Pela excelência

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Em geral, os serviços públicos – dos locais aos federais – têm, historicamente, carregado qualificações muito mais lamentáveis que dignas de entusiasmo. Falta de atenção (senão de educação), morosidade e, principalmente, resultados “a descontento” costumam ser suas características mais relevantes.

As causas – também destacadas tradicionalmente – seriam a desmotivadora estabilidade no emprego, a falta de treinamento, de estrutura e (sempre) de recursos.

Aliados ao alto custo de manutenção pelos governos – a despeito da alegada eterna falta de dinheiro –, essas peculiaridades têm sido utilizadas como as maiores justificativas para a privatização dos serviços púbicos.

Em muitos casos, este processo serve, simplesmente, aos interesses de grupos – políticos ou não -, os quais, então, dilapidam o patrimônio nacional.

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E tão ruim quanto: os serviços continuam problemáticos, até porque as mudanças não teriam ocorrido tendo o interesse público no escopo, mas tão somente o financeiro, desses grupos.

Em outras privatizações, porém, há nítida melhora na prestação dos serviços. Ou seja, não há como se apegar a convicções ingênuas, segundo as quais a privatização garante competência e o Estado é sempre incapaz, ou exatamente o contrário: o Estado sempre prioriza o povo e a iniciativa privada, por apenas visar lucro, prejudica a população.

Existem áreas em que a incapacidade do Estado é só repassada à selvageria da iniciativa privada, quando absolutamente mesquinha. Também acontece dessa passagem resultar em melhoria real dos serviços, mas, em simultâneo, ao aumento de custos em tal ordem que a população não tem condições de pagar.

No entanto, ainda, há empresas que prestam ótimos serviços – e a preços justos -, tal como o Estado oferece outros tantos serviços exemplares. Um destes excelentes serviços públicos é representado pelo Poupatempo.

Ao passo em que os usuários de determinados serviços saem, invariavelmente, reclamando do atendimento prestado, é quase impossível encontrar um cidadão que saia insatisfeito do Poupatempo (a não ser aqueles que, inacreditavelmente, vão lá solicitar novas vias de documentos e saem presos, por estarem foragidos da Justiça…)

O resultado é que, enquanto alguns serviços públicos e privados – como as da área de telefonia – ganham cada vez mais antipatia e desconfiança da população, outros, como o Poupatempo, destacam-se pela aprovação e, especialmente, pela confiança – seu maior patrimônio.

Não por outro motivo, com certeza, demais serviços públicos buscam aproximar-se do Poupatempo, assim investindo e apostando em mais eficiência e consequente salto de qualidade.

Em Tatuí, seguindo essa lógica, deste o dia 27 de janeiro, o Procon – Fundação de Proteção ao Consumidor passou a funcionar junto ao Poupatempo.

Na terça-feira, 11, o serviço recebeu “visita técnica” do secretário estadual da Gestão Pública, Davi Zaia. Acompanhado de assessores, ele também visitou o espaço que abrigará o terceiro ponto do “Acessa São Paulo” em Tatuí, no Jardim Santa Rita de Cássia.

Zaia elogiou as novas instalações do Procon e disse que, no Poupatempo, ele será ampliado. Além do “padrão de atendimento”, o serviço já está sendo oferecido aos sábados. “Isso facilita muito a vida da população”, comentou.

Mantendo previsão feita em janeiro de 2013, o prefeito José Manoel Correa Coelho, Manu, afirmou que, além do PAT (Posto de Atendimento ao Trabalhador) e do Procon, o Poupatempo deve abrigar outro serviço oferecido pela Prefeitura: o BPP (Banco do Povo Paulista).

Para que isso aconteça, o prédio atual deverá passar por nova readequação de espaço. A ida do Procon exigiu que a equipe técnica do Poupatempo realocasse o setor de triagem de atendimento ao público e de entrega de documentos.

A mudança permitiu a criação de uma “sala de audiência”. O espaço é utilizado por um advogado para instrução dos consumidores e conciliação entre os reclamantes e os prestadores de serviços que forem acionados.

Nos próximos meses, o Banco do Povo Paulista poderá ser deslocado para o prédio, que fica na avenida Coronel Firmo Vieira de Camargo, 135, no centro.

Conforme o prefeito, a transferência deverá ser realizada a partir da unificação dos setores de emissão de RG e de CNH (Carteira Nacional de Habilitação).

Manu afirmou que o processo de transferência está sendo analisado, também, pela municipalidade, uma vez que envolve o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial).

O Procon no Poupatempo Tatuí conta com três mesas para atendimento e um setor de conciliação. São seis funcionários à disposição para auxiliar a população, sendo um deles advogado.

O coordenador do serviço, Adilson Diniz Vaz, afirmou que os atendimentos passaram a ser oferecidos com “padrão elevado”.

A média é de 80 reclamações por dia, com expectativa de aumento da demanda em 60% ainda para o primeiro semestre deste ano. Vaz explicou que essa perspectiva leva em conta a abrangência do público que frequenta o Poupatempo.

De acordo com ele, o Procon já atendia a consumidores da região. “São pessoas que vivem em cidades pequenas, mas próximas de Tatuí e que não contam com o serviço”, falou. Entre elas, Capela do Alto, Cesário Lange e Quadra.

Muito bom. Qualquer iniciativa que venha a beneficiar a população é sempre bem-vinda. Entretanto, o ideal, além de ter serviços agregados aos órgãos tidos como exemplares, é ir buscando a excelência de todos os serviços públicos, estejam eles onde estiverem.


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