PC e PM prendem dupla acusada de aterrorizar comércio no ‘Wanderley’

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Fotos: Polícia Civil

Felipe S. Vieira (esquerda) saiu da Fundação Casa há 2 meses; Fernando A. Ramos tem duas passagens pela PC

 

Dois homens acusados de “aterrorizar” comerciantes do Jardim Wanderley receberam voz de prisão, por policiais civis e militares, na manhã de quinta-feira, 19. Felipe da Silva Vieira, 18, e Fernando Alberto Ramos, 20, são apontados como autores de pelo menos quatro crimes ocorridos no mês passado.

Conforme inquérito policial, os assaltos aconteceram no final de agosto, no intervalo de “alguns dias” e a partir das 21h.

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Vítimas e testemunhas reconheceram os dois suspeitos. Eles haviam sido denunciados e investigados em segunda ação conjunta realizada neste mês entre a PC e a PM de Tatuí.

A operação aconteceu sob o comando do delegado titular do município, José Alexandre Garcia Andreucci, e do comandante da 2ª Companhia da PM, capitão Kleber Vieira Pinto.

“Nós tínhamos informações de que duas pessoas estavam praticando roubos na cidade. Repassamos os dados para a PC, que representou pelo pedido de mandado de prisão preventiva deles”, disse Kleber.

De acordo com o comandante, com os documentos em mãos, os policiais civis e militares dirigiram-se até a residência dos suspeitos para cumpri-los. Eles moram no Valinho. “Um residia na rua Pedro de Campos Camargo; o outro, num imóvel que fica na travessa da mesma via”, comentou o capitão.

Kleber informou que chegou ao paradeiro dos suspeitos a partir do trabalho de rotina da PM. O oficial explicou que, sempre que atendem ocorrências, os militares apresentam um livro de fotografias de suspeitos para as vítimas.

A medida facilita o trabalho de identificação, uma vez que a maioria dos crimes registrados no município é cometida por pessoas reincidentes.

“É um hábito policial da Força Tática. Então, a gente já trabalha com suspeitas. Nesse sentido, houve indícios fortes de que os dois estariam roubando os estabelecimentos comercias do Jardim Wanderley”, contou o capitão.

A PM repassou as informações para a equipe de Andreucci, que deu sequência às investigações. Segundo o capitão, os dois suspeitos tentaram reagir durante os cumprimentos dos mandados de prisão preventiva. “Houve uma pequena resistência, mas as duas casas estavam cercadas”, relatou.

A operação terminou às 16h15, com a detenção dos dois suspeitos. Eles são apontados como autores de quatro roubos contra comércios situados perto da companhia militar.

Segundo Andreucci, Vieira e Ramos integrariam quadrilha especializada em assaltos à mão armada. Outras pessoas são investigadas pelos crimes registrados nos comércios, mas não tiveram os nomes divulgados, a título de não atrapalhar as investigações.

Os suspeitos detidos fariam “parte da quadrilha que mais estava atuando na região”. O delegado afirmou que os dois agiam sempre entre 20h e 21h, quando o comércio estaria encerrando o expediente. “Eles esperavam para poder render os caixas e, então, praticar os crimes”, comentou.

A PM e a PC apuraram que os suspeitos teriam assaltado duas padarias, uma na rua Farmacêutico Francisco Miranda Nogueira e outra na rua Benedito Faustino da Rosa, uma lanchonete e um mercado – estes dois últimos na primeira via. Os crimes ocorreram entre os dias 23 e 28 do mês passado.

“Os comerciantes achavam que estavam sendo vítimas de um ‘arrastão’ (assalto cometido em grupo, na gíria policial), porque todos estavam sendo roubados”, afirmou Andreucci.

O delegado salientou, ainda, que a identificação dos suspeitos ocorreu a partir da troca de informações entre ele e o comandante da PM. Contou que, na tarde de quinta-feira, vítimas e testemunhas dos crimes haviam prestado depoimento.

De acordo com ele, Vieira e Ramos foram reconhecidos como autores. Andreucci afirmou, também, que as investigações sobre o caso prosseguem e que ambos os suspeitos detidos já contavam com passagens pela polícia.

Vieira teria cumprido oito meses de internação na Fundação Casa, por tráfico de entorpecentes. Há dois meses, completou 18 anos. “Nesse período, praticou os quatro crimes”, apontou o delegado.

Ramos teria passagens por furto e receptação. “Só no mês passado, ele veio até a delegacia para ser averiguado de três a quatro vezes”, informou o titular.

Os dois permanecerão detidos pelo período de cinco dias em uma cadeia da região, até que a PC relate o inquérito ao fórum. Junto com o documento, Andreucci deverá enviar pedido de prisão preventiva de Vieira e Ramos.

“Com a prisão dos dois, a possibilidade de diminuirmos, estatisticamente, os casos de roubos na cidade é grande”, afirmou o titular. De acordo com ele, os suspeitos praticariam crimes como fonte de renda e para manter o vício em drogas.

Andreucci informou que os dois seriam usuários de crack e que, “costumeiramente”, se reuniam para praticar os crimes como forma de obter dinheiro para o consumo de entorpecente. “Eles sustentavam a família com o produto dos crimes e usavam na compra de drogas”.

Segundo o delegado, os moradores teriam considerado a detenção dos dois “um alívio”. Em depoimento, uma mulher (não identificada) teria dito que estava se sentindo refém dos criminosos.

“Ela falou que a prisão dos suspeitos, para os residentes e comerciantes, foi um alívio muito grande”, contou o delegado.

Além de reduzir os crimes, o titular citou que, com a prisão, a PC e a PM evitaram um aumento da violência. Isso porque os suspeitos drogados e armados poderiam ferir algum comerciante. “Alguém poderia reagir e, de um roubo, teríamos um latrocínio. Eles são pessoas não aptas a viver em sociedade”, argumentou.

Vieira e Ramos estão sujeitos a penas que variam entre quatro e oito anos de detenção, para cada roubo. Se somadas, a sentença de ambos pode ir de 16 a 32 anos.

A dupla agia longe do bairro em que residia. De acordo com o delegado, esta seria uma tática para evitar possível reconhecimento, em caso de suspeita. Vieira e Ramos moravam a 1,5 quilômetro da região onde assaltavam.

O delegado ressaltou, porém, que eles não teriam se preocupado em cometer os assaltos a metros do comando da PM.

Andreucci afirmou que um dos crimes ocorreu a dois quarteirões da companhia. “Talvez, na loucura da noite, eles nem se tocaram. Mas isso acabou ajudando nas investigações”, concluiu o titular.


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