Quilombo dos Palmares

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“Escravidão é o estado da pessoa que se acha submetido à propriedade absoluta de outra, que pode comprá-la, vendê-la ou transferi-la a uma terceira”.

Quilombo dos Palmares

A escravidão no Brasil existiu por mais de três séculos. O início da colonização foi marcado pela escravização dos índios, mas no decorrer do século XVII, a mão-de-obra negra substituiu a indígena nas áreas agro e exportadora.

A resistência do negro à escravidão foi característica marcante da história dos africanos nas colônias americanas, e os escravos responderam à exploração com má vontade, à sabotagem ao trabalho, a revolta ou a fuga para os quilombos.

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O Dicionário do Brasil Colonial nos informa que, a palavra “quilombo” é originária do banto “Kilombo” e significa: “Acampamento” ou “Fortaleza” e foi usada pelos portugueses para denominar as povoações construídas por escravos fugitivos.

Essa forma de resistência foi muito comum no Brasil durante o período da escravidão, existindo quilombos no Amazonas, Maranhão, Pernambuco, Bahia, Sergipe, Mato Grosso, Minas Gerais, São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

No começo do século XVII foi construído em Alagoas o primeiro Quilombo dos Palmares, o mais famoso de todos do Brasil. Palmares era uma verdadeira cidadela de resistência a todos os ataques vindo por parte dos fazendeiros.

Estima-se que a população de Palmares tenha chegado à cerca de 25 a 30.000 pessoas, no período compreendido entre 1620 e 1695. A organização de Palmares era de uma cidade composta por ruas largas e perpendiculares com casas construídas lado a lado, com um ou dois pisos, sendo que tais ruas eram tão extensas não se via o fim das mesmas.

Toda a cidade é ladeada por grandes paliçadas e profundos fossos. Imagina-se, portanto que o famoso Quilombo do Gigante em Palmares construído pessoalmente por Zumbi tenha sido 85 anos depois deste relato algo igual ou superior à cidade de Benin. Caso contrário, não teria sido necessário o envio de 11.000 soldados e 05 (cinco) anos de cerco com artilharia pesada e canhões para destruí-lo.

Até a destruição de seu reduto principal, em 1695 (cem anos depois), Palmares foi, de fato, um verdadeiro Estado autônomo encravado na capitania de Pernambuco, no auge de sua produtiva existência suas relações com as comunidades vizinhas chegaram a ter momentos de uma troca econômica rica e organizada. E essa autonomia, abalando a autoridade colonial, motivou uma repressão jamais vista.

Zubi e a Liberdade!

Os habitantes de Palmares, liderados por Zumbi e Gangazuma e estes assessorados por hábeis generais como Bambuza, Cynianta, Dumdum, Mukumbe, Papua, Shegun e outros valorosos membros das elites tribais africanas trazidas para o Brasil tinham uma estrutura de defesa e uma capacidade de resistência somente comparável à cidade de Tróia na história da humanidade.

Palmares foi finalmente destruído no dia 20 de novembro de 1695, depois de pelo menos cinco anos de ataques sucessivos liderados por Domingos Jorge Velho, André Furtado de Mendonça e Bernardo Vieira de Melo em expedições financiadas pela Coroa Portuguesa e fazendeiros locais.

Por isto feito, ambos receberam concessões de sesmarias e prêmios, depois de levarem a cabeça de Zumbi a Recife e exposta na praça central de Recife, para inibir novas tentativas de revolta contra a escravidão.

Mas tanto Jorge Velho, como André Furtado de Mendonça e Bernardo Viera de Melo tiveram ao invés da glória, um fim trágico.

O primeiro, após radicar-se no Ceará, morreu no total esquecimento. Bernardo Vieira de Melo foi preso em Porto Calvo a mando do Governador Caldas e remetido a Lisboa, onde morreu na prisão. André Furtado de Mendonça, preso por envolvimento com uma insurreição, foi assassinado por desconhecidos.

De 1596 a 1716, ano da destruição de seu último reduto, os palmaremos suportaram investidas de 66 expedições militares e atacaram 31 vezes. E em toda essa luta avulta a figura do grande líder Zumbi.

Estrategista comparável aos grandes generais da História ocidental, como Ciro, Aníbal, Alexandre e Napoleão, Zumbi dos Palmares, morto à traição em 20 de novembro de 1695, aos 40 anos de idade, é hoje visto como o maior líder da resistência antiescravista nas Américas.

A data de sua morte, dia 20 de novembro de 1695, será sempre lembrada como Dia Nacional da Consciência Negra. Zumbi está cada vez mais vivo em nossa história, não só como o herói do povo negro, mas como um ícone da luta pela liberdade.


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