Selo no rosto

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Na retomada de suas reuniões mensais, após o período de recesso de final de ano, o Comtur (Conselho Municipal de Turismo) apresentou a proposta de instituição de um selo de qualidade turística em Tatuí.

Para tanto, o vice-presidente da entidade, César Augusto de Araújo, informou que o conselho formalizou parceria com o São Paulo Convention & Visitors Bureau e conseguiu autorização para utilizar a marca registrada da instituição, conhecida como o “Bem Receber”.

Araújo afirmou que o Comtur de Tatuí é o primeiro conselho a solicitar parceria e autorização para uso da marca. “No início, o São Paulo Convention & Visitors Bureau não queria liberar a marca, mas, no final, fomos aprovados”.

Mediante a autorização, o Comtur desenvolveu um modelo de selo a ser lançado neste ano, acompanhado pelo regulamento. A própria instituição enviou a primeira arte e o conselho a adequou em formato de selo.

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O vice-presidente revelou que a intenção é criar placas de acrílico para os estabelecimentos as colocarem em determinados locais, identificando que possuem o selo de qualidade turística e que estão dentro das normas e regulamentos.

A intenção é lançar a identificação na próxima reunião do conselho, dia 1o de março. Nessa data, o presidente executivo do Convention & Visitors Bureau deve vir à cidade para ministrar palestra sobre turismo, capacitação e benefícios da parceria com a entidade.

Para o órgão local, o selo é uma “abertura de portas” para que a cidade ganhe pontos em relação à lei do uso dos municípios de interesse turístico. “Vamos ficar em evidência como centro de lançamento desse selo, usando essa marca”, argumentou Araújo.

O selo de qualidade turística, edição 2016, é uma certificação totalmente gratuita, cujo objetivo é incentivar a melhoria no atendimento, “como elemento de reconhecimento daqueles que investirem na qualidade dos serviços oferecidos aos clientes e turistas”.

Agências de turismo, restaurantes, bares e similares, atrativos turísticos públicos, filantrópicos ou privados e demais serviços turísticos podem solicitar a avaliação para aprovação do selo em seus estabelecimentos.

Para obter a qualificação, o estabelecimento deverá protocolar, junto ao Departamento Municipal de Cultura e Desenvolvimento Turístico, o requerimento de inscrição (fornecido pelo Comtur), além da cópia do CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica).

Será obrigatório, também, estar com todas as licenças de funcionamento vigentes. Para as avaliações, haverá uma comissão de análise, organizada pelo Comtur, com pessoas relacionadas ao segmento.

O selo deverá ser solicitado até o dia 30 de junho de 2016, podendo ser prorrogado por mais 60 dias, em reunião deliberativa do Comtur.

A análise deverá ser realizada no prazo de até 60 dias, após a data do protocolo dos requerimentos, e entrará em vigor na data de homologação. A concessão do selo terá validade até o dia 31 de dezembro de 2016.

Cada empresa receberá apenas um selo e o estabelecimento que fizer o uso indevido da qualificação sofrerá penalidades, podendo ser proibida de participar das próximas edições.

Para o presidente do Comtur, Wagner Eduardo Graziano, o objetivo do selo é, a cada ano, melhorar as características das empresas. “Este ano, nós temos algumas exigências mínimas; no próximo, veremos quais serão as regras. Assim, as empresas podem ir se adequando”, explicou.

“Esse selo é uma motivação para os estabelecimentos. Não é uma regra, é para quem quer. Eu penso que é um grande negócio”, acrescentou.

O vice-presidente citou exemplos: “Digamos que eu queira ter o selo de qualidade turística. Então, preciso ter acesso acessibilidade, e preciso fazer o mínimo possível para conseguir adquirir. Ou seja, a pessoa acaba melhorando para conquistar o selo, e, assim, nós podemos nortear as empresas para que elas melhorem”.

Outro assunto tratado na reunião mais recente da entidade foi o projeto de turismo pedagógico educativo, que prevê a criação de cartilha sobre turismo e cidadania, aperfeiçoamento aos professores, “city tour” pedagógico e, ao final de cada ano, uma competição para revelar os conhecimentos adquiridos.

A ideia é que os alunos visitem diversos locais importantes de Tatuí para conhecerem a história e, após as visitas, “trabalhem” com redação, pintura e música, tendo como tema o universo que conheceram.

Outro tema abordou o planejamento do festival “Sabores Gastronômicos de Tatuí”, para o qual os conselheiros montaram uma comissão.

As reuniões do conselho acontecem em toda primeira terça-feira de cada mês, às 17h, na praça Martinho Guedes (da Santa), 12. Informações pelo 3259-4135, ou por e-mail (comturtatui@gmail.com).

O São Paulo Convention & Visitors Bureau é uma entidade sem fins lucrativos, que busca ampliar o volume de negócios e o mercado de consumo, por meio da atividade turística, apoiando a melhoria dos serviços e atendimento aos visitantes.

O programa Bem Receber é uma iniciativa de abrangência nacional que objetiva aprimorar a qualidade dos pequenos negócios de turismo, responsáveis por 90% dos empreendimentos do setor, “estimulando seu melhor desempenho nas áreas ambientais, econômicas, culturais e sociais, contribuindo para o desenvolvimento sustentável do país e para a melhoria da imagem do destino do Brasil no exterior”.

Mais essa iniciativa na área turística, claro, é muito bem-vinda – e Tatuí já merece ter suas virtudes reconhecidas e começar a explorá-las com mais eficiência e maturidade.

Apenas, além dos setores observados, é preciso lembrar que os serviços de saúde – públicos e particulares – também são vitais ao turismo. Neste sentido, mais uma vez, o (bom) atendimento faz toda a diferença.

Particularmente, quando o cidadão – turista ou não – paga para receber um serviço, ele não pode ser recebido com displicência ou arrogância no balcão de um hospital. Se ele reclama, é porque está com dor ou preocupado com alguém – um filho, por exemplo.

Nesse caso, o correto é atenção, compreensão e solução do eventual problema – jamais um olharzinho ameaçador em direção ao segurança, dando a entender que o usuário do serviço deve se calar, como se ali estivesse mendigando um socorro, em situação humilhante e sob o risco de ser agredido…

Infelizmente, isto não é incomum, como não é inusitado um turista passar mal e precisar de socorro, como qualquer ser humano.

O problema é que não se pode impor selo de qualidade aos serviços de saúde – os quais, aliás, não deixam de contribuir apenas com o turismo local, mas prejudicam o país como um todo…

Enfim, o melhor selo de qualidade turística é aquele impresso com um sorriso no rosto do visitante, especialmente quando ele vai embora disposto a voltar e, mais que isso, motivado a “falar bem” de onde esteve.

Certamente, este é o maior desafio para a consolidação de Tatuí como uma opção efetiva e relevante de turismo no Estado de São Paulo. Potencial há, de sobra.


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