Parceria vislumbra ‘fruição cultural’

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Cristiano Mota

Grupo responde por divulgação de mostra ‘Origens’ junto à Amart

 

A convivência entre artistas plásticos da Amart (Associação dos Artistas Plásticos de Tatuí e Região) e professores da Fatec (Faculdade de Tecnologia) “Professor Wilson Roberto Ribeiro de Camargo” vem gerando “várias consequências”.

A mais recente delas é a criação do ProCult (Núcleo de Produção Cultural), grupo que envolve alunos de produção fonográfica da instituição de ensino superior. Composto por nove estudantes, o núcleo surgiu como requisito de conclusão do curso, está prestes a completar dois meses e já responde por curadorias.

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Pelo menos duas exposições contam com organização e promoção dos alunos. Tratam-se de “EntreCores”, da artista plástica Raquel Fayad, e “Origens”, do grupo Ubuntu, da cidade de Caraguatatuba. As produções artísticas podem ser vistas no prédio um da faculdade de tecnologia, sendo mais uma das ações viabilizadas em parceria com a Amart e a instituição de ensino.

O grupo é coordenado pela professora Luana Soares Muzille. Ela leciona disciplina de produção de eventos dentro do curso de produção fonográfica. “Nós o montamos em paralelo, para que possamos desenvolver as capacidades dos alunos. Ele não é o único núcleo existente na Fatec”, comentou.

Como o próprio nome sugere, o ProCult é direcionado à produção cultural. Por meio dele, seus integrantes conseguem mobilizar exposições, como as abertas à visitação. Em conjunto com outros estudantes, eles desenvolvem o “Minuto Musical”, outra iniciativa, mas com alunos de cursos do período da tarde.

Devido à aceitação, Luana explicou que os estudantes resolveram ampliar o projeto para os períodos matutino e noturno. O “minuto” consiste em apresentações musicais feitas pelos próprios alunos, dos mais diversos gêneros.

Em abril, a professora uniu esse projeto à mostra “EntreCores”, assinada por Raquel e que abriu a programação anual de eventos da Amart. “Temos uma parceria com a associação, porque várias pessoas que, atualmente, compõem a diretoria e o conselho dela são da comunidade acadêmica”, explicou.

Somando o apoio dos artistas da cidade, Luana disse que o ProCult tem conseguido viabilizar vários projetos. A ideia do grupo é aproveitar a constituição da Amart (que possui CNPJ – Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica) para formalização de projetos, uma vez que a entidade “é proponente de projetos” e pode concorrer a editais.

“Enfim, ela é uma associação que existe há mais de dez anos, com currículo. Como um dos nossos professores é o atual presidente, nós conseguimos aproximar nossos alunos para que se envolvam com a produção”, disse.

Para concretizar as iniciativas, o grupo parceiro da Amart e surgido por conta da Fatec conta com apoio de diversos colaboradores. Entre eles, a Prefeitura, por meio do Departamento Municipal de Cultura e Desenvolvimento Turístico.

Segundo Luana, a mostra “Origens” é prova desse conceito de ajuda mútua. “A exposição passou pelo Centro Cultural Municipal, mas veio para cá com ajuda de Jorge Rizek. Ele nos apoiou para que pudéssemos trazê-la”, comentou.

Além de exibir peças na sede da Fatec, Luana reforçou proposta lançada pelo presidente da Amart, professor Luis Antônio Galhego Fernandes, de criar um circuito cultural, formado, basicamente, por faculdades. Conforme ela, a ideia dos estudantes é de levar as produções culturais a diversas partes de Tatuí.

O projeto vislumbra uma “fruição cultural”, agregando mais espaços aos existentes. Entre eles, o Centro Cultural Municipal, MHPS (Museu Histórico “Paulo Setúbal”), Conservatório e a Fatec (que exibe mostras da Amart).

Também há planos de incentivar a produção cultural entre os próprios estudantes. De acordo com a professora, nem todos frequentaram a disciplina de produção de eventos. Desta forma, a faculdade permite que eles produzam arte.

Mesmo quem não integra o núcleo e estuda produção fonográfica pode ter participação. A professora comentou que com a vinda da Amart para a instituição, criou-se um sistema de organização e de divulgação interna entre os discentes. Esse trabalho, voltado para a “busca de outras vocações”.

“Temos até alunos de manutenção industrial que tocam, na noite. Outros, que possuem habilidade com a fotografia. Enfim, com algum segmento das artes. Aí, esse núcleo também existe para que possamos encontrar as vocações”, falou.

O incentivo vem na forma da participação do “Minuto Musical”, por exemplo, mas sem comprometimento ou pressões. Luana contou que os concertos não precisam ser perfeitos. “É possível errar. Nós estamos, aqui, para aprender e, de certa forma, oferecer um espaço de treinamento”, argumentou.

Junto com as expressões artísticas, a professora estimula encontros entre os estudantes. “É bem bacana perceber esse movimento dos estagiários de captar pessoas de fora, ter algumas ideias e estimular as aptidões”, pontuou a responsável.

Oficializado há quase dois meses, o ProCult funciona de modo experimental. Conforme a professora, nenhum dos estagiários desempenha função preestabelecida.

“Não estabelecemos hierarquias. Obviamente que, no decorrer do dia a dia, percebo que uns têm aptidão para comunicação, outros para montagem, iluminação e som e outros para a questão de pensar no espaço expográfico”, disse.

Luana ressaltou que o grupo está “se auto-organizando” e que ele prevê um semestre de estágio, com possibilidade de extensão para mais um. O estágio é um requisito obrigatório para todos os cursos oferecidos pela Fatec.

No período de permanência, a professora disse que o aluno passará por avaliação. A primeira delas aconteceu na quinta-feira da semana passada, dia 14, quando os estagiários apresentaram suas opiniões a respeito da experiência.

Os estudantes também apresentaram propostas de ação individual. “É interessante dizer que, no núcleo, temos um aluno deficiente visual. Numa conversa informal, ele falou sobre as dificuldades em questões básicas”, disse.

Luana disse que, em conversas com os demais integrantes, os estagiários tiveram a ideia de produzir vídeos de curta duração sobre a experiência do colega. Em princípio, a ideia é de que o material possa servir de consulta. “Ainda não sabemos direito o que pode ser feito além dessa proposta”, antecipou.

Caso a “ideia avance”, a professora relatou que os demais alunos do curso de produção fonográfica poderão ser inseridos nela. O tema da acessibilidade está entre os assuntos que a faculdade incentiva como debates.

A professora citou que é preciso pensar nas diversas questões, até mesmo nas “polêmicas”. Ela citou como exemplo, a mostra “Origens” que contextualiza a cultura africana trazida pelos escravos ao Brasil no período colonial.

“Essa mostra traz um gancho para falarmos da questão étnico-racial. Tem uma série de requisitos que o MEC (Ministério da Educação) exige para o ensino superior. Entre eles, que incentivemos à reflexão”, descreveu a professora.

Por conta das possibilidades, Luana classificou o ProCult como “bem aberto”. Segundo ela, como se trata de uma “primeira experiência”, novos projetos podem surgir. “Temos um grupo bastante heterogêneo, e cada um vem com uma necessidade, que são discutidas entre eles e os demais”, concluiu.


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