Mí­dias digitais e a comunicação





A carência de informações e a consequente desinformação não são privilégios de nenhuma localidade em particular, muito embora, em algumas áreas de atuação, acabem sendo mais acentuadas nas instâncias com média de profissionais menos exigidos pelo mercado – atingindo o interior com mais ênfase que as capitais.

Quando se observa a área de comunicação – que engloba, basicamente, jornalismo, publicidade e relações públicas -, a realidade chega a ser preocupante.

Não faltam profissionais das letras com dificuldades para escrever – porque não gostam de ler -, e publicitários que se concentram demasiadamente, apenas, nas chamadas “mídias digitais”, deixando de buscar informações relativas ao ofício em geral.

Em razão dessa carência e com estímulo das mídias sociais, também sempre carentes – no caso, de maior compromisso com a verificação e aprofundamento dos fatos -, chega-se a conclusões seguidamente equivocadas.

Essas conclusões, que redundam em novos “conceitos” de comunicação, por sua vez, geram problemas que, embora generalizados, recaem ainda mais sobre os “clientes” da comunicação, os anunciantes e consumidores.

Não seria pertinente dar destacada atenção a isso em meio aos veículos – como neste, um jornal -, porém, ignorar o fato poderia ser algo, também, entendido como desserviço.

Algumas informações relacionadas ao assunto podem exemplificar a oportuna e necessária busca de fatos reais muito além dos virtuais, começando pela importância de se saber que, para a evolução do trabalho – especialmente na área de comunicação -, é preciso empenho e pesquisa.

Trabalhar “bem” em comunicação quer dizer estar constantemente se informando – não pelas fofocas e opiniões sem muito embasamento, comuns nas “redes” -, mas com estudo contínuo e busca de informações confiáveis.

Em síntese, é preciso fazer o que é melhor para os clientes – consumidores de informação, no caso dos jornalistas, e anunciantes, na publicidade –, e não, simplesmente, o que é mais fácil, ou apenas o que se aprendeu “mexendo” no computador.

Dois exemplos da realidade, possivelmente ignorada por quem carece de informação, podem ser observados a seguir, a partir de um evento e de uma pesquisa.

Cerca de 300 profissionais de publicidade, propaganda e marketing estiveram reunidos, no dia 2 de dezembro de 2015, no “Summit de Comunicação – A Força da Mídia Impressa”, promovido em São Paulo pelo jornal “Propmark”.

O evento somou alguns dos maiores nomes da propaganda e do marketing na atualidade. Foi destaque a palestra de Sérgio Maria, diretor de parcerias estratégicas do Google, empresa que, embora alicerce seus negócios no meio digital, é categórica: “Não se constroem marcas apenas com mídia digital”.

Grandes nomes da propaganda, como Federico Sader, da agência Nielsen Brasil, Luiz Lara, da Lew Lara/TBWA, e Nizan Guanaes, do Grupo ABC, também reforçaram a importância do impresso nas mais diferentes comunicações de uma empresa ou anunciante.

O francês Jacques Claude, da Gutenberg Networks, falou da aliança do impresso e do digital, e o consultor de marketing de varejo Michel Péroni discutiu a mídia impressa como estratégia de vendas.

Houve, ainda, a apresentação de dados sobre a confiabilidade, a aceitação e o alcance da mídia impressa no Brasil nas diferentes faixas etárias.

“Os principais veículos da Editora Referência são impressos, embora tenhamos também mídias digitais. É importante percebermos que nenhuma mídia desaparece, e a história está aí para provar. A mídia impressa é a que mais prosperou em credibilidade. É verdade que houve uma ascensão do digital nos últimos anos, mas isso não significa que o analógico vá desaparecer. Todas as mídias são importantes”, declarou Armando Ferrentini, diretor-presidente da Editora Referência.

Por sua vez, o site “Comunique-se”, considerado o mais respeitado e especializado no país sobre comunicação, repercutiu pesquisa em que se aborda a condição da mídia digital no país, com suas perspectivas para os próximos anos.

O “Comunique-se” informou que, com a baixa penetração de tablets no país, as revistas digitais representam apenas 6% do mercado brasileiro, de acordo com a pesquisa “Global Entertainment and Media Outlook 2016-2020”, da consultoria PwC, divulgada no dia 8 deste mês.

Com histórico e projeções para os próximos cinco anos, o estudo mostrou que, atualmente, os gastos do consumidor com exemplares impressos e de anunciantes com publicidade nas versões tradicionais da publicação compreendem 94% das movimentações do segmento.

Até 2020, a expectativa é que o cenário passe por pequena variação, quando a fatia de gastos na plataforma digital sobe para 10%, mas as edições impressas continuam sendo o formato preferido dos brasileiros.

Um dos motivos apontados no levantamento para tal inclinação é a adesão tímida dos usuários aos dispositivos tablet, que proporcionam melhor experiência de leitura.

No ano passado, a venda dos aparelhos sofreu queda de 38% no país, em comparação a 2014, conforme informações da IDC Brasil, empresa de inteligência de mercado.

O estudo da consultoria, que está na 17ª edição, também estima que as assinaturas on-line passem por crescimento acelerado de 19% ao ano até 2020, mas, ainda assim, serão responsáveis por uma fatia de apenas 16% do total do faturamento na plataforma digital. A maior tem como fonte a publicidade.

Todas essas são informações relevantes, de especial interesse aos profissionais da área, mas, também, a todos os que se servem da comunicação. São públicas e estão divulgadas nas melhores publicações impressas do ramo.

Claro, também podem ser acessadas e conferidas on-line. Basta ter empenho, interesse e lembrar que a internet pode ser muito mais que plataforma para a ociosidade. O setor de comunicação como um todo e a comunidade em particular agradecem, certamente.