Para encerrar um louco ano com cor e esperança

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Já se fala em “geração Covid” para designar este tempo tão completamente anormal – e irracional -, em que, entre tantas perdas – de vidas, as mais lamentáveis -, a educação das crianças tem sido uma das mais terríveis. Há quem, aliás, creia em traumas para toda a vida!

Hipóteses hiperbólicas à parte, não há dúvida de que as crianças e jovens deste tempo guardarão em suas memórias uma época inesquecível, tal os mais velhos, naturalmente, porém, com o agravante de um profundo atraso educacional – ainda que por boas e inovadoras tenham sido as iniciativas a minimizar o impacto causado pela ausência em sala de aula.

Ainda, certo é que esta pandemia tornou explícita a diferença entre o ensino público e o privado, sujeitando o futuro a mais um tropeço involutivo na direção das desigualdades sociais.

“Involução”, inclusive, que bem poderia designar também esta época de desapreço à democracia, à civilidade e à ciência, a qual, naturalmente, não poderia poupar a Educação.

Educação, ressalte-se, com o “E” maiúsculo, supostamente garantida pela Constituição “para todos”, mas que, na prática, só alcança a plenitude em pequena parcela da população, cujos filhos puderam ser atendidos pelo ensino à distância em 2020. País afora, a maioria não teve esse privilégio a contento, como todos sabem.

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Também por esse motivo, foi com grande pesar que o jornal O Progresso optou por não realizar a edição deste ano do tradicional Concurso Artístico e Literário de Natal, que está completando 25 anos de existência em 2020.

Ao longo do tempo, para este jornal, em seus 98 anos, o concurso configurou-se em sua maior iniciativa nas áreas de cultura e social já promovida.

Além disto, contudo, significa oportunidade de agregar a todos os estudantes não só em condição de igualdade, independentemente de suas realidades financeiras e educacionais, mas todos imbuídos do “fazer” artístico e literário – o que é excepcional!

O motivo da decisão, claro, é a pandemia causada pelo novo coronavírus, a qual, entre tantas desgraças e rupturas, acabou por praticamente paralisar as aulas em toda a rede de ensino nacional.

Embora fosse possível a promoção do certame de maneira online, O Progresso entendeu que tanto isto poderia ser impeditivo para os menos aparelhados quanto perderia a outra razão maior da iniciativa:a participação ativados professores e demais dirigentes das unidades escolares, os quais orientamos estudantes a comporem os trabalhos em sala de aula, divididos entre desenhos e redações.

Sem essa participação fundamental, o concurso perderia muito da própria razão de existir, que é a reflexão sobre o significado (maior) do Natal, instigada pelos mestres junto aos alunos e até entre eles mesmos.

Além, os professores de língua portuguesa e artes, para a feitura dos desenhos e redações, também atuam como orientadores, assim não apenas tendo oportunidade de “ensinar”, mas ainda contribuindo com o aprimoramento dos trabalhos.

Igualmente, inclusive, reconhecendo a mesma premissa, o outro grande concurso de literatura e arte para estudantes da Cidade Ternura, o “Paulo Setúbal”, promovido pela prefeitura, também não aconteceu em meio à semana de homenagens ao “imortal” tatuiano, em agosto.

O jornal O Progresso lamenta, portanto,pela ausência dessa que seria a 26ª edição do certame, até pelo sucesso da iniciativa ao longo de tanto tempo.

Só para se ter ideia, em 2019, houve 1.745 inscrições, distribuídas entre 1.510 desenhos e 235 redações. Ao todo, 27 instituições de ensino participaram, por meio dos trabalhos dos alunos.

As escolas públicas e particulares tiveram a oportunidade de estimular os estudantes a trabalharem o tema “Tatuí no Natal”, nas duas modalidades.

Os vencedores em cada grupo de anos foram premiados em dinheiro, cujos valores estiveram divididos entre os primeiros colocados do 1º ao 9º ano nas duas categorias.

No ano passado, a 25ª edição do Concurso Artístico e Literário de Natal ainda teve o privilégio de ser a primeira iniciativa tatuiana a ocupar a agência do Sicredi local com uma exposição, que tanto investiu na arte quanto na educação.

Fizeram parte da mostra os trabalhos finalistas, totalizando cerca de 70, selecionados a partir da EJA e de todos os anos do fundamental, do primeiro ao nono, em desenhos e redações. Os vencedores, por fim, foram publicados no suplemento especial de final de ano.

Dessa maneira, como tem repetido em todos estes anos, O Progresso levou a seus leitores não somente as tradicionais mensagens de Natal, mas, sim, um presente especial, literalmente, escrito e desenhado por crianças, ainda as mais sensibilizadas pelo “espírito do Natal”.

Sensibilidade, empatia, tolerância, “humanidade”…Virtudes marcantes desse tal espírito natalino, tão faladas e tão pouco praticadas neste triste momento de falta de saúde e sobra de oportunismos, de extremismos – que não têm nada a ver com os princípios verdadeiramente cristãos.

Entretanto, para não deixar de valorizar -senão de resgatar um pouco desse espírito -, apesar da ausência do certame em 2020, O Progresso apresenta, nesta edição especial de Natal, uma retrospectiva desses 25 anos de concurso, com seus melhores trabalhos, assim buscando encerrar o ano, por meio da arte e da literatura, com um tanto mais de beleza, alegria e, principalmente, esperança.

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