Quase 500 pacientes aguardam em fila de espera por cirurgias eletivas

Pouco mais de 66% das contratadas estão sendo feitas; quadro deve mudar

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Quase 500 pessoas aguardam em fila de espera por cirurgias eletivas somente na Santa Casa de Misericórdia. O número foi apresentado pelo secretário municipal da Saúde, enfermeiro Jerônimo Fernando Dias Simão, na manhã de quinta-feira, 28 de setembro, e representa pouco mais de 66% do total de operações contratadas pela Prefeitura.

Nesse dia, o Executivo tinha em espera 246 cirurgias de pedra na vesícula, 141 de hérnias e 96 de hemorroidas. A demanda é ainda maior, já que não estão contabilizados os dados de ortopedia e do ambulatório de traumatologia.

Conforme o secretário, alguns dos pacientes não dependem do município para serem operados. Este é o caso de pessoas que aguardam por cirurgias no joelho, por exemplo. Elas são consideradas de “alta complexidade e dever do Estado”.

Em média, a Prefeitura paga à Santa Casa para que realize 120 cirurgias por mês. Esse total é dividido entre as especialidades e os procedimentos gerais, em crianças e adultos.

A contratualização prevê operações de ortopedia, oftalmologia (catarata) e cirurgias plásticas reparadoras. “Isso é o que somos credenciados pelo SUS (Sistema Único de Saúde) para fazer. Eu não posso fazer o que não tenho credenciamento”, argumentou o titular da secretaria.

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Do total contratualizado, a Santa Casa tem feito, no geral, em torno de 80 procedimentos, o equivalente a 66,66% do número que deveria realizar. Isso significa que 33,34% das cirurgias contratadas não estão sendo realizadas. Os motivos são o atraso nas gratificações de incentivos e falta de condições de trabalho.

A Prefeitura mantém dois convênios com os especialistas, um para as cirurgias eletivas e outro para as de urgência e emergência. Este último, atende pacientes que dão entrada em situações graves (e com prazo de resposta imediato), como acidentes de trânsito, quedas e tiros, entre outros. “Quando chega pelo pronto-socorro opera, mas não computa na eletiva”, informou o secretário.

Simão enfatizou que a Santa Casa tem atendido totalmente à demanda das operações de urgência e emergência. Entretanto, não está dando conta de atender aos pacientes que aguardam por operações como pedra nos rins e vasectomia, por exemplo.

De acordo com o secretário, alguns dos pacientes estão aguardando operações desde 2014; outros, deram entrada nos pedidos no ano de 2015. Como a demanda não está sendo atendida no ritmo necessário, há “represamento”.

Ainda na visão de Simão, outro fator que contribuiu para o aumento do tempo de espera e, portanto, da fila, é o fechamento dos leitos do SUS.

De acordo com o secretário, antes de maio, o hospital havia desativado alguns quartos. A administração anterior também reduziu o atendimento da UTI (unidade de terapia intensiva) em 50%, conforme ressaltou o enfermeiro.

“Nós reabrimos a UTI com capacidade total em menos de 48 horas, porque ela estava trabalhando com capacidade reduzida por falta de equipamentos”, argumentou.

Simão também disse que, mesmo com dificuldades, a Santa Casa registrou aumento nas internações. Até maio, o secretário afirmou que o hospital recebia média de 270 pacientes por mês. Depois da intervenção, passou a 360.

Esse “crescimento” teria forçado as equipes a trabalharem mais, mas sem relação com a demissão de funcionários realizada pelo hospital no início deste ano.

Os desligamentos – 36 deles por corte anunciado como medida necessária para reajuste fiscal – geraram ação do Sinsaúde (Sindicato Único dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Sorocaba e Região).

Posteriormente, a Santa Casa foi obrigada a recontratar os funcionários demitidos, o que permitiu a manutenção do mesmo nível de atendimento. “Não temos déficit de funcionários. Quando fizemos a intervenção, realmente, o fluxo de pacientes aumentou muito, e isso exige mais da equipe”, apontou Simão.

As dificuldades das equipes serão avaliadas a partir desta semana pela nova interventora. Márcia Aparecida Giriboni de Souza declarou a O Progresso que buscará solucionar todos os problemas de ordem administrativa e financeira do hospital. “É uma grande responsabilidade, vamos dar o melhor”, comentou.

Há 30 anos na Prefeitura, a interventora começou a vida profissional no antigo DMS (Departamento Municipal de Saúde). Ela ingressou na administração no cargo de escriturária, tendo formação técnica contábil. “Fiz toda minha carreira na Saúde, gerenciando e administrando setores”, contou Márcia Aparecida.

A interventora trabalhou na Santa Casa por quatro anos, na função de assessoria da diretoria técnica. Em entrevista, ela destacou que a primeira providência será a normalização das cirurgias eletivas (reportagem nesta edição) e a adoção de medidas que permitam a melhoria das condições de trabalho dos cirurgiões.

No encontro com os profissionais, quarta-feira, 27, Márcia Aparecida recebeu pedido de aquisição de novos aparelhos para a ampliação da capacidade do centro cirúrgico. “Eles querem aumentar, mas querem ter segurança para que possam realizar os procedimentos”, contou.

Para atender às exigências, a interventora espera contar com a colaboração da população. Márcia Aparecida pretende lançar, com ajuda da equipe administrativa e do corpo médico, campanhas para aumentar o caixa do hospital.

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