O Idoso e a Quarentena!

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RAUL VALLERINE

Ter um lugar para ir é lar. Ter alguém para amar é família. Ter um motivo vital para estar em casa é segurança. Ter os três  Quarentena!

Tarcisio Silveira Rocha

Com a pandemia do novo coronavírus, os idosos são os que mais necessitam cuidados, por fazerem parte do grupo de risco.

A recomendação é simples: Fique em Casa! Mas, como vemos nos noticiários e no dia a dia, não tem sido fácil segurá-los em casa.

A virtude mais importante para quem precisa lidar com os seus familiares mais velhos é paciência.

Como perceberemos ao longo da quarentena, o isolamento é um desafio emocional, que testa a nossa capacidade de se manter firme pelas pessoas que amamos. Na realidade, o grande desafio é uma questão de ponto de vista.

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Afinal de contas, se os adultos já passam por um sufoco enorme para se adaptar à quarentena, apesar de todas as formas de entretenimento disponíveis, imagine os idosos!

Vale lembrar que boa parte dos hábitos dessas pessoas inclui alguma forma de congregação social, seja com amigos, familiares ou conhecidos.

Por esse motivo, quem está na posição de parente responsável acaba passando por uma enorme dificuldade na tentativa de conscientizar o idoso, pois o isolamento é um pedido direto para que essa pessoa limite sua liberdade.

Sempre que for passar por uma interação difícil, lembre-se do porque está fazendo isso. Querendo ou não, é seu dever fazer o possível para garantir o bem estar dessa pessoa que, provavelmente, cuidou de você pela maior parte da sua vida.

Para evitar grandes conflitos, tente perceber o ponto de vista do idoso; para ele, é como se você estivesse cerceando liberdades.

Procure conversar, tudo começa a partir de um bom diálogo, sem lados, sem agressividade. Quando você mora com essas pessoas, incluí-las por meio do diálogo acaba sendo mais fácil por conta da proximidade.

Ainda que os idosos tenham seus próprios amigos, você, enquanto família simboliza um elo muito importante na manutenção emocional dessa pessoa.

Em uma época de tanta desinformação, é comum que eles sejam sobrecarregados pelo volume de notícias, não conseguindo separar a realidade da invenção.

Por isso, o diálogo também deve ser um instrumento de conscientização, em que você, calmamente, explica o que está acontecendo no mundo, mostra como isso vem impactando a todos e, principalmente, conscientizando o idoso de sua vulnerabilidade, já que a menor imunidade o coloca em risco a qualquer contato desnecessário.

Na utilização do celular, muitas vezes há necessidade de explicar o uso de algum aplicativo ou como realizar determinado procedimento de saúde, como as boas práticas para evitar o contágio.

O objetivo é passar esse ensinamento da forma mais amigável possível. Portanto, a calma, o carinho, a tolerância e a persistência devem permanecer, até que você consiga ensinar o que precisa ser ensinado.

Como já falamos, a sugestão de atividades pode ser algo importante para ocupar os idosos. No entanto, pode haver uma falta de sintonia entre o que você considera entretenimento, e o que o idoso considera como um bom passatempo.

Basta disponibilizar os seus ouvidos a uma longa conversa telefônica, escutando os detalhes do dia dessa pessoa, revivendo momentos do passado e por aí adiante. O exercício da memória é uma das coisas mais importantes para as pessoas idosas.

Por último e absolutamente importante, a doação voluntária e carinhosa do seu tempo. A melhor forma é de informá-los que devem se cuidar bem, pois ninguém quer correr o risco de perdê-los.

O amor que se têm pelos pais e avós é que devem motivar a insistência deles ficarem em casa. O apelo dos filhos e netos é para que eles tenham muitos anos de vida.

Então cabe a eles aceitarem a quarentena, pois o apoio familiar ofertado na forma de amor, afeição, cuidado e suporte social faz a pessoa idosa acreditar que é amada e estimada, refletindo em sua saúde.

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