PC de Tatuí indicia soldador de SP por tráfico internacional de drogas

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Cristiano Mota

Policiais civis tiveram de transportar tijolos de maconha que estavam em Kombi em carros de mão

Nesta semana, a Polícia Civil de Tatuí indiciou um soldador de 31 anos que reside na cidade de Suzano, região metropolitana de São Paulo, por tráfico internacional de entorpecentes.

Sidnei Gomes Sampaio recebeu voz de prisão na quarta-feira, 7, depois de ter sido detido por policiais militares rodoviários em um posto de combustíveis na rodovia Castello Branco (SP-280), entre Tatuí e Quadra.

O soldador é acusado de transportar perto de meia tonelada de maconha em tijolos.  Suspeita-se que a droga viria de outro país. Ela seria levada até o bairro de São Mateus, em São Paulo, destino final da viagem.

Os 500 quilos de entorpecente estavam escondidos dentro do compartimento do bagageiro do veículo, uma Volkswagen Kombi, com placas de São Paulo e queixa de furto.

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O flagrante em Tatuí teve assinatura de dois delegados. “Pela primeira vez na história da cidade, duas autoridades lavraram uma mesma ocorrência”, destacou o titular do município, José Alexandre Garcia Andreucci. Além dele, elaborou o boletim de ocorrência o delegado assistente Emanuel dos Santos Françani.

De acordo com Andreucci, Sampaio acabou sendo detido depois de “intensa perseguição”. O soldador informou, em depoimento, que havia sido contratado apenas para trazer o veículo da cidade de Dourados, no Mato Grosso do Sul, até São Paulo. Contou que receberia R$ 1.000 pelo serviço.

“Ele contou que aceitou e, chegando lá, encontrou um vendedor em um posto de gasolina, ao lado da rodoviária de Dourados”, relatou o titular.

Após conversar com a pessoa, Sampaio teria recebido dinheiro para abastecer o veículo no percurso de ida e para pagar os pedágios durante a viagem.

Entretanto, o delegado afirmou que o acusado não recebeu os R$ 1.000 acordados. Segundo Andreucci, o soldador alegou que o vendedor teria dado para ele dois tijolos de maconha. “Ele falou que o homem disse que, ou ele aceitava, ou voltava para casa sem dinheiro nenhum”, citou Andreucci.

Também segundo ele, Sampaio disse que resolveu aceitar a droga e trazer o veículo. No caminho, a Kombi teria apresentado problemas mecânicos.

“Na hora que chegou ao pedágio de Quadra, ele notou que os policiais militares rodoviários iriam abordá-lo. Aí, decidiu fugir”, contou o titular.

Naquele momento, o soldador teria avançado a cancela do pedágio e
acelerado com o veículo. Depois de determinado trecho, teria jogado o carro num dos acostamentos da rodovia, saído da Kombi e entrado no mato.

“Ele contou que passou a tarde inteira lá. Viu famílias de capivaras pastando, estava sem comer, sem beber. Disse que viu o helicóptero Águia, da PM, sobrevoando o local, e ouviu as vozes dos policiais o procurando”, falou Andreucci.

Sampaio contou à PC que permaneceu escondido até o anoitecer. Quando pensou que o cerco policial havia terminado, caminhou até um posto de combustíveis e pediu para usar o telefone. “Ele chegou sujo e querendo ligar para São Paulo, para que a família dele o viesse buscar aqui”.

Enquanto usava o telefone, uma viatura da PMR abordou-o. Na sequência, encaminhou-o a Tatuí, para apuração. Sampaio tinha as mesmas características da pessoa que havia abandonado a Kombi com 500 quilos de maconha.

Na Delegacia de Polícia Central, ele teria confessado “espontaneamente” que dirigia o veículo, depois de conversar com os delegados que cuidaram do caso. Também teria contado que havia sido contratado apenas para trazer o carro, que havia aceitado dois tijolos como pagamento, mas que não sabia da meia tonelada. Afirmou, também, que não sabia que havia queixa de furto contra a Kombi.

Em depoimento, Sampaio afirmou que havia passado pela Ponte Internacional da Amizade, que liga Foz do Iguaçu, no Brasil, a Ciudad del Este, no Paraguai. Por essa razão, os delegados indiciaram-no por tráfico internacional de drogas. Ele também responderá por receptação do veículo.

Conforme Andreucci, o inquérito em Tatuí será encaminhado à cidade de Quadra. De lá, deve seguir ao fórum e, depois, para a Polícia Federal. Os 500 quilos de entorpecente serão incinerados em data e locais a serem determinados.

Na quinta-feira, 8, a PC transferiu Sampaio para um CDP (Centro de Detenção Provisória) da região. O delegado não informou a cidade na qual ele está detido por questão de segurança.
“Ele também forneceu outros dados que vão ajudar nas investigações, mas que eu não posso citar”, disse o titular.

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