Pedreiro é preso acusado de degolar amante e abandonar menino de 4

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Polícia Militar

Segundo PC, suspeito teria tentado usar testemunhas como álibes

 

Edson Beajone de Assis é suspeito de ter cometido um dos crimes mais bárbaros investigados pela Polícia Civil neste ano. O pedreiro (de idade não informada) acabou detido por investigadores na manhã de quarta-feira, 9, por determinação do delegado titular do município.

José Alexandre Garcia Andreucci, que comandou as investigações, disse estar convencido de que Assis teria assassinado a amante, Simone Rodrigues Barbosa, 36, e abandonado o filho dela, um menino de quatro anos.

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A criança teria permanecido trancada no imóvel, localizado no Parque San Raphael, pelo período aproximado de 14 horas, junto ao corpo da mãe.

A PC chegou à suspeita da autoria após ouvir as primeiras testemunhas. O corpo de Simone foi encontrado degolado, por volta das 20h de terça-feira, 8. “Trata-se do terceiro homicídio do ano e de um caso trágico”, disse Andreucci.

Ao receber o chamado, o delegado acionou o GTO (Grupo Tático Operacional), que deslocou efetivo ao local. Na residência, os investigadores encontraram Simone morta, na cama. A vítima estava nua e apresentava um corte profundo no pescoço e ferimentos provocados com faca em várias partes do corpo.

Ela residia na rua Benedito Mendes de Almeida, somente com o filho. A casa é considerada pequena (tem dois cômodos) e não apresentava reboco e pintura.

No imóvel, os investigadores encontraram dois preservativos usados e conversaram com testemunhas. Entre elas, Assis, que teria encontrado o corpo.

A PC constatou que a criança resgatada da residência havia permanecido no local junto ao corpo da mãe.

“Essa é a parte mais trágica, se é que pode haver algo mais trágico que um homicídio. O filho de Simone deitou ao lado dela, na cama, e ficou por muitas horas junto à mãe morta”, relatou o delegado.

Em tese, a PC acreditava que a criança teria sido testemunha ocular do assassinato. Contudo, os investigadores descobriram que o menino não teria visto o homicídio, mas relatado a presença do suspeito na casa no dia do crime. Simone havia sido assassinada na noite de segunda-feira, 7.

A polícia estimou a data e a hora da morte com base na rigidez cadavérica e na poça de sangue que estava coagulada. Também somou às constatações de enfermeiras amigas da vítima, que estiveram na residência dela durante as investigações, os depoimentos de testemunhas.

“Na realidade, ela foi morta na noite de segunda, durante a madrugada. Quem matou era de total confiança, porque entrou na casa, não deixou sinais de arrombamento e de brigas. O suspeito até manteve relação sexual com a vítima”, relatou Andreucci.

O delegado acredita que o criminoso teria, inclusive, pegado uma faca da própria Simone para usar no homicídio. A criança teria sido poupada porque estava dormindo.

O menino teria deitado no sofá depois da chegada de Assis, apontado como amante da vítima. O homem também era chamado de pai pela criança.

Em função da gravidade do caso, a PC acionou o Conselho Tutelar. O órgão enviou representante para acompanhar o depoimento do menino.

“A criança narra que estava acordada e que viu Assis chegar. Diz que dormiu e que, quando acordou, foi para o quarto e encontrou a mãe morta”, contou Andreucci.

Também de acordo com o delegado, o menino teria dito que a mãe havia sido morta “pelo bicho papão”. Ele teria sido trancado pelo período de mais de 14 horas, tendo sido resgatado na noite de terça, pelo homem suspeito de assassinato.

Em depoimento, a criança contou que abraçou a mãe e que dormiu ao lado dela. O delegado afirmou que o menino permaneceu por várias horas junto ao corpo de Simone. Tanto que a camiseta usada pela criança estava com uma mancha seca de sangue.

“É uma situação trágica, porque o corpo já estava fedendo quando houve o resgate da criança. Várias pessoas que acompanharam o depoimento do menor, incluindo uma psicóloga, passaram mal ao ouvir a história”, disse Andreucci.

A criança prestou depoimento na manhã de quarta-feira, 9, quando Assis recebeu voz de prisão. Os investigadores também ouviram outras dez pessoas que deram detalhes sobre o fato.

Os depoimentos tiveram início na noite de terça, quando o corpo seguiu para exame necroscópico, e continuaram até a manhã de quarta.

“As investigações não pararam. Nós arrumamos prova testemunhal de que, na realidade, Assis estava com muito ciúme da vítima”, comentou o responsável pelo caso.

Embora sendo amante do suspeito, Simone estaria mantendo relações sexuais com outros homens. “Ele já teria a ameaçado de morte, dizendo que, se ela não ficasse com ele, não iria ficar com mais ninguém”, relatou o delegado.

Testemunhas também contaram aos investigadores que o pedreiro seria “a única pessoa que teria estado dentro da casa na noite em que ocorreu o crime”.

Comentaram, ainda, que suspeitaram da atitude de Assis. O homem teria, “estranhamente”, ido à casa das amigas da vítima, dizendo que ela havia sumido.

De acordo com as testemunhas, o pedreiro “nunca havia procurado as amigas dela antes, apesar delas morarem perto da casa da vítima”.

As pessoas relataram, também, que o suspeito estaria “muito nervoso e tremendo”. Notaram o “comportamento estranho” mesmo antes do encontro do corpo.

Os vizinhos informaram à PC que o portão da residência da vítima estava trancado no momento em que eles se dirigiram – por sugestão de Assis – ao imóvel. Conforme as testemunhas, Simone deixava o portão “sempre aberto”.

Elas relataram ao delegado que o pedreiro havia pulado o muro da casa e simulado que uma das janelas estaria fechada. Em seguida, Assis teria “fingido” que o menino havia aberto a porta da cozinha para ele entrar.

“Quando as testemunhas ameaçaram estourar o portão, ele saiu, rapidamente, com a chave. Então, há provas cabais de contradições”, disse Andreucci.

De acordo com o delegado, o pedreiro teria sustentado em depoimento, terça-feira, que tanto o portão como a janela e a porta da sala estavam trancados. As testemunhas teriam desmentido a informação, contrariando o suspeito.

Em função disso, Andreucci prendeu o pedreiro em flagrante delito, na quarta. Ele é acusado de homicídio e abandono de incapaz, por ter deixado o menino de quatro anos dentro da casa, “passando privações de fome, sono e tendo de, praticamente, dormir junto com a própria mãe que estava morta”.

A criança, que está sob responsabilidade do Conselho Tutelar, será encaminhada para acompanhamento psiquiátrico. Para Andreucci, o menino também é considerado vítima do terceiro homicídio do ano ocorrido em Tatuí.

“É um caso bárbaro, que estamos dando como totalmente esclarecido e passional”, disse. O delegado destacou, também, que a PC tem mantido os índices de esclarecimento de homicídios e latrocínios (roubo seguido de morte) em 100%.

Afirmou que as informações apresentadas pelas testemunhas contra o pedreiro são “bastante condizentes”. O homem alegou que não poderia ter assassinado a mulher, uma vez que teria passado o dia no trabalho. Andreucci contestou a informação.

“O crime ocorreu à noite. Ele pode muito bem ter matado a vítima e, no dia seguinte, ter ido trabalhar. Além disso, tem a informação de que ele estava preocupado com o desaparecimento dela, sendo que os dois haviam sido vistos no domingo. Eles ficaram juntos uma tarde toda e, depois da segunda-feira, ele teria ficado preocupado com o desaparecimento na terça?”, indagou o titular.

Testemunhas também afirmaram à polícia que desconfiaram que Assis teria chamado vizinhas da vítima para usá-las como álibi.

“Ele tentou usar as pessoas para justificar a história. Ocorre que as pessoas são as que mais deram fatos que ajudaram no esclarecimento do crime passional”, afirmou Andreucci.

Para a PC, o pedreiro teria dito que estava separado da vítima, mas que, mesmo assim, mantinha relações sexuais com ela “de vez em quando”. O delegado, contudo, conseguiu apurar que Assis continuava a encontrar-se frequentemente com ela.

O suspeito declarou que havia conhecido Simone depois de ter se separado judicialmente da mulher. Entretanto, testemunhas contaram que ele e a vítima se encontravam antes disso.

Assis, depois, reatou com a mulher, mas, conforme a PC, ainda mantinha relacionamento com a vítima de assassinato.

A PC confirmou o fato depois de verificar que o suspeito ligara para a mulher, para pedir ajuda, durante os trabalhos de peritos no imóvel da vítima.

Para Andreucci, o suspeito poderia ter voltado ao local somente por remorso em função do abandono da criança. O menino ficou trancado dentro do imóvel, sem alimentação. Para evitar que o choro dele fosse ouvido por vizinhos, o suspeito teria deixado um televisor ligado em volume alto.

O pedreiro, que reside no Jardim Europa, será transferido para uma cadeia da região. Ele permanece detido e deverá ter a prisão temporária solicitada à Justiça.


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