O CANDEEIRO

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A não violência não existe se apenas amamos aqueles que nos amam. Só há não-violência quando amamos aqueles que nos odeiam. Sei como é difícil assumir essa grande lei do amor. Mas todas as coisas grandes e boas não são difíceis de realizar? O amor a quem nos odeia é o mais difícil de tudo. Mas, com a graça de Deus, até mesmo essa coisa tão difícil se torna fácil de realizar, se assim queremos.
(Mahatma Gandhi)

O CANDEEIRO

Fomos buscar na vida de Teresa de Calcutá o fato que passamos a relatar. Certo dia, ela foi visitar um idoso, doente. Foi ao barraco onde ele morava, triste e sem ninguém.

Tudo dentro do barraco estava em desordem. O idoso, doente, não a recebeu com bons modos. Foi ríspido, com alguém que quisesse dizer: – Dispenso a sua visita.

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Teresa fingiu ir embora, mas, antes de sair, pediu ao velhinho: Posso fazer uma limpeza em sua casa? A resposta foi: – não. Teresa não se perturbou e, dizendo: – está bem, achou um jeito de prolongar sua estada com o doente, conversando simplesmente.

Depois de algum tempo, o velhinho mudou de ideia, e disse a Teresa: – Bem já que a senhora deseja, faça uma limpeza na casa, começando pelo meu quarto.

Teresa não se fez esperar. Imediatamente pôs mãos à obra. Ao limpar a casa, encontrou um rico e lindo candeeiro, sem uso e todo coberto de pó.

Meia intrigada, perguntou ao velhinho: – Por que você não acende esse candeeiro? O velhinho respondeu: – Por que acendê-lo, se ninguém vem me ver? E Teresa emendou: E se eu mandar uma de minhas Irmãs para visitá-lo cada dia, o senhor promete acendê-lo? A resposta foi: – sim.

Depois desse dia, cada dia o velhinho tinha uma Irmã para cuidar dele, em sua casa. E todos os dias o velhinho acendia o candeeiro, como prometera, porque não faltava mais quem quisesse vê-lo.

Assim foi durante algum tempo até que, um dia, Teresa recebeu um bilhete do velhinho, que dizia: – Diga à minha amiga que a luz que ela acendeu em minha vida continua acesa no meu coração.

Depois disso, Teresa deixou escrito para todo o mundo: -Os pobres são seres que mais devemos conhecer para oferecer-lhes amor e serviços. Ofertas em dinheiro não bastam. Eles necessitam de nossas mãos e de nossa presença.

Esse fato faz-nos lembrar as palavras do Grande Mestre aos seus discípulos: -Tudo o que fizerdes ao mais humilde de meus irmãos, a mim o fazeis.

Ninguém recompensa melhor do que Deus e, nenhuma recompensa vale mais do que poder amar como Jesus! Não foi Teresa que disse, mas ficam-lhe bem estas palavras: – Que outra recompensa havemos de querer, além da alegria que o amor dá, de servir?

Esta história tem a finalidade de oferecer aos nossos leitores a oportunidade de realizar um momento de reflexão.

Teresa não se precipitou, forçando. Ela se comportou, amando. Por isso, tudo deu tão certo. A luz do candeeiro passou a ser fé no coração daquele velhinho.

Hoje, a palavra do momento é o combate à fome. Mas vemos que a maior fome está em amar ao próximo, uma compreensão maior em nossos lares e a grande maneira de mudarmos o mundo é começar a mudar nossa maneira de ser.

Só assim, poderemos mudar o modo de pensar de nossos familiares, de nossos vizinhos, de nosso bairro e consequentemente, de nossa cidade, hoje tão carente de calor humano.

Voltando a nossa história, quem não pode fazer o que Teresa fez? Ninguém acredita no amor de quem nunca se faz presente, podendo.

Daí poderá ver quanto vale esta verdade: Deus quer de nossa vida o amor, e os homens querem nosso amor à presença! Um feliz domingo, Tatuí!


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