Mitos e verdades em pediatria

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  1. A vacina contra a gripe pode causar gripe?

MITO: A vacina contra a gripe não causa gripe por ser feita com vírus inativados (“vírus morto”). A pessoa só poderá ter gripe se, quando ela tomar a vacina contra a gripe, já esteja com o vírus incubado, pois a vacina leva cerca de uma semana para provocar a imunidade contra a gripe.

  1. A vacina tríplice viral ou a tetra viral podem provocar o autismo?

MITO: O que existiu foi um trabalho publicado na revista “Lancet” (uma das revistas científicas mais famosas do mundo), onde o autor mostrava um pequeno número de crianças que haviam tomado a vacina e desenvolvido o autismo. Algum tempo depois, porém, foi verificado se tratar de um trabalho falso, sendo que a revista se retratou, o médico foi incriminado e perdeu a licença médica pela publicação falsa.

  1. A vacina tríplice bacteriana feita com 2 meses de idade pode provocar reações fortes, do tipo febre alta e/ou convulsões, crises intensas de choro e deixar a criança “largadinha” por 12 a 24 hs?

VERDADE: A tríplice bacteriana comum antiga, feita com a cápsula da bactéria Bordetella pertussis (coqueluche), pode provoca, entre as reações indesejáveis, febre alta, choro intenso e reação de hiporresponsividade, em que a criança fica letárgica (“largadinha” e sonolenta) por cerca de 12 a 24 horas. Nesse caso, a segunda dose deve ser feita com a tríplice bacteriana acelular (feita com a proteína da referida bactéria), pois a chance de aumentar a reação na segunda dose com a tríplice comum aumenta muito.

  1. Quem tem alergia a ovo não pode tomar a vacina contra febre amarela?

DEPENDE: Se a pessoa realmente tiver alergia ao ovo, ou seja, se ela comer ovo e dar urticária ou crise de rinite com espirros, coriza e crise de asma com falta de ar e chiado no peito, daí realmente se trata de uma alergia alimentar a ovo, e a pessoa não pode tomar a vacina.

Porém, se a reação a ovo deu apenas positivo no exame e a pessoa come ovo e não provoca nenhuma reação, ela pode tomar a vacina contra a febre amarela e outras vacinas fabricadas através da incubação do vírus vacinal em embrião de ovo.

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  1. Quem tem alergia a leite de vaca pode tomar leite (vaca) – em pó ou de “caixinha” – sem lactose?

MITO: Existe uma grande confusão entre a alergia ao leite de vaca (APLV) e a intolerância a lactose (IL). Lactose é o açúcar do leite e não existe alergia a lactose. Pode existir Intolerância a lactose, então a criança terá vômitos, diarreia (até com sangue), estufamento, mal-estar e má digestão. É por falta da enzima lactase para digerir o açúcar.

APLV é outro diagnóstico completamente diferente. A criança que tem APLV (alergia a proteína do leite) pode apresentar, além de sintomas digestivos (também diarreia com sangue), os sintomas respiratórios, como coceira nasal, espirros, obstrução nasal, tosse e chiado no peito (“bebê chiador”).

Os tratamentos são, consequentemente, diferentes: a APLV se trata excluindo o leite de vaca da dieta e dando leite de soja, ou leite extensamente hidrolisado, de arroz ou de aminoácidos. O seu pediatra pode receitar os nomes comerciais desses leites especializados.

Os exames de sangue para identificar a APLV já podem ser feitos logo após a criança completar um ano. A intolerância à lactose se trata com leite sem lactose ou se dá a enzima lactase (hoje já existe comercialmente) à criança, antes de ela ingerir alimentos com lactose.

  1. RN e lactentes abaixo de 2 meses de idade têm mais chance de adquirir a “tosse comprida”?

VERDADE: A criança abaixo de dois meses, apesar de receber anticorpos durante a gravidez e também pelo leite materno (se tiver amamentando), está desprotegida, de certa forma, da coqueluche (“tosse comprida”), porque ela só irá tomar a primeira dose da tríplice bacteriana (DTP – difteria, tétano e pertussis) com dois meses.

Nesse caso, aconselha-se que tome não a DTP comum, mas sim a DTPa – a tríplice acelular para evitar as reações indesejáveis da tríplice comum. Ainda, é recomendável que os adultos que convivem com os bebês menores de dois meses – como os pais, avós, e irmãos – tomem a vacina tríplice do adulto (dTpa), porque esses adultos transmitem o vírus da Bordetella pertussis (causadora da coqueluche), que “carregam” na boca essa bactéria.

OBS.: Na próxima edição, vamos continuar com os mitos e verdades em pediatria. Quem tiver alguma dúvida e quiser esclarecer pode mandar a pergunta em nosso e-mail: ([email protected]).

 * Especialista em pediatria pela SBP e AMB e diretor do Cevac (Centro de Vacinação de Tatuí).

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