Oficina permite a jovens e adultos do Jardim Gonzaga ‘Natal colorido’

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O Natal será mais enfeitado nas casas de 15 participantes de uma oficina de final de ano oferecida pelo Cras (Centro de Referência de Assistência Social) Norte, instalado no Jardim Gonzaga. O grupo encerrou, na quinta-feira, 15, a primeira parte da capacitação que visa ensinar a fazer arte com feltro.

Na primeira etapa da oficina, que teve início em 3 de novembro, as alunas aprenderam a confeccionar diversos enfeites natalinos. As aulas, ministradas pela oficineira Márcia Antunes Neto Godoy, acontecem em uma das salas do Cras Norte. O treinamento completo tem duração de 36 horas.

A maior parte das 15 alunas é adolescente. Algumas delas, inclusive, nunca haviam manuseado uma agulha de costura na vida. Aos poucos, as meninas vão aprendendo as habilidades manuais, conforme contou a instrutora.

Mais que ganhar habilidades com a própria professora, as garotas trocam experiências com as colegas de idade superior. Elas aprendem artesanato com as mulheres adultas, entre elas, uma dona de casa de 62 anos.

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Ao longo de sete aulas, as alunas confeccionaram bonecos de neve, penduricalhos para árvore de Natal, a chamada “botinha de Papai Noel”, um chaveiro e um porta-guardanapo com temas natalinos. Na última aula do ano, as moradoras fizeram uma guirlanda, para ser pendurada na porta da casa.

“O meu maior prazer é estar com elas, deixar alguma coisa de bom para as meninas. Adoro ver a expressão das alunas, para mim é superimportante. O meu ganho pessoal é muito grande e me faz um bem sem tamanho, sem igual. Não abro mão, de verdade”, declarou a oficineira.

Entre as alunas, está Giovana Suellen Pedro, 16, moradora do Jardim Gonzaga. A estudante “nem sabia manusear a agulha” no início da oficina. Com a paciência da professora, a adolescente conseguiu ir além e confeccionou uma guirlanda com feltro.

“Ela é uma professora excelente, tem calma, é bastante paciente para nos ensinar. Quando eu fiz o boneco de neve, pendurei-o na porta do meu quarto, e o enfeite da árvore eu fiz de chaveiro”, contou a adolescente.

Segundo Márcia, aprender artesanato é importante para as meninas. As habilidades manuais contam um pouco da história do próprio povo e é parte integrante da identidade cultural. Além da importância histórica, o aprendizado tem efeitos práticos.

De acordo com a oficineira, ao aprenderem a costurar, as meninas conseguem resolver problemas do dia a dia e até mesmo a desenvolver a capacidade manual, de tal modo que possam ganhar dinheiro com o artesanato.

“A gente vai criando um laço, uma afinidade. Elas poderiam estar sentadas na calçada, fazendo sabe-se lá o quê. Quando estamos aqui, escutamos a história de vida de cada uma, e a gente fica atenta para passar alguns aconselhamentos”, afirmou.

Márcia disse que uma das alunas contou uma história que a fez pensar no alcance do trabalho de artesanato. A adolescente não sabia costurar e, após aprender o manuseio da agulha na oficina, conseguiu reparar uma calça rasgada.

“Nós fazemos as costuras à mão. Elas conseguem aplicar em casa o que aprenderam aqui na aula. É isso que acho válido. São coisas que vão ter alguma utilidade depois para elas próprias”, contou.

As cores predominantes nos feltros são o vermelho, o verde e o branco, as do Natal. Além do material, são utilizados tecidos xadrez, miçangas, linhas, arames e CDs reaproveitados.

O formato das aulas é diferente do aplicado às demais oficinas. Em cada aula, de duração de três horas, as alunas aprendem a fazer tipos diferentes de adereços. A mudança foi solicitada pela coordenadora do Cras Norte, Débora Cristina Franco Nunes Rosa.

“Ela nos pediu para que fizéssemos um enfeite por aula, para que as alunas pudessem ir levando para casa e ir enfeitando. Antes, a gente demorava mais de uma aula para fazer o artesanato”, explicou.

O Cras Norte abrange todos os bairros situados ao norte da rodovia Mário Batista Mori (SP-141). Por estar instalado no Jardim Gonzaga, a maior parte das alunas é da própria localidade, porém, uma delas é do Jardins de Tatuí, comunidade lindeira.

A oficineira dá aulas de artesanato no Cras Norte e na unidade central, instalada no CEU (Centro de Artes e Esportes Unificados) “Fotógrafo Victor Hugo da Costa Pires”. “Lá, eu chamo de ‘pot-pourri’ de artesanato. Nós fazemos ‘biscuit’, ‘patchwork’, cestaria com tecidos e EVA (etileno acetato de vinila)”, contou.

Além do curso de enfeites confeccionados com feltro, o Cras Norte disponibiliza, à população da região do Jardim Gonzaga, outras oficinas, como as de biscuit, percussão e palestras de orientação para adolescentes.

Os cursos movimentam cerca de 60 pessoas, dos bairros Jardim Gonzaga, vila Angélica, Jardins de Tatuí, Jardim Aeroporto, Guarapó e vila Cesp.

Além das oficinas, o Cras Norte oferece orientações para beneficiários do programa Bolsa Família, Banco de Alimentos e Viva Leite. A equipe é formada por duas assistentes sociais, cinco oficineiros e uma psicóloga.

 

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