Romaria até a cidade de Pirapora do Bom Jesus completa 50 anos

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Giorge de Santi

Peregrinos de Tatuí trazem trajeto até Pirapora há 50 anos; grupo que sai do município é composto por 80

 

Caminhar 130 quilômetros, enfrentando sol, chuva, carregando uma cruz de madeira que pesa aproximadamente 60 quilos e levando um andor com a imagem do Bom Jesus. Esse ritual repete-se há anos na Semana Santa, praticado por fiéis católicos. Atualmente, são cerca de 80 peregrinos, que levam três dias para concluir o trajeto até Pirapora do Bom Jesus.

Lupércio Bernardo foi quem deu início à peregrinação, nos anos 60. O filho dele, José Cláudio Bernardo, conhecido como “Cláudio Itatiba”, 52, conta que, após o falecimento do pai, em 1989, ele se tornou o organizador oficial da romaria, não deixando “morrer” o costume.

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Bernardo lembra que o pai trabalhava com máquinas de debulhar milho e tinha o hábito de não parar o serviço na Semana Santa. Por algumas vezes, conta, o pai perdeu maquinários por conta de mais de um incêndio.

“No primeiro ano de peregrinação, foram meu pai e mais dois funcionários para agradecer ao Bom Jesus pelas graças alcançadas e intercederem pelos problemas dos maquinários”, explica.

Segundo o organizador, a procissão já chegou a reunir 350 pessoas, sendo que várias tiveram seus pedidos atendidos depois de ingressarem na jornada, ou até mesmo antes. Como agradecimento, percorrem o trecho anualmente. “Passei a cumprir a promessa com mais fé depois de sofrer um AVC (acidente vascular cerebral) e ficar 32 dias internado em uma UTI (unidade de terapia intensiva). Estava até desenganado pelos médicos, me recuperei e não tive nenhuma sequela”, afirma Bernardo.

“Participo da romaria desde meus 11 anos e, atualmente, vou com a minha família, para agradecermos ao Bom Jesus pelas graças derramadas em nós e realizar minha devoção, com o coração. A fé nos incentiva a percorrer quilômetros a pé, para agradecermos os milagres ocorridos em nossas vidas”, comenta.

O público é bem diversificado, há mulheres, homens, jovens, idosos e até crianças. “Durante a viagem, fazemos constantes orações até chegar ao destino final. Um caminhão nos acompanha com alimentos, malas, colchões, nos dá apoio”, diz Bernardo.

Os peregrinos chegam a Pirapora na sexta-feira, feriado da Paixão de Cristo, por volta das 7h30. Logo na entrada da cidade, fazem orações e seguem pelas ruas, levando a cruz e o andor, com a imagem do Bom Jesus, até a paróquia. Depois, retornam para Tatuí de ônibus fretado, doado por empresa turística.

“Não existe nenhum procedimento para participar da romaria, é só comparecer no dia. Pedimos, também, para levar somente o necessário na mala, pois a caminhada é longa”, argumenta.

Este ano, os romeiros se reunirão às 10h, na igreja da Paróquia Santa Cruz, na terça-feira, 31. Após a bênção do padre Marcos, eles partirão a Pirapora.

“Decidimos sair mais cedo este ano porque, no trecho que fazemos de Tatuí a Boituva, a estrada é muito ruim para andar à noite, e, antes de anoitecer, já estaremos em Boituva”, esclarece o organizador.

Para comemorar o meio século de existência da romaria, a programação será um pouco diferente. Na cidade de Porto Feliz, haverá um almoço “especial”. “Faremos uma “festinha” com música e um almoço diferenciado de todos os anos”, ressalta.

“Pedimos a cada peregrino para ele ver se está em condições de viajar conosco, se está bem de saúde, se aguenta a caminhar. Cada romeiro se responsabilizará por si próprio”, finaliza Bernardo.

Cartazes da romaria foram espalhados nas paróquias de Tatuí e arredores. Quem se interessar em participar basta ligar para os telefones: (15) 99724-1827 ou (15) 99719-8497.


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