Não é trote!

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Reportagem publicada na quarta-feira desta semana mostrou que crianças, jovens e adultos ainda costumam “passar” trote à Polícia Militar local. Na notícia, o fato é lamentado pelo comandante da 2ª Companhia, capitão Kleber Vieira Pinto.

Segundo ele, pessoas de todas as faixas etárias efetivam trotes para a CAD (Central de Atendimento e Despacho), com maior proporção por parte de crianças – a maioria entrando na adolescência.

Em entrevista, Kleber pediu a compreensão da população para que não haja deslocamento desnecessário de viatura. Também afirmou, no entanto, que as “falsas” ligações, embora numerosas, não representam o maior problema da PM.

De acordo com o capitão, há registros que apontam maior número de trotes nos horários de entrada e saída das escolas. Apesar de mensurar a quantidade, a corporação não consegue punir todos os responsáveis.

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Para evitar trotes, a PM estabelece protocolo seguido pelo atendente. O 190 do município é formado por cinco policiais militares, que trabalham no esquema de revezamento. “Esses cinco já trabalham lá há um bom tempo. Então, têm bagagem profissional para distinguir os casos”.

O primeiro passo do protocolo é a verificação da origem da ligação (número fixo, celular, orelhão ou não identificado). A partir daí, o PM anota o número, ou solicita um contato para retorno – na possibilidade de verificar o número.

Na sequência, o PM liga ao usuário, para se certificar sobre a origem da chamada. “Na dúvida, uma viatura é despachada. Nós não podemos correr o risco de achar que uma ligação é trote e de ela não ser. O cidadão pode estar necessitando de ajuda”, frisou.

Conforme o capitão, quando uma viatura é despachada sem necessidade, ela perde, além de tempo e dinheiro, um apoio que pode ser vital para a vida dos outros cidadãos.

Também por este motivo, a PM segue protocolo interno, o qual inclui perguntas a título de garantir a veracidade das informações e a precisão no atendimento.

Segundo o comandante, o PM questiona sobre pontos de referência e detalhes que possam auxiliar na definição de qual e de quantas viaturas serão empenhadas no atendimento.

Em qualquer que seja a situação – de desconfiança de trote ou não –, o usuário pode optar se quer ou não se identificar.

Kleber explicou que, embora exista procedimento a ser cumprido, os trotes podem ocorrer por conta do ineditismo. “Nenhuma ocorrência é sempre igual à outra. Então, existe uma peculiaridade. A PM está, todos os dias, atendendo a chamados diferentes, gerando desafios”, descreveu.

A equipe da CAD mantém atenção redobrada para evitar, também, situação de risco para os policiais. Segundo Kleber, os atendentes verificam “todo o cenário” antes de destacar uma unidade.

“Nós temos essa preocupação, por conta do envio de apoio ou não. Pode ser que a ligação seja uma emboscada, principalmente se for à noite”, declarou.

Outra preocupação da PM é de não deixar alguma região “desguarnecida”. Esse tipo de situação tem se tornado comum em cidades da região (como Cerquilho e Cesário Lange), onde há registros de “estouro de caixa eletrônico”.

Para explodir os equipamentos, pegar o dinheiro e escapar sem serem detidos, os criminosos tentam desviar a atenção da corporação. Uma das “artimanhas” é a ligação para o serviço 190, simulando uma ocorrência. Conforme Kleber, o objetivo é sempre retirar o policiamento de determinado local.

Ainda na entrevista, o capitão voltou a frisar que os munícipes podem contribuir para a prisão de criminosos, por meio de reconhecimento ou de detalhamento de informações – no caso das denúncias.

A identificação acontece de duas formas: por álbum fotográfico (mantido pela Polícia Civil), ou pessoalmente. Nesta última, a vítima fica protegida por um vidro.

“Esse papel do cidadão é muito importante. Nós nos deparamos, às vezes, com vítimas que, por medo ou falta de cidadania, não querem colaborar”, declarou.

O comandante pediu compreensão por parte das vítimas, especialmente no caso de depoimentos e registros de ocorrência. Entretanto, ressaltou que registrar os crimes e colaborar com informações para identificação dos responsáveis é importante.

Também reforçou que, para que suspeitos fiquem detidos, é necessário reconhecimento por parte das vítimas, as quais, “em alguns casos, se recusam a fazê-lo”.

“É complicado, a PM fica horas atrás de um criminoso para, depois, chegar a vítima e dizer que não dá para colaborar. Não é preciso ter medo, a identidade da pessoa e a integridade vão ser preservados. Não será feito nada para que a vítima fique exposta”, salientou.

Kleber alegou que o cidadão tem papel fundamental na diminuição dos indicadores de violência. O comandante afirma que também é importante, para os esclarecimentos dos crimes, que a vítima consiga dar informações precisas a respeito dos criminosos.

Kleber declarou que entende que muitas pessoas podem sentir pânico quando estão em situação de ameaça, mas que, quando possível, é necessário que consigam lembrar o máximo de detalhes possível.

Entre os que podem auxiliar a PM, estão características pessoais dos criminosos, cor dos cabelos ou dos olhos, altura, presença de tatuagens, entre outros.

Informações sobre os veículos utilizados pelos bandidos – quando for o caso – também são consideradas valiosas para os esclarecimentos.

As orientações e as práticas seguem sem novidade, como de costume, exigindo atenção e cooperação, por parte dos cidadãos, tal como trabalho apurado, por parte das autoridades.

O inusitado, naturalmente, fica por conta das faixas etárias que se dispõem a brincar por meio do 190. Esperar imaturidade de crianças e, até, de adolescentes seria natural, embora nem sempre algo positivo – como neste caso. Mas, adulto se divertir com trote? Isso só mostra que, por aí, existe muito mais gente simplória do que se imagina.


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