligação que Tatuí tem com o Sistema “S” (formado por Sesi, Senai e Sesc – Serviço Social da Comunidade). O Executivo passou a “estreitar laços” por conta da implantação da Escola do Senai – que deve ser inaugurada até outubro.

“Quando nós tomamos conhecimento desse programa, fomos atrás para trazê-lo”, comentou o prefeito. De acordo com ele, a intenção é beneficiar os trabalhadores e, com isso, abastecer as indústrias e empresas com mão de obra especializada.

Para isso, a Prefeitura está debatendo possibilidades, como as que integram o projeto “Meu Novo Mundo”, fórum que tem como objetivo viabilizar ações conjuntas para inclusão profissional de pessoas com deficiência. A proposta é agregar os deficientes na condição de aprendizes, em indústrias cujas matrizes estejam localizadas no Estado de São Paulo, via aprendizagem industrial.

Lançado neste mês em São Paulo, o programa abrangerá, ainda, inclusão digital, atividades esportivas e cidadania, bem como elevação de grau de escolaridade.

O fórum contempla abordagens de temas como formas de cumprimento das cotas legais, apresentação jurídica do projeto e pedagogia do exemplo, com atletas paralímpicos do Sesi, de São Paulo. Ele também é aberto a pronunciamentos e a debates entre representantes das entidades e empregadores.

A solenidade para assinatura do termo de cooperação entre a Fiesp, o Senai e a SRTE (Superintendência Regional do Trabalho e Emprego), de São Paulo, aconteceu em São Paulo. O acordo oferece “segurança jurídica aos aderentes”.


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